Se você for saudosista e tiver saudade da época em que estádio não mudava de nome — Maracanã, Morumbi e por aí vai —, deve ser incômodo saber que vários deles estão mudando de novo os tais naming rights. O Allianz Parque virou Nubank Parque ainda este ano; o MorumBis tem contrato no fim e talvez troque para outra marca; e a Neo Química Arena está sendo empurrada por cartolas para a Caixa.
Dizem que o nome do estádio do Palmeiras hoje rende R$ 50 milhões por ano, o dobro do que pagava a Allianz. Dizem, mas eu não acredito, por ter ouvido de gente próxima ao Nubank Parque que o valor está errado. Tanto faz. Interessa a esse artigo que a quantia, correta ou não, faz com que o povo critique os rivais.

O contrato do Corinthians com a Hypera Pharma começou em 2020 com um valor-base de R$ 15 milhões por ano — reajustado pela inflação, hoje o repasse efetivo é maior. Já o acordo do São Paulo com a Mondelez é de R$ 25 milhões por ano, só que num período mais curto, de apenas três temporadas. Ambos são pressionados a arrecadar mais, afinal o Palmeiras supostamente gera o dobro.
Existem pelo menos dois problemas na expectativa que se cria sobre o nome. O primeiro é que o mercado esportivo brasileiro está diante de um iminente e inevitável declínio dos valores que vinham sendo praticados. O governo baniu as bets; nenhum setor as acompanhava na gastança, e agora nenhum deles tem motivo para sequer cogitar um patrocínio acima do valor de mercado.
Segundo, contrato que envolve o batismo de alguém não é tão simples quanto parece. Seja um estádio, uma competição ou qualquer outra coisa no esporte, os naming rights são a cereja de um bolo cheio de outras contrapartidas comerciais. Não se pode achar que um valor está alto ou baixo só por causa do paralelo com números dos adversários, pois não se sabe o que faz parte de cada contrato.
O risco de discutir sem fundamento esse tipo de patrocínio é que se faz pressão do jeito errado. No São Paulo, o dirigente é estimulado a fechar um contrato menor e mentir o valor para a imprensa, que repassa a mentira para a torcida. Aconteceu inúmeras vezes na última década e meia. No Corinthians é ainda pior, porque lá os dirigentes querem se livrar de uma dívida pública com base nessa troca de nome.
“Torcedores, calma”, já dizia o poeta que opera o telão de São Januário. Antes de formar a opinião de que contratos estão altos ou baixos, leve em consideração que esse mercado é mais complexo do que parece. Quando os números ditos por aí descolam da prática, a consequência tende a ser ruim para todo mundo.



