'Juiz sequestrado em SP já havia sido vítima de golpe do amor em 2021', diz delegado
Juiz Samuel de Oliveira Magro foi vítima de um sequestro-relâmpago em 18 de janeiro de 2026. Crédito: Divulgação/Governo de São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o juiz Samuel de Oliveira Magro — que foi libertado do cativeiro na manhã desta terça-feira, 20, após mais de 30 horas sequestrado — foi vítima do golpe do amor. E não foi a primeira vez: Magro já havia sido raptado por meio do mesmo esquema em 2021.
A informação foi confirmada pelo diretor da Divisão Antissequestro de São Paulo, o delegado Fabio Nelson. “Achava que ia para um encontro e sofreu golpe”, afirmou.
Inicialmente, a polícia havia informado que o sequestro não havia sido planejado, mas um crime de oportunidade. Em depoimento à polícia nesta tarde, porém, o juiz do Tribunal de Impostos e Taxas admitiu haver marcado um encontro por aplicativo. Quando esperava pelo par, no último domingo, 18, foi sequestrado.
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O que é o golpe do amor?
Os golpes de amor se popularizaram após a pandemia. Naquela época, eram frequentes os casos de sequestro-relâmpago de vítimas que haviam agendado encontro por meio de aplicativo de namoro.
O refém era mantido por horas em cativeiro perto do local de abordagem, enquanto a quadrilha realizava transações bancárias. Depois, a vítima era solta em áreas mais afastadas.
Criminosos são presos após sequestro de juiz
Vítima foi sequestrada na Avenida Rebouças, na noite de domingo, 18. Crédito: Reprodução/Polícia Civil
Os golpes desse tipo e a facilidade de transferências por meio do Pix fizeram com que, em 2022, o número de sequestros no Estado de São Paulo fosse o maior em 15 anos.
Segundo Fabio Nelson, esse foi o primeiro golpe do amor registrado em 2026 pela Divisão Antissequestro de São Paulo. Em 2025, houve três casos e em 2024, oito. O recorde foi em 2022, com 115 episódios. Mas os números vêm caindo desde 2023, quando houve 49 ocorrências.
Como foi o rapto
O juiz Samuel de Oliveira Magro foi resgatado pela Polícia Civil por volta das 6h desta terça-feira, 20, após passar mais de 30 horas como refém em um cativeiro em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.

Cinco pessoas foram presas e um adolescente foi apreendido. Um dos presos já era investigado por aplicar o golpe do amor.
Magro foi sequestrado na noite de domingo, 18, na Avenida Rebouças, no Jardim América, bairro nobre da zona oeste da capital. Ele foi abordado na via por volta de 20h36 por uma dupla. A polícia ainda verifica imagens de câmeras de segurança para entender como ocorreu a abordagem.
Houve tentativas de transferências de dinheiro, que não foram concluídas, assim como o plano de roubar sua casa, do qual a quadrilha desistiu. A vítima não foi agredida fisicamente, mas foi coagida, de acordo com o delegado.
Magro é juiz do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT), órgão administrativo responsável por julgar conflitos tributários entre contribuintes e o Fisco estadual, vinculado à Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz).
Já rendido, no cativeiro, ele recebeu uma ligação do companheiro. “O auditor tinha um código com o parceiro, para avisar que ele estava em risco. Ele usou esse código e o companheiro chamou a polícia”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Arthur Dian. A palavra-chave, porém, não foi revelada pelas autoridades.
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“A Divisão Antissequestro conseguiu prender quatro indivíduos, estourar o cativeiro e soltar a vítima. Alguns dos integrantes da quadrilha já tinham passagem (pela polícia). Temos também um menor de idade nessa quadrilha (que foi apreendido)”, disse Dian. Posteriormente, um quinto homem foi detido nas imediações do local.
A polícia ainda investiga a participação de mais criminosos na quadrilha.
