ENVIADAS ESPECIAIS A BELÉM- A presidência da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30) vai criar dois roteiros com propostas sobre o que o mundo precisa fazer para deixar de usar os combustíveis fósseis e para acabar com o desmatamento até 2030.
A medida foi uma estratégia do presidente da COP, o embaixador André Corrêa do Lago, para responder às demandas de diversos países, inclusive o Brasil, pela construção de um mapa do caminho para a transição energética e para o fim do desmatamento.
“Sabemos que alguns de vocês tinham ambições maiores para alguns dos temas e sei que a sociedade civil vai demandar que a gente faça mais para lutar contra a mudança do clima. Vou tentar não desapontar vocês durante a minha presidência”, disse o embaixador em plenária.

Corrêa do Lago se emocionou no discurso de encerramento da plenária e chorou. O embaixador agradeceu sua equipe e todas as pessoas que trabalharam na COP-30. André também elogiou a ministra Marina Silva e a CEO da Cop-30, Ana Toni, que chamou de “incrível”. Corrêa do Lago agradeceu ainda a participação da sociedade civil:
“Obrigada por nos guiarem para a direção correta”, disse. Corrêa do Lago lembrou que há cerca de 30 anos começou sua caminhada na agenda ambiental, na época da criação do regime climático da ONU. “É bom ver que o multilateralismo está vivo”, concluiu.
Corrêa do Lago disse ainda Belém entregou um pacote muito interessante e que a decisão mutirão foi um “milagre”.
Críticas
Após a divulgação dos documentos finais da COP, cientistas e ambientalistas criticaram o fato de os textos não trazerem a necessidade de se acabar com os combustíveis fósseis.
“Como o presidente Lula falou, nós precisamos de mapas para que a humanidade, de forma planejada e justa, possa ultrapassar a dependência dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento e mobilizar recursos para esses propósitos. Eu, como presidente, vou criar dois mapas, um sobre como reverter o desmatamento e outro para transicionar para fora dos combustíveis fósseis de forma justa e igualitária”, afirmou Corrêa do Lago, sendo ovacionado pela plenária.
O embaixador também anunciou a realização de uma primeira conferência internacional para o fim do uso de combustíveis fósseis em abril, na Colômbia. Ao longo da COP-30, a Colômbia liderou os debates pela transição energética.
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A criação desses mapas do caminho pela presidência da COP é uma medida paralela, que não entra no rol de decisões acordadas entre as partes. Isso significa que os países não são obrigados a adotar as medidas que forem sugeridas nesse roteiro. A mesma solução foi buscada na COP-29, em Baku, quando a meta global de financiamento climático ficou aquém do que defendiam os países em desenvolvimento.
Na ocasião, foi fixado um valor de US$ 300 bilhões para o financiamento por parte dos países ricos, bem atrás da necessidade de US$1,3 trilhão apontada por estimativas. Devido a isso, na época, foi definido que haveria a construção de um mapa do caminho de Baku a Belém para apontar medidas para ampliar o financiamento climático.
O roteiro Baku-Belém foi divulgado às vésperas da COP-30 e trouxe algumas sugestões, como o perdão de dívidas de países pobres em troca da implementação de medidas de transição energética e taxação de grandes fortunas, entre outras. Os apontamentos, no entanto, não trazem nenhum tipo de vinculação.

Após a aprovação dos acordos da COP-30, em coletiva de imprensa, o presidente da COP-30, André Corrêa do Lago, admitiu que seria difícil conseguir incluir o mapa do caminho na decisão da COP. Segundo ele, o tema se tornou um tema central na conferência e diante da falta de consenso, a presidência da COP decidiu construir o documento como forma de resposta à demanda de alguns países. Segundo ele, o tema estava conflagrado nas salas de negociação, com número semelhante de apoiadores e opositores.
“Como diplomata, eu tinha uma versão mais conservadora, no sentido de que nós imaginávamos que seria muito difícil ter consenso sobre essa história (do mapa do caminho), tendo em vista que, desde que nós aprovamos (incluir) combustíveis fósseis em Dubai (em 2023), há uma grande resistência de continuar a discussão do tema”, explicou.

Corrêa do Lago explicou que a partir de agora a presidência brasileira vai consultar diversas organizações sobre o tema, incluindo aquelas que representam os interesses de países produtores de petróleo, como a Opep.
“Vamos começar convidando as maiores entidades de energia do mundo”, disse, citando ainda a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena).
A negociadora brasileira, Embaixadora Liliam Chagas, explicou que é preciso buscar dados e informações que viabilizem a construção de mapas para cada um dos países, atendendo às necessidades específicas de cada um deles.
“Não tem um mapa do caminho específico que sirva a todos. Há países com necessidades muito diferentes”, explicou.

