Brasil tem mínimo de mortes violentas em 14 anos; letalidade policial e feminicídios crescem
O Brasil teve um mínimo de mortes violentas em 14 anos, mas a letalidade policial e os feminicídios cresceram. Crédito: JOSE OSORIO / AFPTV / AFP
Gerando resumo
Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao fim do texto onde buscar ajuda.
A jovem Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrada morta no domingo, 6, na casa onde morava, em Embu das Arte, na região metropolitana de São Paulo.
O marido dela, o soldado Vinicius Costa Silva, de 26 anos, foi preso na segunda-feira, 7. Desde o primeiro momento, o policial militar afirma que a mulher tirou a própria vida. Ele passará por audiência de custódia nesta terça-feira, 8.
O advogado Roberto Montanari Custódio, que representa a defesa de Silva, afirmou, em nota enviada ao Estadão, que a situação é “uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal”.
Segundo ele, o soldado “jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho”.

Larissa morava havia pouco mais de um mês em uma casa no bairro Chácaras Bartira, em Embu das Artes, com Silva e o filho do casal, de dois anos. Antes, a família morava em Itapecerica da Serra.
Em 2019, ela concluiu um Tecnólogo em Radiologia no Centro Universitário FAM. Em seu perfil no LinkedIn, a jovem se descrevia como “apaixonada pela área da saúde e em cuidar do próximo”. Entre suas principais qualidades, apontava ser “responsável, proativa e dedicada”.
Entre 2022 e 2024, Larissa trabalhou em uma fundação como técnica em Radiologia, atuando em carretas móveis e no setor de mamografia. Atualmente, ela trabalhava em uma farmácia em Taboão da Serra, da qual era proprietária junto com Silva.
Entenda o caso
Segundo o boletim de ocorrência, Larissa foi encontrada caída no banheiro da casa onde morava, por volta das 11h de domingo. Ela tinha um ferimento na cabeça provocado por arma de fogo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e confirmou a morte da jovem.
Uma arma, que pertencia a Silva, foi encontrada sob o corpo de Larissa. No banheiro também estavam um coldre, um carregador, munições e um estojo de munição.
Em depoimento à Polícia Civil, ele alegou que a mulher tirou a própria vida. Segundo o soldado, os dois retomaram, na manhã de domingo, uma conversa sobre pôr fim ao relacionamento, mas Larissa “começou a chorar e ficou bastante abalada”.
Ele afirmou que foi dormir e, depois, acordou ao ouvir um estrondo muito forte, que inicialmente pensou ser o som de um vidro quebrando. Segundo ele, imaginou que o filho pudesse ter quebrado alguma coisa, mas encontrou o menino brincando na sala.
Silva disse que, em seguida, foi até o banheiro, onde encontrou Larissa caída. Ele afirmou ter acionado a PM e o resgate e permanecido no local.
No entanto, a delegada responsável pela investigação, Bruna Caracho Crippa, pediu a prisão temporária dele após a médica legista que realizou os exames necroscópicos apontar “dados curiosos” em relação ao trajeto do projétil que atingiu Larissa.
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“A médica legista observou alguns dados curiosos em relação ao trajeto e à trajetória desse projétil e à forma como essa moça, essa mulher veio a óbito”, disse Bruna em trecho de uma entrevista à imprensa exibida pela TV Globo.
“Somados também a outras razões que nós colhemos aqui durante as investigações preliminares, à colaboração dele em relação aos fatos, às oitivas que nós tivemos aqui na delegacia, formei o juízo de convicção e decidi representar pela prisão temporária dele”, acrescentou.
O caso foi registrado como morte suspeita na Delegacia de Polícia de Embu das Artes, com a observação de “dúvida razoável quanto a tratar-se de suicídio”, e segue sendo investigado.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
Canal Pode Falar
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuvenis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.
