Tour do Paca é aberto para visitantes no Pacaembu pós-reforma
Estádio, sob concessão da Allegra, passa a receber visitas guiadas com apresentação histórica. Crédito: reportagem: Leonardo Catto, fotografia: Léo Souza / Estadão
O Estádio do Pacaembu atravessou a principal reforma de sua história. Ganhou outros prenomes e agora se chama Mercado Livre Arena Pacaembu. Uma nova etapa ocorre nesta terça-feira, dia 8, com a inauguração o Tour do Paca, o passeio para visitantes conhecerem os espaços, que, por mais modernos que sejam, evocam a nostalgia de um dos maiores palcos do futebol brasileiro.
O Tour do Paca começa nas cadeiras da torcida. Elas têm tons terrosos e variações de marrom que despertam nostalgia. A inspiração das cores são as rochas e o solo que ocupavam o terreno ainda antes da construção do estádio, no século passado.
Ao subir, o visitante se depara com uma réplica da Taça Libertadores. Foram quatro finais do torneio disputadas no Pacaembu. Duas delas tiveram vitórias de brasileiros: o tri do Santos, em 2011, e o inédito título do Corinthians, em 2012.

Ainda antes, em 2002, o São Caetano perdeu por 2 a 1 para o Olímpia e ficou com o vice nos pênaltis por 4 a 2. A primeira foi em 1961, entre Palmeiras e Peñarol. Os uruguaios foram campeões após um empate por 1 a 1.
Da arquibancada, o passeio vai para as tribunas de imprensa. As antigas cadeiras de torcedores foram adaptadas para os jornalistas que podem ocupar o espaço, também ampliado.
Logo acima, há um dos camarotes. O visitante conhece um dos mais luxuosos, que pertence à Allegra, concessionária do estádio. Lá, é exibido um vídeo sobre a história do espaço. São lembrados grandes nomes do futebol que passaram por lá, como Pelé. O Rei jogou 119 vezes no Pacaembu entre 1957 e 1969 e fez 115 gols.

O caminho segue para a sala de coletiva. Assim como com o troféu da Libertadores, o visitante pode tirar uma foto no local, como se fosse o entrevistado, e retirá-la impressa (por R$ 30) ao fim do passeio.
Os vestiários, próximo ponto do tour, ficavam no subsolo antigamente. O local foi escavado ainda mais para a criação de um espaço multiuso (Mercado Pago Hall), que pode receber shows, feiras e outras apresentações.
Agora, os vestiários ficam na mesma altura do campo. Camisetas de clubes brasileiros e seleções decoram o espaço durante o passeio, na intenção de que cada visitante busque o seu time com o olhar.

Dos vestiários para o campo, o caminho é feito como se fosse a entrada de um jogo. O túnel conduz o trajeto até o gramado, e os visitantes entram perfilados com dois times e vão até as casamatas.
Outro “extra” do passeio é o “Gol de Paca”. O visitante que quiser pisar no gramado poderá cobrar um pênalti valendo prêmios. É possível comprar ingresso apenas para esta parte, com desconto para quem fizer o tour.
O passeio tem curadoria e operação da Arena Experience, que também é responsável pelos tours de Allianz Parque e Arena MRV. Cada visita pode receber 40 pessoas e tem duração média de uma hora e meia, guiadas por monitores, com material em inglês e espanhol para atender o público internacional. A expectativa é receber 4 mil pessoas por mês.

“É uma viagem pela memória afetiva do futebol brasileiro. O local ajuda a contar a história da cidade de São Paulo, um dos maiores centros culturais e econômicos do mundo. A proposta é oferecer uma experiência profunda, informativa e divertida”, conta o diretor da Arena Experience, Álvaro Parisi.
Além da Taça Libertadores, os visitantes também poderão ter registros com o troféu da Copinha, que, neste ano, voltou a ter a final disputada no Pacaembu, como é tradição do torneio. Ainda será incluída uma versão da Jules Rimet, taça da Copa do Mundo de 1930 a 1970. Outro plano envolve edições especiais do tour, com a participação de ex-jogadores.

Pacaembu se apresenta como espaço vivo para debate e ideias
O tour enfatiza a presença da antiga concha acústica do Pacaembu, demolida em 1969. O espaço se transformou no Tobogã, arquibancada que aumentou a capacidade de público em jogos.
Após a concessão para a Allegra, houve a demolição da arquibancada, antecedida por polêmicas. Foi preciso de um entendimento judicial, após movimentações para a manutenção do Tobogã.
A Justiça, porém, definiu que a arquibancada não fazia parte da estrutura original do Pacaembu e, portanto, não integrava o patrimônio histórico tombado. Por isso, o Tobogã pôde ser demolido.
Haverá, no local, um edifício, com hotel e espaços comerciais. A estrutura ainda não foi finalizada pela concessionária Allegra. Após esse passo, cada empreendimento ficará responsável por sua obra. A previsão de inauguração do hotel é para 2026.

Quando o Pacaembu foi construído, na década de 1930, havia a intenção de apresentar uma estrutura moderna para a cidade de São Paulo. O ambiente reformado tenta manter a nostalgia e colocar o estádio no páreo contra as novas arenas.
As críticas atuais ao espaço e sua concessão evocam também ao passado, no sentido de o Pacaembu ser um espaço de manifestação de ideias, mesmo que contraditórias. Na inauguração do estádio, em 1940, por exemplo, os paulistanos aproveitaram o discurso do então presidente Getúlio Vargas para vaiá-lo, em manifestação contra o seu governo.
“O Pacaembu tem um papel cultural muito forte. A gente está trabalhando para que se fortaleça como ponto turístico. O tour é só o começo disso. A ideia é que o lugar respire cultura, respire arte, educação e lazer. O Pacaembu tem tudo isso. É um lugar muito vivo”, comenta o diretor da Arena Experience, Álvaro Parisi.
“O projeto vai além do futebol, é a celebração do patrimônio cultural e da paixão de uma cidade”, diz o CEO da Mercado Livre Arena Pacaembu, Eduardo Barella.
Tour do Paca
- Datas: todos os dias.
- Horários: 10h às 17h.
- Valores: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Às terças-feiras, há horários com visitas gratuitas, mediante inscrição.
- Onde comprar: no site.


