Energia ganha espaço enquanto Vale enfrenta cenário mais incerto, diz Ágora
Dalton Gardimam, vê petróleo como proteção para os portfólios em meio a tensões geopolíticas, demanda crescente por energia e subinvestimento na oferta.
A Vale reportou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 53% em relação a 2025. O Ebitda proforma caiu 20%, enquanto a receita líquida cresceu 2%, totalizando US$ 10,599 bilhões. A produção de minério de ferro recuou 6%, mas as vendas aumentaram 0,3%. O CEO Gustavo Pimenta destacou a flexibilidade do portfólio e estratégias de hedge como fatores de proteção. Investimentos somaram US$ 1,250 bilhão, e a dívida líquida foi de US$ 16,413 bilhões, com leve redução anual.
A Vale (VALE3) apresentou lucro líquido atribuível de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre deste ano, recuo de 53% ante igual período de 2025. Na comparação trimestral, a companhia teve lucro 9% menor.
O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) proforma ficou em US$ 3,508 bilhões, recuo de 20% ante igual período de 2025 e queda de 14% na comparação trimestral.
A receita líquida no terceiro trimestre de 2026 somou US$ 10,599 bilhões, avanço de 2% ante igual período de 2025 e de 1% na comparação trimestral.
O Fluxo de caixa livre das operações foi de US$ 2,230 bilhões, 9% abaixo do que foi registrado um ano antes. O mesmo indicador sob o ajuste “recorrente”, foi de US$ 1,373 bilhão, com queda anual de 12%.
Já o resultado financeiro positivo em US$ 138 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante resultado negativo de US$ 339 milhões em igual período do ano anterior.
O CEO da companhia, Gustavo Pimenta, afirmou que, em um ambiente de mercado dinâmico, a flexibilidade do portfólio da empresa, a estratégia de frete e o programa de hedge (estratégia para proteger o patrimônio contra riscos de oscilações de preços) contribuíram para proteger as margens e sustentar uma “sólida geração de fluxo de caixa”, compensando parcialmente o menor Ebitda Proforma (lucro operacional ajustado para simular o impacto de grandes mudanças estruturais).
Esse último indicador, que teve queda anual de 20%, teve desempenho menor principalmente devido à redução dos preços realizados de finos de minério de ferro e às pressões externas de custos, incluindo a apreciação do real e os maiores preços de bunker.
A mineradora realizou US$ 1,250 bilhão em investimentos no trimestre, cifra estável na comparação com o período correspondente de 2025.
A dívida líquida expandida do período somou é de US$ 16,413 bilhões, recuo de 1% na comparação anual e de 2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.
O custo dos produtos vendidos e serviços prestados somou US$ 7,940 bilhões, alta de 20% frente ao visto um ano antes e de 9% ante o segundo trimestre de 2026.
As despesas relacionadas a Brumadinho e à descaracterização de barragens somaram US$ 181 milhões, avanço de 503% ante igual trimestre de 2025 e de 79% na comparação trimestral. As provisões com Brumadinho ficaram em US$ 1,611 bilhão, recuo anual de 18% e trimestral de 9%.

Produção
A Vale informou que a produção de minério de ferro no terceiro trimestre foi de 88.354 milhões de toneladas, recuo de 6% ante o mesmo período de 2025. A produção de pelotas somou 8.554 milhões de toneladas, avanço de 12% na comparação anual, segundo a mineradora.
Já as vendas de minério de ferro no período somaram 86,285 milhões de toneladas, avanço de 0,3% ante igual período de 2025. As vendas de finos foram de 75,513 milhões de toneladas, avanço de 1% na comparação anual. As vendas de pelotas, por sua vez, somaram 8,720 milhões de toneladas, recuo de 1% na comparação anual.
O prêmio all-in (valor adicional cobrado ou pago sobre o preço da commodity) do minério de ferro foi de US$ 4,4 por tonelada, queda de 10% frente ao igual período de 2025.
O preço realizado de finos foi de US$ 85,1 por tonelada, recuo de 10% frente ao visto em igual período de 2025. Já o preço realizado de pelotas foi de US$ 134,3 por tonelada, alta de 2% na comparação anual.
Na comparação trimestral, o preço médio realizado de finos de minério de ferro foi US$ 9,5/t menor, refletindo, segundo a Vale, principalmente os menores preços de referência e ajustes temporários relacionados às vendas CFR (Custo e Frete).
O preço médio realizado das pelotas diminuiu US$ 2,2/t também na comparação trimestral, o que se deu pela queda nos preços de referência do minério de ferro e ajustes nos prêmios de mercado, de acordo com a companhia.
A produção de níquel somou 49,7 mil toneladas, avanço de 6% ante igual intervalo de 2025. Segundo a empresa, o indicador foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho do segundo forno de Onça Puma e pela maior produção trimestral da Refinaria de Sudbury desde o quarto trimestre de 2013.
As vendas somaram 49,8 mil toneladas, avanço de 16% na comparação anual. Já o preço realizado foi de US$ 16.898 por tonelada, avanço de 9% ante igual período de 2025.
Enquanto a produção de cobre somou 85,5 mil toneladas, recuo de 6% ante igual período de 2025. A companhia avalia que o resultado foi impulsionado principalmente pela reforma programada do moinho SAG em Sossego, parcialmente compensada pelo forte desempenho de Salobo.
As vendas somaram 86,3 mil toneladas, recuo de 4% na comparação anual, refletindo a menor produção no período.
*Com informações da Broadcast



