O que faz da CCXP uma potência entre fãs da cultura pop?

Evento que segue até domingo, 7, no São Paulo Expo, nasceu em 2014 e se consolidou como referência global entre os festivais de cultura. O ‘Estadão’ visitou o pavilhão e conversou com fãs para entender o que movimenta tantas pessoas

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Foto do autor Julia Queiroz

Pegamos FILA pra você NÃO PERDER tempo na CCXP!

A CCXP, o maior evento de cultura pop da América Latina, começou! A gente enfrentou as filas por você e indica os estandes que realmente valem a pena. Crédito: Tecmundo/Estadão

Em uma esquina, uma loja de produtos das animações da Pixar. Em outra, o cenário icônico de Chaves, com fila para fotos. Do outro lado, um estande exibe o figurino oficial de um filme de super-herói que só será lançado no próximo ano. Mais à frente, um local todo dedicado aos animes mais populares do momento. Ande mais um pouco e cruze ainda com uma apresentação de drag inspirada pelo reality Drag Race Brasil.

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Essa é só uma amostra do que você pode encontrar caminhando pela CCXP25, que segue até domingo, 7, no São Paulo Expo. O evento, considerado o maior festival de cultura pop do mundo, surpreende por reunir praticamente todas as tribos em um só lugar, atraindo centenas de marcas e algumas das maiores estrelas não só de Hollywood, mas também dos quadrinhos, da literatura e até da música.

Na tarde de quinta-feira, 4, quando o Estadão circulava pelo pavilhão, um multidão de fãs se reuniu em frente ao Palco Omelete, um dos poucos abertos ao público geral, para ver o elenco da série Supernatural, que foi convidado à feira para celebrar os 20 anos desde o lançamento da produção. Era difícil passar pelo corredor enquanto Misha Collins, Jim Beaver, Kathryn Newton, Richard Speight Jr e Rob Benedict estavam no palco.

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Os atores da série Supernatural no palco Omelete na CCXP 2025. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

A estudante de medicina veterinária Paloma Rubio, de 25 anos, já guardava seu lugar próximo ao palco há cerca de uma hora. Ela queria ver o elenco e, principalmente, Misha Collins. Intérprete do anjo Castiel na série, o ator arrancou muitos gritos da plateia. “Eu esperaria anos para ver ele. É muita fila mesmo, é muito cansativo, mas creio que vale a pena”, disse ela.

Era a primeira vez dela no evento, e além do acesso ao pavilhão para quinta e sexta, ela garantiu o direito de tirar uma foto com Collins. Somente pelo registro, ela pagou R$ 410. “É um amor muito grande que temos quando somos fãs de alguém. Essa pessoa é tudo para nós, idealizamos uma coisa e fazemos de tudo por um ídolo”, explicou ela.

O que é a CCXP e como ela virou o que é

Atualmente em sua 12ª edição, a CCXP começou em 2014 com o título de Comic Con Experience. Daí vem o nome do festival - há alguns anos, o organização optou por um reposicionamento de marca e passou a usar apenas a sigla. A primeira edição foi inspirada pela Comic-Con San Diego, evento que ocorre desde 1970 nos Estados Unidos e reúne fãs, astros e estúdios que revelam suas principais novidades.

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A ideia da CCXP era, para alguns, bastante audaciosa: propor esse mesmo DNA em um evento no Brasil. Mas não demorou muito para que o projeto fosse abraçado pelo público. “Crescemos muito mais rápido do que a gente sonhava no começo. A San Diego Comic Con existia há 50 anos e ficamos maiores que eles em três edições”, lembrou Pierre Mantovani, CEO e cofundador da Omelete Company, responsável pelo festival.

Em 2024, o evento americano atraiu 135 mil participantes, enquanto a CCXP24 levou cerca de 280 mil pessoas ao São Paulo Expo. Mantovani afirma que hoje o festival brasileiro tem grande credibilidade internacional e é visto por Hollywood como o melhor em termos de qualidade, por isso estrelas do cinema marcam presença no evento. Timothée Chalamet (Marty Supreme), Andy Muschietti (IT: Bem-Vindos a Derry) e Ella Purnell (Fallout) são algumas das atrações deste ano.

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CCXP atrai marcas diversas, estúdios internacionais e público de mais de 250 mil pessoas em 4 dias.  Foto: Taba Benedicto/ Estadão

E uma coisa alimenta a outra: o engajamento do público faz com os estúdios enviem seus astros aos País. Mais astros, mais público. Mais público, mais marcas interessadas em patrocinador e estar no festival. Neste ano, são 139 empresas parceiras, um recorde para o evento.

“Essas 12 edições nos fizeram ir amadurecendo e acompanhando o que o fã gosta. Na primeira edição da CCXP, a maior parte dos conteúdos que estavam eram de cinema. Hoje, parecemos a home do Apple TV+ ou do Prime Video: você tem um pouco de tudo. Você tem NBA, que é esporte, tem filmes, séries, quadrinhos. Sempre vamos estar conectados com o que o público está consumindo”, afirmou Mantovani.

O executivo tenta explicar de forma simples: se você tem vontade de visitar os parques da Disney, em Orlando, provavelmente também ia gostar de visitar a CCXP. É um espaço que reúne um pouco de tudo no mundo entretenimento e dá um “spoiler” de próximos grandes lançamentos por meio dos estantes e de painéis em palcos como o Thunder, que tem 4 mil lugares.

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Evento atrai fãs, famílias e dezenas de marcas

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Para muitos fãs, a CCXP é a oportunidade de ver um ídolo de perto. Mas também de estar em um ambiente onde esse amor é permitido e incentivado. A estudante Maria Fernanda Melo, de 24 anos, cruzou com a reportagem do Estadão quando aguardava na fila para o registro fotográfico com Collins, mas estava vestida como Keyleth, personagem do RPG Critical Role (que deu origem à animação The Legend of Vox Machina).

O cosplay também é uma das grandes atrações do evento, com uma área inteira dedicada a esses fãs. O termo une as palavras “costume” (fantasia) e “play” (jogar) e descreve o hobby de vestir e interpretar personagens da ficção - é mais do que uma fantasia, é a possibilidade de fazer parte daquele universo por um período de tempo.

Fãs fazem cosplayde de personagens da DC Comics na CCXP25 - Arlequina, Coringa e Batman. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

“O que me motiva é, principalmente, as pessoas. Conheci muitas pessoas maravilhosas no evento. Vim com um amigo que faz par romântico da minha personagem e conhecemos pessoas que fazem cosplay dessa história e de outras. Receber o carinho das pessoas também é muito legal. Gosto desses eventos por conta do cosplay. Você pode jogar a sua criatividade, seu carisma e sua imaginação em se trajar como um personagem”, disse Maria Fernanda.

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Era a segunda vez dela na CCXP. Dessa vez, comprou o Epic Pass, ingresso que dá acesso a todos os dias do evento e outros benefícios. “Quando falamos de cultura pop, falamos de algo que une pessoas que gostam de animes, jogos, RPG, fantasia, cosplay, tudo. Aqui temos tudo em um lugar só, com pessoas de outros países também”, completou.

O evento não atrai só jovens. Nos primeiros dias do festival, o Estadão cruzou com muitas famílias, até com bebês de colo. Na quarta, 3, quando a CCXP promoveu a Spoiler Night (uma espécie de pré-evento para convidados, imprensa e público do Epic Pass), a reportagem conversou com Mariana Leal, de 45 anos, que estava acompanhada do filho, Yuri, de 11 anos.

Visitantes da CCXP25: À esquerda, Maria Fernanda Melo, de 24 anos, e, à direta, Mariana Leal, de 45, com o filho, Yuri, de 11. Foto: Julia Queiroz/Estadão

Mariana andava com uma mala de rodinhas para carregar brindes e compras e Yuri estava vestido como o personagem Monkey D. Luffy, de One Piece, popular mangá, anime e mais recentemente série live-action. “É a minha quarta ou quinta vez aqui. Hoje venho muito por conta dele, mas eu gosto muito de filmes e séries, sou muito ligada nessas coisas”, explicou a educadora financeira.

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“Cresceu muito o tamanho dos estandes e das ativações. Chama muita a atenção e para as crianças é uma alegria”, disse ela. “É uma oportunidade de sair do cotidiano e entrar em um filme ou uma série que você gosta. Você acaba saindo da realidade e entrando um mundo totalmente diferente. Aqui, são muitos mundos colidindo.”

As ativações são algumas principais atrações da CCXP e são preparadas por estúdios e marcas para atrair os visitantes. No estante da Paramount+, que promovia séries como Yellowstone e Bob Esponja, a fila de espera podia chegar a uma hora. Também é possível agendar a visita, mas na Warner, por exemplo, o agendamento esgotou no início do dia. Eram quatro ativações e a espera podia chegar a 45 minutos, cada.

HBO recriou cenários da série It: Bem-Vindos a Derry na CCXP25. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

O estúdio divulgava alguns dos principais lançamentos para 2026: Mortal Kombat, A Noiva! e Supergirl - neste último, o estande oferecia atividades temáticas e interativas, além de exibir um traje original usado pela atriz Milly Alcock nas gravações do longa. Já na ativação do streaming HBO Max, os cenários da série It: Bem-Vindos a Derry ganharam vida, com atores que simulavam uma fuga do famoso palhaço Pennywise. Nas ativações, os brindes variam entre pôsteres, bottons, pins, entre outros, além da participação em concursos e promoções.

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Para quem vai visitar o evento, principalmente em apenas um dos dias, é importante saber o que mais se quer ver, para garantir que o seu tempo é usado da melhor forma. Algumas atrações são reveladas muito próximas ao evento, mas vale ficar de olho no site e no aplicativo da CCXP para programar a visita.

Expansão internacional

Pierre Mantovani, CEO da Omelete Company, explica sucesso da CCXP e expansão internacional

O maior festival de cultura pop do mundo reúne milhares de pessoas anualmente no São Paulo Expo, já realizou duas edições no México e agora vai à Coreia do Sul. Crédito: Julia Queiroz/Estadão

Em 2019, a CCXP fez sua primeira edição internacional, em Cologne, na Alemanha. Segundo Mantovani, a pandemia desacelerou a expansão (em 2020 e 2021, a CCXP ocorreu de forma virtual), mas também fez com que a organização repensasse o modelo com que levariam a feira para outros países.

“Tomamos a decisão de dominar a América Latina e fizemos uma edição no México. Estamos indo para 2026 para realizar nossa terceira edição, já sendo o maior evento do México do gênero também”, explicou. A segunda CCXP MX ocorreu em maio de 2024 no Centro Citibanamex, na Cidade do México, e reuniu 56 mil pessoas ao longo de três dias.

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Durante a CCXP25, Mantovani anunciou que a empresa fará uma edição na Coreia do Sul em 2027. Ao Estadão, ele revelou os bastidores da decisão: “Mais do que saber toda plataforma de conteúdo que os coreanos criaram, foi um requisito do que a gente perguntou pros estúdios de Hollywood. Falamos: ‘se vocês quisessem que a CCXP fosse pra um próximo país, qual seria?’ Eles falaram Coreia do Sul.”

As negociações duraram cerca de um ano e meio e foram concluídas neste ano. A CCXP Korea contará com áreas proprietárias já consagradas pelos fãs brasileiros, como o Palco Thunder, Palco Omelete, Artists’ Valley e Cosplay Universe. A ideia é criar uma via de mão dupla entre o conteúdo brasileiro e o conteúdo coreano, que já muito popular por aqui.

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