Correios apresentam ao TCU plano de reestruturação e pedido de operação de crédito bilionária

Estatal pede empréstimo de R$ 20 bi a bancos públicos e privados, com garantia da União

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Foto do autor Flávia Said

5 pontos para entender a crise dos Correios

Como a estatal, que era lucrativa, agora precisa de um socorro de R$ 20 bilhões para fechar as contas. Crédito: Gustavo Côrtes

BRASÍLIA - Os Correios apresentaram ao Tribunal de Contas da União (TCU) o planejamento para a reestruturação da empresa estatal, que prevê, entre outras medidas, operação de crédito no valor de R$ 20 bilhões, a ser obtido com bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional - condicionada a medidas para sanear a gestão da estatal.

A reunião, ocorrida na semana passada, foi solicitada pelo presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, que está no cargo desde meados de setembro. O tema faz parte da Lista de Alto Risco do TCU e, por isso, tem recebido acompanhamento prioritário da Corte de contas, dada a gravidade e relevância do assunto.

Estatal pede empréstimo de R$ 20 bi a bancos públicos e privados, com garantia da Uniãobairros vizinhos. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO Foto: Fabio Motta/Estadão

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As unidades técnicas do TCU deverão acompanhar a execução do plano e a participação do governo federal na operação de crédito prevista, incluindo o eventual envolvimento de bancos públicos. “O objetivo é assegurar que as medidas adotadas estejam em conformidade com a legislação e que os recursos sejam aplicados de forma eficiente e transparente”, informou o tribunal.

Os Correios registraram prejuízo de R$ 4,37 bilhões nos dois primeiros trimestres de 2025, que se somam a resultados negativos que ocorreram desde 2022, mas que foram agravados na administração atual.

Maior crédito dos últimos 15 anos

O empréstimo buscado para a empresa estatal é maior do que qualquer outra garantia concedida pela União para estatais, Estados e municípios nos últimos 15 anos, como mostrou o Estadão.

De 2010 a 2025, o Tesouro foi avalista de 767 empréstimos internos (concedidos por instituições financeiras do Brasil) para Estados, municípios e estatais. Essas operações financiaram diferentes planos de investimentos e socorros financeiros.

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No mesmo período, foram 407 operações externas, ou seja, com instituições estrangeiras. Nenhum dos empréstimos chegou a R$ 20 bilhões. O Estadão/Broadcast levantou as informações com dados da Secretaria do Tesouro Nacional.

Além do empréstimo, o plano de reestruturação inclui a implementação de um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV), além da promessa de venda de imóveis da estatal que hoje estão ociosos e que geram custos de manutenção.

Uma das ideias em estudo, segundo apurou a reportagem, é os Correios fazerem sinergia com outras empresas de entrega do setor privado. Segundo integrantes do governo federal, os Correios poderiam reduzir operações em grandes centros, usando a estrutura do setor privado para essas entregas, como uma espécie de permuta, oferecendo, como compensação, a entrega de encomendas em áreas remotas do País, já que ela é obrigada a manter o serviço de universalização./Colaborou Alvaro Gribel

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