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Negociação entre Petrobras e Mubadala sobre refinaria de Mataripe aguarda eleição

Estatal apresentou nova proposta financeira, mas ainda não recebeu resposta

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A Refinaria de Mataripe foi vendida pela Petrobras em 2021 por US$ 1,65 bilhão Foto: Divulgação/Acelen

A negociação para a recompra da Refinaria de Mataripe pela Petrobras está parada há três meses, segundo fontes próximas ao assunto. A estatal apresentou uma nova proposta financeira ao fundo Mubadala, de Abu Dhabi, mas ainda não recebeu resposta. A incerteza em relação ao resultado das eleições presidenciais e a escalada dos preços do diesel levaram o fundo árabe a postergar uma decisão para depois do pleito, apurou a Coluna.

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O preço de Mataripe, segunda maior refinaria do País, com capacidade para processar até 323 mil barris de petróleo por dia, ou 14% do mercado, foi calculado em US$ 1,65 bilhão na época da venda (novembro de 2021), ou R$ 8,250 bilhões com o câmbio atual (R$ 5,03). Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), a refinaria foi subavaliada e vendida em uma época em que o mundo ainda se recuperava da pandemia da Covid-19, e o preço do petróleo estava em torno dos US$ 70 o barril. Hoje opera acima dos US$ 100 o barril.

A proposta da Petrobras supera um pouco o valor da venda, já que a estatal incluiu as melhorias que a Acelen, braço do Mubadala no Brasil, investiu na unidade de hidrotratamento de diesel (HDT), cerca de R$ 80 milhões, para aumentar a produção do combustível em 25%, o que já foi autorizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Proprietária resiste

Mesmo assim, ainda existe uma grande resistência do Mubadala à venda da unidade pelo preço proposto pela estatal, principalmente depois que o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, passou a liderar as pesquisas eleitorais. Em uma eventual vitória, a expectativa é de que a Petrobras volte a praticar preços de mercado, pondo fim ao que as refinarias privadas avaliam como concorrência desleal.

Mesmo antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, que elevou o preço do petróleo e dos combustíveis, principalmente do diesel, a estatal abandonou o preço de paridade de importação (PPI), adotando, em 2023, uma nova estratégia para os preços dos seus produtos.

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Preço do diesel pesa

Outro ponto para a demora da venda de Mataripe, de acordo com fontes próximas ao processo, seria o momento do preço do diesel. O combustível subiu quase 70% este ano, impulsionado pelos ataques a navios no Estreito de Ormuz e a refinarias, que restringiram a oferta. “Eles estão ganhando muito dinheiro com diesel, isso também atrapalha o desfecho”, explicou uma fonte.

Segundo estudo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), no final de setembro, o PPI do diesel, calculado pela ANP, registrou aumento acumulado de 12,8% em relação à última semana de agosto, chegando ao valor de R$ 6,71.

A Petrobras não realizou reajustes no preço de suas refinarias, mantendo o valor de R$ 3,33, o que resultou, ao final do período, em um diesel 50,4% mais barato do que a referência internacional. Já a Acelen (Refinaria de Mataripe) encerrou o mês com o preço de R$ 4,88, um aumento de 1,5% e uma diferença de 27,3% abaixo do PPI. A Ream (Refinaria de Manaus, do Grupo Atem) apresentou um aumento significativo, de 14%, registrando o valor de R$ 7,34 ao final do mês - um recorde histórico -, e a única a se manter em patamar superior em relação ao PPI, com uma diferença de 9,3%.

Oficialmente, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou em agosto que a companhia continuava negociando a recompra com o Mubadala, mas que a expansão do parque de refino da estatal vai acontecer “com ou sem Mataripe”. A Petrobras pretende tornar o Brasil autossuficiente em diesel nos próximos cinco anos, frente a um déficit atual entre 20% a 30%, dependendo da época do ano. O Brasil ficou 34 anos sem construir uma nova refinaria, jejum quebrado pela Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, que começou a operar em 2014, no governo de Dilma Rousseff.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 21/10/2026, às 11:17

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