Áudio atribuído a Moraes com ameaças a Alcolumbre e Motta é falso

Gravação tem fala e pausas pouco naturais, características presentes em conteúdos gerados pela tecnologia; STF e presidente do Senado negaram veracidade do material

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Foto do autor Gabriel Belic

O que estão compartilhando: um áudio com ameaças ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), gravado por uma voz similar à do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ele diz que tem processos contra o senador que podem ser liberados caso ele ceda à pressão por uma anista para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. A gravação tem características de inteligência artificial (IA) e informações incorretas. À reportagem, o STF e Alcolumbre desmentiram a autenticidade do áudio.

Leitores solicitaram checagem deste conteúdo por meio do WhatsApp do Verifica, (11) 97683-7490.

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Áudio atribuído a Moraes com ameaças a Alcolumbre e Motta tem indícios de IA Foto: Reprodução/Instagram

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Saiba mais: em um vídeo publicado no Instagram, um homem questiona por qual motivo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), “não querem” pautar o projeto que concede anistia aos envolvidos nos atos golpistas do 8 de Janeiro e o impeachment de Alexandre de Moraes. Em sequência, ele reproduz um áudio com uma voz similar a do magistrado e pede que os usuários tirem “suas conclusões”.

Veja a transcrição do áudio:

“Senador, não vou precisar lembrar dos processos contra e a favor de você aqui em meu gabinete. Tem aquelas causas milionárias das suas falcatruas e os que querem ver você preso. Só para lembrar, caso você ceda à pressão dos bolsonaristas, nem a anistia e nem o impeachment, você escolhe. A decisão é sua. O [Hugo] Motta também já foi avisado, já autorizei uma visitinha da Polícia Federal (PF) na casa do pai dele esse ano, só para lembrar ele também. Abraços”.

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Ao Verifica, a Suprema Corte afirmou que a voz do áudio não pertence a Moraes. A assessoria do presidente do Senado também negou a autenticidade do conteúdo, o qual chamou de “totalmente fake”.

O áudio tem outros indícios de falsidade, como características de IA. A fala é sintética e robótica, com pausas pouco naturais – sinais encontrados em conteúdos gerados pela tecnologia.

Outro sinal de falsificação são as informações incorretas ditas no conteúdo. A voz que imita Moraes diz que teria mandado a PF fazer uma “visitinha” ao pai de Hugo Motta. Trata-se de uma referência à Operação Outside, que mira suspeitas de fraude, superfaturamento e desvio de recursos federais destinados a obras em Patos, na Paraíba.

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Ao contrário do que diz o conteúdo, a operação não foi deflagrada pelo STF. A investigação foi iniciada por três órgãos diferentes: Ministério Público Federal (MPF), PF e Controladoria-Geral da União (CGU).

O prefeito do município é Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta. Como explicou o Estadão, o contrato investigado é anterior à administração de Wanderley, apesar de ter sido executado durante sua gestão.

Em abril deste ano, durante a segunda fase da investigação, a Prefeitura de Patos afirmou, em nota, que “não foi alvo da referida operação”. O MPF informou que a nova fase seria focada em apurar elementos que indicavam “suposta atuação ilícita de uma servidora da Prefeitura Municipal de Patos”.

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Procurado, o responsável pela autoria da postagem questionou “onde foi dito que a mensagem era do ministro” e “qual referência foi dada”. Apesar de não ter citado o nome de Moraes na postagem, comentários demonstram que usuários associaram o áudio ao magistrado.

“Rapaz, porque (sic) esse cara com tudo isso ainda está no STF?“, escreveu um usuário. ”XANDÃO PARA O ALCOLUMBRE", afirmou outro.

Conteúdo similar foi desmentido também pelas agências de checagem UOL Confere, Aos Fatos e Boatos.org.

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Como lidar com postagens do tipo: tenha cautela com postagens que aparentam mostrar um “escândalo” que não foi noticiado por fontes confiáveis. No caso aqui verificado, a ausência de notícias sobre o áudio atribuído a Moraes chama a atenção para a falsidade do conteúdo. Nenhum veículo de imprensa divulgou a suposta ameaça do magistrado ao presidente do Senado – material que, se comprovado, teria repercutido com destaque em jornais locais e nacionais.