Binance sofre ataque hacker bilionário; veja o que clientes devem fazer

A plataforma investiga o incidente cibernético; atualmente, saques estão suspensos e usuários devem redobrar a atenção para tentativas de golpes

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Foto do autor Igor Almenara Carneiro
Atualização:

A Binance investiga um incidente de segurança detectado nesta quinta-feira (29). A plataforma flagrou grandes volumes de criptomoedas transferidas de hot wallets, carteiras conectadas à internet, para endereços recém-criados. Cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos foram atingidos, dos quais aproximadamente US$ 3 bilhões foram congelados.

A investigação da Binance apontou inicialmente que o incidente de segurança envolveu o notebook comprometido de um engenheiro do time de DevOps da empresa. O dispositivo teria permitido ao atacante acessar o contêiner de um serviço e enviar transações de saque não autorizadas. Posteriormente, as análises apontaram que o ataque envolveu múltiplos fatores e outros pontos de invasão. Mais detalhes ainda não foram compartilhados.

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“Foi um ataque complexo, e estamos fazendo tudo o que podemos em coordenação com autoridades policiais para resolvê-lo. Ainda estamos reunindo os fatos e compartilharemos mais diretamente assim que os tivermos”, disse a Binance.

Em posicionamento enviado à imprensa na tarde desta sexta-feira (30), a BBrasil SPSAV LTDA., entidade da Binance que atende os usuários brasileiros, defendeu que os fundos dos clientes permanecem seguros. De acordo com a empresa, foram reservados mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir o que a companhia chamou de “incidente”.

Na nota, a marca se desculpa com os clientes e ainda pontua que “em um cenário que exista impacto, a Binance cobrirá todas as perdas diretamente relacionadas a este incidente com recursos próprios da empresa”. Confira, ao final da matéria, o posicionamento completo da Binance.

Binance implementou medidas de contenção

Como contenção, a exchange implementou medidas extras de segurança:

  • Suspensão temporária de depósitos e saques: no momento da publicação desta matéria, os depósitos já operavam normalmente, mas os saques continuavam suspensos;
  • Revogação de autorizações: os endereços diretamente afetados tiveram a autorização revogada;
  • Rastreamento dos ativos: a empresa acionou autoridades policiais e “parceiros de inteligência em blockchain” para rastrear e recuperar os fundos.

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Segundo a empresa, “os fundos dos usuários estão seguros”. A expectativa é que os saques voltem a operar dentro da janela de até 48 horas anunciada pela plataforma, mas o prazo ainda pode mudar durante as verificações de segurança.

Quem hackeou a Binance?

Até o momento, a Binance não identificou oficialmente os autores do ataque. A empresa de inteligência em blockchain TRM Labs, porém, atribuiu a operação ao TraderTraitor, grupo de hackers associado à Coreia do Norte, com “alta confiança”, a partir de informações obtidas dentro e fora das redes de transações digitais.

De acordo com a TRM Labs, o método do ataque apresenta características semelhantes às de outras operações atribuídas a cibercriminosos norte-coreanos. Na ação contra a Binance, o invasor movimentou cerca de US$ 6,36 bilhões por carteiras da empresa em dez redes de criptomoedas, concentrando a maior parte das transações em 20 minutos.

O TraderTraitor é associado ao conjunto de grupos de hackers conhecido como Lazarus Group, ligado ao governo da Coreia do Norte. Integrantes ligados ao Lazarus também foram relacionados a ataques de grande repercussão, incluindo a invasão da Sony Pictures em 2014.

O que clientes da Binance precisam fazer para se proteger?

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Segundo o comunicado publicado pela Binance, não há registros de que chaves privadas das carteiras tenham vazado. Como medida de proteção, a empresa recomenda redobrar a atenção para golpes, confiar apenas em seus canais oficiais e não fornecer informações de acesso à conta a terceiros.

A plataforma afirma que cobrirá todas as perdas por meio do fundo SAFU (Secure Asset Fund for Users) e de recursos próprios. Até agora, a empresa reservou mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir o incidente – cerca de US$ 5 bilhões desses recursos já estão alocados nos mesmos tokens que foram afetados.

Os números não incluem ativos congelados ou protegidos, que ainda estão sujeitos a processos de recuperação e verificação. “Atualmente, US$ 3 bilhões foram congelados, graças aos nossos parceiros do setor. Estamos trabalhando com parceiros e autoridades policiais para recuperar esses ativos congelados”.

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Dada a notoriedade do incidente cibernético e seguindo boas práticas de segurança, usuários da Binance devem:

  • Desconfiar de mensagens, e-mails ou outras tentativas de contato que aleguem ser da Binance, mesmo quando mencionarem corretamente o incidente ou informações relacionadas à conta;
  • Não recorrer a ferramentas que prometam “recuperar fundos perdidos” da Binance: até agora, não foi anunciada nenhuma solução desse tipo;
  • Não usar ferramentas que prometam liberar o saque de ativos digitais: os saques estão temporariamente suspensos pela própria Binance, e soluções externas que prometam contornar o bloqueio podem ser golpes;
  • Conferir as proteções da própria conta: vale verificar se a autenticação de dois fatores está ativa e ficar atento a acessos ou atividades desconhecidas. Até agora, não há indícios de que credenciais de usuários tenham sido roubadas;
  • Acompanhar a comunicação apenas pelos canais oficiais: como @binance no X e a página oficial de comunicados.

Fora as medidas de proteção pessoal, os usuários da Binance não precisam tomar nenhuma ação para proteger suas criptomoedas neste momento. A empresa afirma que os fundos dos clientes estão seguros e que eventuais perdas serão cobertas pelo SAFU e por recursos próprios.

Em caso de dúvidas ou de atividade suspeita na conta, a recomendação é procurar diretamente o suporte oficial da Binance.

Posicionamento da Binance

Confira, abaixo, o comunicado na íntegra enviado pela Binance aos veículos de imprensa do Brasil:

“Diante das notícias recentes sobre o incidente de segurança envolvendo a Binance Global, a BBrasil SPSAV LTDA., entidade da Binance que atende os usuários brasileiros, confirma que os fundos de seus clientes permanecem seguros. Além de observar os requisitos de segregação estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, os ativos virtuais são mantidos em cold wallets (carteiras frias), agregando uma camada adicional de segurança e reforçando o compromisso da BBrasil SPSAV com a proteção dos ativos de seus clientes.

Além disso, já reservamos mais de US$ 6,34 bilhões em recursos para cobrir este incidente, sendo US$ 5 bilhões mantidos exatamente nos tokens impactados. Em um cenário que exista impacto, a Binance cobrirá todas as perdas diretamente relacionadas a este incidente com recursos próprios da empresa, incluindo o fundo SAFU. Não há nenhuma evidência de vazamento de chaves privadas de qualquer carteira.

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Como medida preventiva e conforme informado anteriormente, os saques de ativos virtuais estão temporariamente suspensos enquanto realizamos uma verificação minuciosa de segurança. Os depósitos e a atividade normal da plataforma não foram afetados. Todos os demais serviços da plataforma continuam funcionando normalmente, e retomaremos as operações de saque assim que o processo de verificação for concluído.

A segurança dos ativos virtuais dos clientes continua sendo a maior prioridade da Binance, que se compromete a permanecer plenamente comprometida com a manutenção de padrões rigorosos de segurança para garantir a total confiança de todos os clientes.

É possível acompanhar as últimas atualizações na área de anúncios do site da Binancee também nas mídias sociais verificadas.

Estamos trabalhando com autoridades policiais, emissores, empresas de inteligência de blockchain e parceiros do setor para rastrear, congelar e recuperar fundos. Cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados on-chain até o momento, graças aos nossos parceiros de blockchain.

Próximos passos:

  1. Status dos saques: assim que o serviço for restabelecido com segurança
  2. Nosso relatório completo do incidente: um relatório técnico detalhado, publicado assim que a investigação for concluída e cada fato for verificado.
  3. Prova de Reservas: publicada após a remediação, possivelmente na segunda-feira (2/11), para que você possa verificar por conta própria que nenhum saldo de usuário foi afetado.

Transparência não é algo que fazemos quando é conveniente, é como demonstramos que nosso compromisso com os usuários é absoluto: fundos protegidos, serviço restabelecido e a demonstração do nosso trabalho por meio de uma Prova de Reservas independente.

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Obrigado pela compreensão e lamentamos quaisquer inconvenientes durante este período. Pedimos sinceras desculpas aos usuários por qualquer inconveniente causado”.

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