PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Entenda em vídeo e 7 gráficos o debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução de jornada de trabalho

Setores produtivos alertam para risco de demissões por encarecimento do custo do trabalho; pesquisador minimiza impacto, mas defende transição para pequenas empresas

PUBLICIDADE

Foto do autor Danielle Brant
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

BRASÍLIA - A discussão sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Congresso gerou reações de setores produtivos, que alertam para o risco de demissões por causa do encarecimento do custo trabalhista no Brasil.

Defensores da pauta, por outro lado, veem alarmismo na repercussão negativa e citam, ao contrário, a possibilidade de criação de empregos com a implementação da medida. O fim da escala 6x1 é bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que, nos últimos dias, moderou o discurso e adotou um tom pacificador sobre o tema.

Manifestantes protestam contra a escala 6x1 em julho de 2025, em São Paulo Foto: Taba Benedicto/ Estadão

PUBLICIDADE

A discussão ganhou ainda mais contorno de um “Fla-Flu” depois da publicação de um estudo do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, que compilou dados de 160 países. De acordo com o levantamento, os brasileiros em empregos formais e informais trabalham, em média, 40,1 horas por semana, ante uma média mundial de 42,7 horas.

O patamar é próximo ao da mudança defendida pelo governo Lula, de uma redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas semanais.

Nesta terça-feira, 10, em audiência pública realizada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que “o que cabe neste momento é a escala 5x2″ - cinco dias de trabalho para dois de descanso -, com redução para 40 horas semanais. Ele afirmou que a economia hoje suporta esse patamar, e não o de 36 horas.

Segundo estudo realizado pelo Ministério do Trabalho, dois terços (29,7 milhões) dos vínculos de trabalho CLT no País já operam no modelo 5x2.

Publicidade

Segundo a pasta, 35% das micro e pequenas empresas operam na escala 6x1, fatia similar à do setor agropecuário (35,4%). No caso das grandes empresas, 33,7% operam em 6x1.

O ministério apontou ainda alguns setores que considera críticos, com maior dependência da escala 6x1, como transporte aéreo (53,2%), serviços de alojamento (52%), serviços de alimentação (47,1%) e comércio (42,2%).

Além disso, a pasta estima um impacto estimado de 4,7% na massa geral de rendimentos do País - ou seja, o aumento do custo do trabalhador - com a redução para de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial

Publicidade

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que retrata o mercado formal, também indicam que a redução para 40 horas semanais seria mais factível no setor de serviços, onde a média é de 40,84 horas semanais. Comércio, Construção, Indústria e Agropecuária têm médias pouco acima de 44 horas semanais.

Um dos pontos abordados no estudo de Duque e que também é apontado como preocupação por setores empresariais é o impacto na produtividade brasileira. Ele argumenta que, conforme a produtividade aumenta e os salários médios crescem de forma sustentada, a população fica mais rica.

Proposta sobre o fim da escala 6x1 reacende debate sobre impactos e riscos econômicos

No ‘Chama o Nery’ desta semana, colunista fala sobre o pronunciamento de Lula e as divergências entre economistas e políticos defensores da nova escala.

A dúvida entre os economistas é se o País, que vê a sua produtividade estagnada há décadas, conseguirá transformar essa redução de horas trabalhadas, sem diminuição de salário, em mais valor produzido.

Publicidade

Estatística da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta a baixa produtividade do Brasil frente a outros países: US$ 21,2 por hora trabalhada. A Irlanda, que lidera o ranking, tem uma produtividade de US$ 164,7 por hora trabalhada.

O alerta sobre a produtividade também aparece em relatório preliminar sobre a proposta de emenda à Constituição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) elaborado por José Pastore, André Portela e Eduardo Pastore.

“Sem o aumento da produtividade ou a diminuição de outros componentes do custo do trabalho, alguns trabalhadores não mais valerão a pena para firma serem contratados”, escrevem os autores.

Publicidade

Os pesquisadores afirmam que muitas empresas terão de passar o aumento do custo do trabalho para o preço, o que geraria inflação, em um cenário, e aumento da automação, em outro, que incluiria demissões e elevação do desemprego - hoje na mínima histórica.

O impacto é relativizado pelo pesquisador Gedeão Locks, do Instituto Alemão de Economia. Ele reconhece que, no caso das pequenas empresas, seria preciso uma transição para que possam se adaptar. Mas, de uma maneira geral, seria uma redução de quatro horas como a estabelecida na Constituição de 1988, que fixou a jornada semanal em 44 horas, diz.

“Quando o Brasil fez isso em 1988, a gente vivia num momento de hiperinflação, troca de moeda e instabilidade política”, afirma.

“E isso contrasta bastante com o momento que a gente tá vivendo hoje. Desemprego baixo, inflação controlada, moeda estável e de alguma maneira estabilidade política também. Então, se o Brasil de 1988 conseguiu absorver esse tipo de mudança, é difícil a gente achar que o Brasil de hoje, com quase 40 anos de avanço tecnológico, de avanço em técnicas de gestão, não poderia absorver esse tipo de mudança.”

Vale ler também
Fabio Giambiagi
‘Tu, finish!’ Vamos torcer para que tenha sido a última vez de um Bolsonaro no 2º turno presidencial
Coluna da Broadcast
Cresce internacionalização de empresas brasileiras, diz executivo do Citi
Coluna da Broadcast
Paraguai avança como destino de expansão para empresas brasileiras, afirma Citi