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A taxa do Tesouro IPCA+ 2050 voltou a bater um recorde histórico no mercado secundário nesta terça-feira, 28, quando encerrou a sessão a 7,7149%. É o que indica um levantamento feito pelo professor de finanças da Faculdade de Economia da USP, Raphael Paschoarelli, com base em dados da Anbima.
Já é o 11º recorde neste ano. Das 20 maiores taxas pagas pelo título, 15 foram registradas neste ano. Os recordes deste ano ficam acima das taxas de 2015, ano em que o país passava por um momento turbulento tanto na economia como na política com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Naquela época, a relação dívida sobre o PIB era de 66%. Hoje, atinge 80%.
O professor da FEA optou por realizar o levantamento com o título porque consegue comparar taxas pagas em um período de 10 anos ou mais.
Como esta é uma taxa de mercado secundário, ela não incide sobre o estoque da dívida emitida. Contudo, baseia o custo das novas emissões e do refinanciamento dos títulos que vencem. Não à toa, o Tesouro Nacional não vem mais emitindo os títulos e cancelou leilões recentemente.
Para se ter uma ideia do tamanho desta taxa, ela faz o capital dobrar em termos reais a cada 9 anos, aponta Paschoarelli. Como o título vence em 25 anos, o capital pode dobrar quase três vezes. Ou seja, se o país emitir títulos nesta taxa, no vencimento vai ter de pagar quase o triplo.
O mais provável é que o governo resolva emitir títulos de prazo mais curto, o que muda o perfil da dívida e a torna mais difícil de administrar.
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Oportunidade de investimento?
Não há dúvida de que o título está pagando um grande rendimento para o investidor. Contudo, Paschoarelli lembra que a taxa alta indica uma percepção de risco muito alta. “Se tivesse todo mundo comprando, a taxa seria bem menor. Tenho minhas duvidas se é oportunidade ou armadilha. Não sei se ela é condizente com o risco”, conclui.
Segundo o professor da FEA, só é uma ótima oportunidade se o governo pagar a dívida. “O Brasil sabe que tem de reduzir gastos e cortar despesas. Mas não faz: sempre propõe ajuste por meio de aumento de receita, via alta de impostos.”
