O mundo da bola e o futebol pelo mundo

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Palmeiras preferiu ganhar mais dinheiro há 58 anos contra o Estudiantes e perdeu um título

Palmeiras x Estudiantes repetirão a finalíssima de 1968, quando os pincharratas ganharam. No mesmo Centenário em que a direção palmeirense então preferiu ganhar mais dinheiro a vencer o título.

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Foto do autor Mauro  Beting

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Em nova fase da Libra, Luiz Eduardo Baptista diz que o clube vai discutir ‘absolutamente tudo’ do contrato com a emissora. Crédito: Jefferson Perleberg (Edição)

“Pênalti é uma coisa tão importante que quem devia bater é o presidente do clube”. O futebólogo Neném Prancha acertou mais do que Muslera a definição clássica a respeito da penalidade máxima para quem perde um. Como mal sabe Roberto Baggio, batedor de pênalti com melhor média no futebol italiano. Mas que a gente lembra o isolando no nosso tetra.

Como a busca do penta do Flamengo foi interrompida pelo inefável Muslera, do também tetra Estudiantes. Goleiro que foi acionado em 180 minutos de pouca bola do Flamengo apenas aos 140. O Vasco também era favorito contra o Boca. Também parecia ser nos pênaltis (que vencera nas últimas sete disputas por méritos de Léo Jardim). O goleiro que falhou feio e nem aos tiros da marca penal levou o Vasco.

Muslera pega pênalti de Jorginho no Maracanã Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo

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Pênaltis são esses calvários eternos, ainda mais perenes e perrengues para quem os cobra em disputas. São 43 metros percorridos pelos cobradores do meio-campo até a marca penal. Único momento em que o goleiro fica maior do que Carlos Miguel na meta.

Pênaltis que levaram o Palmeiras à oitava final de Libertadores. Mesmo não tendo sido melhor do que o Fluminense. Mas melhor do que o decepcionante Flamengo. Não apenas nos pênaltis perdidos por quem bate muito bem como Jorginho, por quem dança bem como Paquetá, e por quem decide muito bem como Bruno Henrique.

Futebol é mesmo fábrica de maluco. Parece até política brasileira. Imagine se os presidenciáveis batessem pelos seus clubes? Lula bateria de esquerda e não faria pior do que Memphis contra o mesmo Muslera. Flavio chutaria de direita pelo Vasco, e o que aconteceria com aquela batida?

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Só não pode não bater na cara do gol. Como não dá para não decidir na boca da urna e depois reclamar até a próxima disputa. Se ela houver!

Palmeiras x Estudiantes repetirão a finalíssima de 1968, quando os pincharratas ganharam. No mesmo Centenário em que a direção palmeirense então preferiu ganhar mais dinheiro a vencer o título. O jogo seria em Santiago. Mas a promessa de mais grana fez o Palmeiras aceitar o terceiro jogo decisivo do outro lado do rio da Prata para a torcida de La Plata. A plata pesou mais. E o Palmeiras também levou chumbo por jogar com quase toda a torcida contrária. Quase como seria nos ótimos ventos de Montevidéu, em 2021.

Se a história vai se repetir como festa neste século ou como farsa há 58 anos, aí só saberemos em novembro. De coração, que nada dos ecos e ventos de 1968 voltem em qualquer campo. É a minha torcida, e meu mais sincero voto.

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Opinião por Mauro Beting

Comentarista SBT, TNT, Xsports, N Sports e BandNews FM. Escritor e documentarista. Curador do Museu Pelé e do Museu da Seleção Brasileira.

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