‘Bets são um assunto de saúde, não é da área econômica’, diz Arminio Fraga

Ex-presidente do Banco Central defende que cassinos online devem ser tratados pelo governo para além da questão financeira

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Atualização:

'Armínio Fraga: Não há chance de coisas darem certo aqui sem reforma da previdência profunda'

Segundo o ex-presidente do Banco Central, o sistema previdenciário está em “estado pré-falimentar” e é um “problema enorme”. Crédito: Bruno Nogueirão

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Ex-presidente do Banco Central e cofundador do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), Arminio Fraga entende que bets e cassinos online devem ser tratados pelo governo como uma questão de saúde pública, e não apenas do ponto de vista financeiro.

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“Isso é um assunto de saúde, não é da área financeira-econômica. Existem amplas evidências”, disse Fraga nesta quinta-feira, 11, durante o Brasil Adiante. “Quando a gente joga roleta, são 38 números, sendo dois da casa (0 e 00). Nas bets, quantos números são da casa?”, questionou o economista.

O Brasil Adiante é um projeto do Estadão para apresentar propostas concretas para os principais problemas do País. O ciclo de debates vai até o final de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A ideia é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.

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Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e cofundador do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), participou do evento Brasil Adiante, promovido pelo 'Estadão'. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Como o Estadão mostrou, estudo do Ieps estimou o custo dos danos associados ao jogo problemático em R$ 38,8 bilhões anuais, sendo R$ 30,6 bilhões referentes aos danos à saúde.

Em entrevista após o evento, Fraga afirmou que acredita que, para combater o problema da dependência em bets, o próximo governo terá que atuar tanto na regulação da atividade quanto na oferta de assistência a pessoas afetadas. “É uma combinação. Você vê o sucesso que o Brasil teve no tabagismo, por exemplo. Então são (necessárias) campanhas de informação e regulação”, declarou.

Sistema previdenciário está em ‘estado pré-falimentar’

Arminio Fraga voltou a defender uma nova reforma da previdência, mesmo admitindo que o tema pode gerar um certo “cansaço” na população brasileira e disse que eventual reforma poderia ajudar a angariar mais recursos para a saúde.

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“Não dá para falar de envelhecimento sem falar de previdência”, afirmou. Segundo o ex-presidente do Banco Central, o sistema previdenciário está em “estado pré-falimentar” e é um “problema enorme”. “Não há chance de as coisas darem certo aqui sem reforma da previdência profunda”, completou.

Para o economista, o aumento da expectativa de vida deveria vir acompanhado de um reforço no orçamento da saúde e reformas que levem ao corte de gastos e à maior produtividade poderiam gerar um caixa mais gordo e, consequentemente, mais recursos para a área da Saúde.

“Se o País se arrumar e definir melhor as suas prioridades, a gente vai crescer muito mais. Onde tem espaço para se liberar recursos para o Brasil ter mais dinheiro na saúde? Na Previdência, na gestão do Estado e numa série de subsídios e desonerações que não fazem sentido, os tais gastos tributários”, disse.

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Ao abordar os desafios do financiamento da saúde, Arminio Fraga defendeu ainda mais realismo na incorporação de novas tecnologias e tratamentos ao sistema. Segundo ele, o debate precisa considerar os limites financeiros disponíveis.

“Tem que haver uma dose de realismo por parte das autoridades”, afirmou. Para Fraga, é necessário ajustar os processos de incorporação de tratamentos e aceitar que, em alguns casos, os custos também precisam fazer parte da decisão sobre a oferta de determinados procedimentos.

No evento, Fraga defendeu ainda como medida fundamental para encarar os impactos do envelhecimento populacional a integração entre a saúde e a assistência social, com modelos como o de países como a Costa Rica, que têm equipes que fazem visitas domiciliares periódicas para monitorar e prestar apoio a idosos que não têm cuidadores.

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Veja o cronograma do Brasil Adiante

  • 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);
  • 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde);
  • 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado);
  • 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;
  • 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;
  • Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.
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