PUBLICIDADE

Professora é afastada por racismo, assédio eleitoral e falas sobre fascismo em SP: ‘Você ia morrer’

Episódio aconteceu em Potirendaba, no interior do Estado; defesa da acusada não foi localizada

PUBLICIDADE

Foto do autor Gonçalo Junior
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

A Prefeitura de Potirendaba, no interior de São Paulo, afastou na quarta-feira, 21, uma professora de uma escola municipal por comentários que associavam o regime fascista a uma eventual vitória do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições para a Presidência da República. A professora também proferiu falas discriminatórias e racistas em sala de aula. Seu nome não foi divulgado. O Estadão ainda tenta contato com sua defesa.

A Prefeitura de Potirendaba informou que “não tolera condutas que possam representar discriminação, intimidação ou constrangimento de estudantes”.

Uma câmera de segurança na sala de aula gravou as declarações da servidora em uma aula do 6º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Maestro Antonio Amato no dia 8 de outubro. A faixa etária dos estudantes é de 11 anos.

Publicidade

Professora é afastada após falas discriminatórias em sala de aula em Potirendaba, interior de São Paulo Foto: Prefeitura de Potirendaba

PUBLICIDADE

Segundo a professora, se um dos candidatos à Presidência vencer, o País vai “virar um fascismo”, referência à ideologia autoritária de extrema-direita liderada por Benito Mussolini e que surgiu na Itália após a Primeira Guerra Mundial. Em outros momentos, a professora também se refere ao nazismo, outra ideologia autoritária e de caráter racista e antissemita.

“Se o nazismo acontecesse hoje ou se algum governo com o qual a gente corre esse risco, né. A gente corre muito o risco de o País virar um fascismo”, disse a professora.

Em seguida, um dos alunos pergunta o que é fascismo, e a professora responde: “É extrema direita, que prega Deus, pátria e família”, diz a servidora. Na sequência, outro aluno indaga se é a mesma coisa que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) defende.

Publicidade

“Mesma coisa. É o que o Flávio Bolsonaro e o Bolsonaro querem fazer. Então, a gente corre o risco de entrar em uma era dessa, só de brancos e ricos”, comenta a professora.

A servidora diz aos alunos que poucos dos que estavam na sala de aula sobreviveriam nesse contexto. Apontando para cada um dos alunos, ela afirma quem sobreviveria. “Ia sobreviver pouca gente. Você ia morrer, pois você é parda (...) Ela não, ele não, pois é loirinho de olho claro”, comenta.

Ao ouvir o pronunciamento, uma criança ainda questiona: “Professora, então eu ia morrer, né?” A professora responde: “Claro que iria, você está lá com um pezinho na senzala”.

Publicidade

O episódio foi relatado pela mãe de um dos alunos à prefeita de Potirendaba, Gislaine Montanari Franzotti, conhecida como Gi Franzotti (PL), que divulgou o vídeo da conversa nas redes sociais.

A prefeita também informou que a aluna teria retornado para casa emocionalmente abalada e chorando por causa do conteúdo das declarações.

A prefeitura disse que a professora foi afastada e o caso, encaminhado ao Ministério Público do Trabalho e ao Juizado da Infância e Juventude. A identidade dos alunos será preservada.

Publicidade

A prefeitura afirmou ainda que “não tolera condutas que possam representar discriminação, intimidação ou constrangimento de estudantes” e “a escola deve ser um espaço de aprendizado, respeito, igualdade e segurança emocional — nunca de medo ou discriminação”.