A operação brasileira do mercado italiano de alimentos Eataly teve seu plano de recuperação judicial aprovado por credores em assembleia nesta terça-feira, 8. O plano prevê pagamentos com deságio de 95% e o funcionamento do grupo no modelo “dark kitchen”, sem atendimento presencial ao público. Além disso, segundo Odair de Moraes Júnior, sócio do Moraes Jr Advogados e representante do Eataly no processo, o nome do mercado será alterado para JK Foods.
Conforme o advogado, o plano determina que as classes III e IV, compostas por credores quirografários (sem garantia real) e micro e pequenas empresas, receberão os valores com desconto de 95% e pagamento em até 10 anos. No caso da classe IV, porém, o deságio só será aplicado para créditos maiores que R$ 5 mil.

“Apesar do desconto, os credores concordaram com a proposta e preferiram receber desta forma por acreditar na reestruturação do negócio”, disse Moraes Júnior. A ideia é que o mercado opere em cozinhas compartilhadas e atenda a pedidos feitos por aplicativos de entrega até que consiga se restabelecer num local físico novamente. Hoje, o grupo aluga um imóvel pertencente à Caoa Patrimonial, mas deve deixar o espaço em até 30 dias.
A mudança, conforme Moraes Júnior, se deve aos altos valores de aluguel cobrados pela Caoa. A credora — que votou contra a aprovação do plano de recuperação judicial na assembleia desta terça — chegou a pedir à Justiça de São Paulo que o Eataly fosse despejado do local, mas a ordem de despejo foi suspensa pelo juízo de segunda instância.
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Já a troca do nome ocorrerá por conta de uma decisão arbitral da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC). Após perder uma disputa contra a matriz italiana, a operação brasileira foi obrigada a retirar de sua loja todas as menções à marca, mas vinha tentando reverter a decisão. Durante a reestruturação, assumirá oficialmente o nome de JK Foods, em referência à localização na avenida Juscelino Kubitschek.
Um dos mais tradicionais mercados de produtos italianos, o Eataly foi concebido em Turim, na Itália, em 2007, com o conceito de inovar na distribuição de itens agrícolas típicos do país europeu. Hoje, está presente em ao menos dez países, em cidades como Paris, Chicago, Londres e Tóquio.
Em nota, o grupo brasileiro disse a assembleia de credores “da empresa que operava sob a marca Eataly” aprovou o plano de recuperação judicial. “A aprovação marca um passo decisivo no processo de reestruturação da companhia, permitindo sua transição para um novo modelo de negócios, mais enxuto e eficiente, com sede física ainda a ser definida. A nova fase será conduzida sob outra denominação, uma vez que, devido a um litígio em andamento, a empresa permanece impedida de utilizar a marca Eataly”, afirmou.



