Uma vulnerabilidade crítica na Pillow, uma ferramenta de processamento de imagem popular da linguagem de programação Python, permite que invasores assumam o controle de servidores na internet. O ataque é disparado quando o sistema tenta processar um arquivo renomeado para incluir comandos maliciosos. A brecha atinge o formato EPS, comumente usado para arquivos vetoriais e ilustrações no design gráfico. O problema surge da falta de validação no Pillow, que repassa o nome de documento diretamente ao programa auxiliar Ghostscript sem verificar se o texto traz instruções invasoras.
A equipe responsável pelo software confirmou, em documentação oficial, a gravidade da situação: “A falha é acionada pelo nome do arquivo, e não por qualquer elemento dentro do documento PostScript”, declararam os programadores que cuidam do projeto, em comunicado de segurança publicado no GitHub. A declaração reforça que até mesmo uma imagem inofensiva pode causar estragos caso o nome do arquivo seja definido por um invasor.

Os mantenedores do projeto e a equipe da empresa de cibersegurança OX Security confirmaram, em relatórios divulgados nesta quinta-feira (22), que a biblioteca registra cerca de 436 milhões de downloads por mês.
O software está presente em formulários de envio de fotos na web, geradores de imagens em miniatura, leitores de arquivos PDF e sistemas de inteligência artificial (IA). Para corrigir a brecha, os desenvolvedores lançaram a versão 13.0.0 da ferramenta no dia 16 de outubro.
Riscos em processamento de imagens e fotos no formato JPEG
A análise publicada pela OX Security afirma que a biblioteca apresentou três falhas graves com pontuação 9,2 em uma escala de gravidade que vai até 10. Além do problema no processamento de ilustrações, a atualização corrige um erro na leitura de imagens JPEG no formato FlashPix, um padrão antigo de fotografia digital.
Como o programa processa rotineiramente dados de imagem não confiáveis enviados por usuários, uma falha de segurança no Pillow é alcançável a partir de um simples envio de arquivo em uma enorme variedade de serviços.
Niz Zadok, pesquisador da OX Security
Conforme detalhado no relatório de segurança no GitHub, essa brecha permite que o invasor tome o controle do servidor no momento em que a imagem é aberta pelo sistema, desde que um pacote complementar chamado olefile esteja instalado. O programa identifica o arquivo pela assinatura dos dados do cabeçalho e não pela extensão do nome, o que expõe os servidores automaticamente sem que ninguém precise clicar na imagem.

A versão atualizada também corrige um defeito na criação de miniaturas, as versões reduzidas de imagens usadas para pré-visualização na web. Essa falha específica, identificada como CVE-2026-112403, faz o servidor travar ao tentar redimensionar fotos em formato JPEG. “Esta consulta foi encontrada pela Anthropic com o uso do Claude para estudar a segurança de softwares de código aberto, com validação manual pela Ada Logics”, pontuou o analista David Korczynski, no boletim técnico publicado no GitHub.
Atualização do sistema e medidas de proteção
Outro ponto corrigido na atualização envolve uma brecha registrada como CVE-2026-112393, presente no código do programa desde 2013. Ela acontece quando o sistema tenta salvar uma foto comprimida diretamente na memória temporária do servidor em vez de gravar no disco rígido, uma prática comum em sites que tratam imagens enviadas por usuários antes de exibi-las na tela.
A orientação principal para os profissionais de tecnologia que gerenciam esses servidores é a atualização imediata para o Pillow 13.0.0, conforme informado nas notas de lançamento e disponível para download no repositório PyPI. A nova versão do software removeu o suporte a versões mais antigas do Python, o que exige a atualização de toda a base do sistema.
Enquanto a atualização não é aplicada, as diretrizes de segurança do Pillow recomendam desinstalar o programa Ghostscript dos servidores que recebem arquivos públicos. Os mantenedores do projeto pedem ainda que os sistemas evitem criar miniaturas de fotos enviadas por desconhecidos e não processem imagens diretamente na memória temporária do computador.
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