Repórter especial de economia em Brasília

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Captura de Maduro por Trump pode virar jogo de ganha-ganha para Lula

Se intervenção dos EUA der certo, tendência é de queda dos preços do petróleo, dólar e alimentos; se der errado, culpam-se Trump e o bolsonarismo

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Foto do autor Alvaro Gribel
Atualização:

Trump quer o petroleo venezuelano para controlar preço internacional do produto

EUA são hoje o maior produtor do mundo, e a Venezuela tem a maior reserva. Crédito: TV Estadão

A captura de Nicolas Maduro por Donald Trump dá a Lula um novo trunfo político. Pelo cenário que se desenha, Lula está num jogo de ganha-ganha: se a intervenção de Trump der errado, ele poderá invocar o discurso nacionalista e associar os americanos à direita bolsonarista tresloucada, como revelou a colunista Vera Rosa. E, se der certo, ele vai colher de forma indireta os benefícios econômicos de preços mais baixos de petróleo, dólar e inflação de alimentos.

Até aqui, Lula teve reações contidas, seguindo a mesma linha do tarifaço. Condenou a ação de Trump, como não poderia ser diferente, mas sem atacar diretamente o presidente americano. O presidente brasileiro, assim, continuou seguindo as orientações do Ministério de Relações Exteriores, e menos a visão de mundo do Partido dos Trabalhadores.

Até aqui, Lula teve reações contidas, seguindo a mesma linha do tarifaço Foto: Wilton Junior/Estadão

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Trump quer o petróleo venezuelano porque terá forte influência sobre os preços. Os americanos já são os maiores produtores e terão em mãos as maiores reservas, que são da Venezuela. Se houver estabilidade política no país, com a volta de investimentos massivos no setor, haverá aumento de produção e a possibilidade de os EUA atuarem com políticas contracíclicas, ou seja, aumentando ou cortando produção para controlar a cotação internacional do produto. Esse é um plano de longo prazo, mas que o mercado pode precificar a valor presente, e que aumentaria o cenário de sobreoferta do óleo.

Para a Petrobras, a invasão acende um sinal de alerta. Haverá mais competição por investimentos, e isso ajuda a entender a queda das ações na Bolsa. A empresa tem um cronograma agressivo de investimentos, e o preço do barril mais baixo pode afetar os seus planos. Essa concorrência também mostra que o Ibama fez bem em liberar a pesquisa na Margem Equatorial, porque a estatal brasileira agora corre contra o tempo, com o risco de ter a Venezuela como grande player e competidor internacional.

Se o petróleo ficar mais barato no mundo, a inflação americana cai imediatamente, porque lá o repasse é direto para as bombas, e o Fed poderá ter novos estímulos para cortar juros. Isso também vai enfraquecer o dólar, dois movimentos que ajudam o Brasil. O cenário contrário - de aumento de preços por conta da intervenção na Venezuela - é mais difícil de acontecer porque o país hoje é apenas o 20º maior produtor.

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Trump é um presidente perigoso e imprevisível, e os mercados têm dificuldade de precificar esse risco. Agora, há a ameaça contra a Groenlândia, e a ação na Venezuela aumenta o risco de a China fazer o mesmo com Taiwan. O Brasil, contudo, tem passado ileso.

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Opinião por Alvaro Gribel

Repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.