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Tesouro contraria pressão pré-eleição e IPCA+ 2050 cai a 6,48%

Inflação abaixo do esperado ajuda a segurar as taxas, apesar de dólar, petróleo e Treasuries em alta a dois dias do segundo turno

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Foto do autor Igor Markevich
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Tesouro tem taxas estáveis ou menores após IPCA-15 surpreender para baixo, enquanto eleição, petróleo e Treasuries pressionam os juros futuros. Foto: Wilton Junior/Estadão e Daniel Teixeira/Estadão

Os títulos do Tesouro Direto hoje operam entre estabilidade e queda nesta sexta-feira (23), mesmo com a pressão observada nos juros futuros domésticos na reta final da eleição presidencial. O Tesouro IPCA+ 2050 recua de 6,51% para 6,48% ao ano acima da inflação, enquanto os prefixados também cedem.

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A fotografia do Tesouro contrasta com o restante da curva brasileira nesta manhã. Dólar e juros futuros avançam diante da cautela eleitoral, enquanto petróleo e rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida dos EUA) sobem no exterior. O Brent se aproxima de US$ 110 por barril em meio às tensões no Oriente Médio, adicionando pressão às expectativas de inflação global.

Um contraponto veio da inflação brasileira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) desacelerou de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro, abaixo até do piso das projeções do mercado, de 0,37%. Em 12 meses, o índice ficou em 4,62%, também abaixo da mediana esperada, de 4,74%.

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O dado mais benigno ajuda a aliviar uma das fontes de pressão sobre os títulos públicos, mas disputa espaço com um ambiente externo mais adverso e, principalmente, com a incerteza doméstica a apenas dois dias do segundo turno.

As últimas pesquisas reforçam um quadro apertado. O Datafolha divulgado na quinta-feira apontou 50% dos votos válidos para cada candidato, dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais. O instituto ouviu 2.520 eleitores em 154 municípios entre 20 e 22 de outubro.

Já o Vox Brasil mostra Lula (PT) numericamente à frente, com 50,6% dos votos válidos, ante 49,4% de Flávio Bolsonaro (PL), também em empate técnico considerando a margem de erro de 2,15 pontos porcentuais. O levantamento ouviu 2.100 eleitores entre 20 e 22 de outubro.

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A Real Time Big Data aponta Flávio com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. Os dois também estão tecnicamente empatados pela margem de erro de dois pontos porcentuais. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre 19 e 22 de outubro.

A sequência de levantamentos ajuda a manter elevada a sensibilidade dos ativos domésticos a qualquer mudança na percepção sobre o segundo turno. A própria Broadcast atribui a alta do dólar e dos juros futuros nesta manhã à cautela eleitoral, somada à piora do ambiente externo.

Na comparação com o fechamento de quinta-feira, o Tesouro Prefixado 2029 passa de 12,79% para 12,77% ao ano, queda de 0,02 ponto porcentual. O Prefixado 2032 recua de 12,96% para 12,90%, baixa de 0,06 ponto.

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Entre os títulos ligados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 permanece em 6,76% ao ano acima do IPCA, enquanto o IPCA+ 2040 segue em 6,58%. O IPCA+ 2050 é o destaque, com recuo de 6,51% para 6,48%, queda de 0,03 ponto porcentual.

No exterior, o petróleo e os juros americanos limitam um alívio mais amplo. Pela manhã, o Brent avançava 0,99%, a US$ 109,75 por barril. A T-note de dez anos subia para 4,979% e o T-bond de 30 anos, para 5,298%.

Para quem mantém o título até o vencimento, as oscilações diárias das taxas não alteram a rentabilidade contratada na compra. Uma venda antecipada, porém, fica sujeita à marcação a mercado, com possibilidade de ganho ou perda conforme a variação do preço dos papéis.

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