Como está a procura do EAD após novas regras do MEC? Pesquisa mostra mudança de rumo

Uma em cada três instituições de ensino superior privadas registra queda na procura superior a 20% na modalidade; graduação presencial tem alta de matrículas

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Foto do autor Renata Cafardo
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Formação de professores EAD é obstáculo para garantir aprendizagem

Presidente-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz afirma que é preciso garantir formação presencial dos futuros docentes. Crédito: Estadão

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Pelo menos uma em cada três instituições privadas de ensino superior registrou queda maior que 20% na captação de novos alunos em cursos de educação a distância (EAD) no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são de uma pesquisa amostral feita pelo Instituto Semesp e indicam impactos das novas regras da modalidade, que proíbem cursos totalmente online em áreas como Pedagogia, Saúde e Engenharias. Essa é a primeira vez desde 2022, quando o levantamento começou a ser feito, que o índice indica redução.

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Nos últimos anos, o crescimento da modalidade foi exponencial, chegando a um aumento de 700% no número de cursos. Em 2025, pela primeira vez, o Brasil passou a ter mais estudantes em educação a distância do que em cursos presenciais de graduação. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), eram 5.189.391 alunos em EAD e 5.037.482 em ensino presencial.

Parte do setor de ensino superior defende o modelo como alternativa para cursos mais baratos - as mensalidades costumam ser abaixo de R$ 100 - e com potencial de atender a uma população que precisa conciliar trabalho e estudo ou que mora em regiões remotas. Por outro lado, as graduações EAD são alvo de questionamentos de especialistas diante da baixa qualidade, a estrutura precária para as classes remotas e do reduzido apoio ao aluno. A abertura de novos cursos foi facilitada pela flexibilização das regras no País em 2017.

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No ano passado, o novo marco regulatório de EAD, publicado pelo governo federal, criou a modalidade semi-presencial. Nela estão cursos como Pedagogia, Farmácia, Biomedicina, Fisioterapia, Educação Física e as Licenciaturas. A carga horária a distância permitida passou a ser de 50%.

No restante, pelo menos 30% devem ser presenciais e os outros 20% podem ser compostos por mais aulas presenciais ou por atividades síncronas mediadas, ou seja, remotas ao vivo, com interação com professor. Essas são justamente algumas das áreas que atraíam mais alunos na educação EAD.

Com a mudança de cenário, mais da metade (55,9%) das instituições privadas de ensino superior do País teve queda na captação de novos alunos em cursos de educação a distância (EAD) no primeiro trimestre deste ano, segundo a pesquisa Novos Ingressantes no Ensino Superior Brasileiro, do Instituto Semesp. Em média, a redução no número de ingressantes nessas instituições foi de 16,2%.

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Algumas áreas foram proibidas de terem cursos somente a distância. Foto: Adobe Stock

A presencialidade deixa o curso mais custoso para as instituições e para os alunos, e ainda exige tempo do estudante para frequentar a faculdade. Por isso, parte do setor acredita que a procura pela EAD no modelo atual tem reduzido.

Questionadas sobre os novos cursos semi-presenciais, 56% das instituições disseram à pesquisa do Semesp que a captação ficou abaixo ou muito abaixo do esperado. Elas também informaram que preço e desconto são o segundo principal fator para atrair novos alunos, atrás apenas da força da marca institucional.

Em junho, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou ainda uma mudança específica para os cursos de Licenciaturas. Passaram a precisar ter os 20% de aulas síncronas apenas os cursos com nota 1 e 2 no Enade. Já o restante pode ofertar 50% do curso presencialmente e 50% a distância. Segundo resultados da última avaliação, 60% dos cursos de Licenciatura a distância tiveram nota 1 e 2.

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