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‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ resgata um dos melhores aspectos de ‘Game of Thrones’

Série encerra sua primeira temporada na madrugada deste domingo para segunda-feira; leia crítica do ‘NYT’

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Por James Poniewozik (The New York Times)

Diga o que quiser sobre Game of Thrones, mas a série nunca fez nada pequeno. Seus dragões eram colossais, seus episódios longos e suas cenas de batalha, épicas. Seu legado continuou a crescer, com o prelúdio A Casa do Dragão expandindo sua narrativa maximalista.

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Por isso, o que mais desperta curiosidade no mais novo derivado, O Cavaleiro dos Sete Reinos, cuja primeira temporada se encerrou na madrugada deste domingo para segunda, é o quão pequena ela é. A série foca, em grande medida, em apenas uma linha narrativa. A maioria de seus episódios tem cerca de meia hora de duração porque, sim, pessoal, isso é — quase — uma comédia. (A HBO a chama de drama; meus olhos e ouvidos têm lá suas dúvidas). Suas apostas são relativamente insignificantes, pelo menos no início: não o destino dos Sete Reinos de Westeros, mas o resultado de um torneio provincial.

É uma versão “em doses homeopáticas” da franquia, e essa é a fonte de seus prazeres (pequenos, mas suficientes).

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Peter Claffey e Dexter sol Ansell como Duncan e Egg na série 'O Cavaleiro dos Sete Reinos' Foto: HBO/Divulgação

A maior coisa (literalmente) em O Cavaleiro... é seu protagonista. Sor Duncan, o Alto (Peter Claffey), conhecido como Dunk, é um “cavaleiro andante” — um guerreiro itinerante e sem terras que vaga pelo país em busca de glória (ou apenas trabalho). Logo no início, a trilha sonora familiar e empolgante de Game of Thrones cresce, pouco antes de vermos Dunk aliviando o intestino atrás de uma árvore. Silenciosamente, o crédito de título mais modesto da série surge na tela.

Essa cena irreverente nos diz que O Cavaleiro dos Sete Reinos é mais e menos do que parece. O mesmo vale para o próprio Dunk. Nós o conhecemos enquanto ele enterra o cavaleiro rude e bêbado (Danny Webb) a quem servia como escudeiro, e que pode ou não ter realmente nomeado Dunk cavaleiro antes de morrer. (“Qualquer cavaleiro pode sagrar um cavaleiro”, diz a regra, mas diante da necessidade e da falta de testemunhas, um cavaleiro também pode sagrar a si mesmo.)

Sem dinheiro, sem armadura e sem propósito, Dunk decide participar de um torneio de cavaleiros na esperança de conquistar renome, bem como o equipamento de um oponente melhor equipado. Em um estábulo pelo caminho, ele encontra Egg (Dexter Sol Ansell), um garoto franzino de cabeça raspada com um modo de falar estranhamente culto, uma inclinação sarcástica e o conhecimento de um superfã sobre os melhores espadachins da terra. Cavaleiros precisam de escudeiros e Dunk, que não está exatamente nadando em candidatos para o cargo, aceita-o relutantemente.

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Pause a série em qualquer momento e você estará inegavelmente no mundo de “fantasia suja” de Game of Thrones. Dê o play, e O Cavaleiro... é um desvio surpreendente. Tem um ritmo acelerado e uma gramática visual diferente, usando cenas de corte rápido, flashbacks copiosos e piadas com estrutura de “armação e soco”. Em um certo ponto, ouvimos jazz. O tom pode ser destoante, e as piadas não têm medo de apelar para o gosto popular. Mas a série também é surpreendente de uma maneira que a tonalmente fiel A Casa do Dragão raramente é.

Game of Thrones costumava ser engraçada às vezes, mas isso aqui é outra coisa. É... diversão? Você poderia pensar em O Cavaleiro... como o equivalente de fantasia das várias derivadas recentes de Star Trek — Picard, Lower Decks, Starfleet Academy — que adotaram abordagens mais leves ou mais focadas em uma franquia histórica.

Mas a obra vem de George R.R. Martin, o autor dos livros originais, que adaptou O Cavaleiro dos Sete Reinos junto com Ira Parker a partir de uma série de contos que ele escreveu. As conexões temáticas com Game of Thrones são claras, incluindo uma visão cínica do poder e da cavalaria e uma sensibilidade para a falta de glória em se buscar a glória.

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Peter Claffey em 'O Cavaleiro dos Sete Reinos' Foto: Divulgação - HBO MAx

Dunk e Egg chegam ao torneio, onde cavaleiros de todo o reino se reúnem, lutam sujo e contratam os serviços de prostitutas. (Algumas coisas em Westeros nunca mudam). O torneio é um pouco como uma mistura de Super Bowl com o tapete vermelho do Oscar; espectadores se reúnem para assistir aos competidores em justas e para fofocar sobre as intrigas de bastidores das celebridades feudais.

Há muito o que conversar. A série se passa um século antes de Game of Thrones, mas aqui há diferentes Baratheons, Targaryens e afins, envolvidos em políticas inter e intra-familiares nas horas vagas das lições de combate. A temporada de seis episódios não é especialmente densa em trama, mas estabelece uma narrativa seriada e esconde habilmente alguns segredos da história à vista de todos.

Os personagens coadjuvantes não têm muito tempo para se desenvolver profundamente, mas os destaques incluem Tom Vaughan-Lawlor como Plummer, o administrador cínico do torneio, e Bertie Carvel como Baelor Targaryen, uma das mentes mais sensatas na dinastia de novela que governa o reino.

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Mas O Cavaleiro... é, no fundo, uma história de dupla. Game of Thrones tinha um dom para encontrar atores mirins, e o elenco acertou em cheio com Ansell. Ele extrai a vulnerabilidade infantil por trás da insolência intelectual de Egg e tem um jeito único de entregar falas irônicas. (Ao ouvir uma canção de taberna obscena sobre uma jovem de três dedos, Egg a defende secamente como uma celebração de “uma garota azarada tirando o melhor proveito de seus dons naturais”).

E o ingênuo Dunk traz à série uma decência que é rara no universo de Thrones. Ele tem uma timidez, nascida de anos de privação e surras, que de alguma forma se torna sua vantagem: as pessoas não resistem a provocar o “grandalhão bobo”, mas costumam se encantar com sua inocência limitada.

Através dessa dupla, O Cavaleiro dos Sete Reinos resgata um aspecto delicioso de Game of Thrones: as conversas e os laços improváveis entre companheiros desajustados na estrada. (Imagine uma série inteira sobre Arya e o Cão de Caça). A produçãi não se equipara à escala da série da qual derivou. Mas é um olhar inteligente e focado nas pessoas comuns, mesmo que uma delas seja enorme.

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Este artigo apareceu originalmente no The New York Times.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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Opinião por James Poniewozik

Crítico de TV do 'New York Times'.

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