5 pontos para entender a crise dos Correios
Como a estatal, que era lucrativa, agora precisa de um socorro de R$ 20 bilhões para fechar as contas. Crédito: Gustavo Côrtes
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BRASÍLIA - O rombo bilionário nas contas dos Correios deve tornar necessária uma mudança na meta fiscal das empresas estatais do ano que vem, segundo integrantes da equipe econômica. A avaliação é de que o prejuízo contabilizado pela estatal, que vive a maior crise da sua história, vai continuar pelo menos ao longo de 2026. Se o alvo for mantido, isso vai limitar o espaço para gastos do governo no ano eleitoral.
O debate sobre a mudança do alvo fiscal das empresas ainda não começou na Junta de Execução Orçamentária (JEO), que reúne os ministros da Casa Civil (Rui Costa), da Fazenda (Fernando Haddad) e do Planejamento (Simone Tebet). No entanto, técnicos da equipe econômica consideram certo que a discussão vai ter de acontecer, devido aos riscos para o Orçamento.

A meta das estatais é estabelecida no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). O texto de 2026, que ainda não foi aprovado pelo Congresso, prevê um prejuízo de R$ 6,752 bilhões para o conjunto das empresas em 2026 - o equivalente a 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB).
Quando o prejuízo é maior do que o estimado, o governo é obrigado a incorporar a diferença no resultado primário (aferido para a meta fiscal), o que pode levar a um contingenciamento, ou seja, congelamento de despesas.
Em novembro, por exemplo, a estimativa do governo para o déficit primário das empresas estatais em 2025 subiu de R$ 5,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões - acima da meta de R$ 6,2 bilhões, muito em função dos prejuízos contabilizados nos Correios.
Isso obrigou o governo a incorporar a diferença no Orçamento do ano, o que levou a um contingenciamento extra de R$ 3 bilhões.
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Como o PLDO de 2026 foi apresentado em abril - antes de o agravamento da crise nos Correios vir a público -, técnicos avaliam que o déficit das empresas está subestimado. Se nada for feito, o risco é que o governo tenha de alterar a sua previsão para as estatais radicalmente já no primeiro Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias de 2026, e determinar um contingenciamento grande de gastos.
Tudo isso ocorreria não só em meio às eleições presidenciais, mas no primeiro ano em que a meta de resultado primário do governo aponta para o positivo. O alvo do ano que vem é um superávit de 0,25% do PIB, ou o equivalente a R$ 34,260 bilhões, segundo o PLDO de 2026. O piso do alvo é de déficit zero, mesmo nível de resultado que foi o centro da meta em 2024 e 2025.
De janeiro a setembro deste ano, os Correios tiveram um prejuízo de R$ 6,05 bilhões, quase o triplo dos R$ 2,13 bilhões contabilizados no mesmo período de 2024.
A diretoria da empresa trabalha em um plano de recuperação, mas considera que os rombos nas contas devem permanecer ao longo do ano que vem.
No sábado, 29, o Conselho de Administração da estatal aprovou o programa de reestruturação da companhia, que prevê um empréstimo de R$ 20 bilhões, mas depende do aval do Tesouro Nacional para ser efetivado.





