Trump diz que ‘ninguém pode defender a Groenlândia como os EUA’
Apesar disso, Trump disse que não fará o que muitos líderes mundiais temem: usar a força para obter a Groenlândia. Crédito: AP/YouTube
Gerando resumo
O governo da Groenlândia pediu que a população estocasse suprimentos suficientes para cinco dias em caso de uma crise. O anúncio ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificar suas declarações sobre assumir o controle do território, embora o governo da Groenlândia não tenha mencionado essas declarações no pedido.
A orientação veio em um folheto publicado pela primeira vez nesta quarta-feira, 21. O objetivo, segundo a Groenlândia, era “fortalecer a segurança da população e garantir que a preparação geral da sociedade seja ainda maior”. O governo ainda afirmou que o motivo do pedido foram os recentes cortes de energia.
A lista oficial das autoridades inclui o armazenamento de 3 litros de água por pessoa por dia, alimentos para cinco dias, armas de caça, munição, medicamentos, kit de primeiros socorros, itens de higiene, cobertores, fontes alternativas de calor, baterias, cartões de pagamento físicos, rádio de carro, entre outros.

Na terça-feira, 20, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que uma invasão americana é improvável, mas não pode ser descartada. Ele também apelou à população de cerca de 50 mil pessoas do território que pertence à Dinamarca que se prepare para esse cenário.
O Pentágono não tem planos prontos para uma possível tomada militar da Groenlândia, disseram duas fontes do Departamento de Defesa. Eles falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos operacionais.
Quando questionado em uma entrevista à NBC na segunda-feira se usaria a força para tomar a Groenlândia, Trump não descartou a possibilidade.
Embora os funcionários do Pentágono preparem-se para todos os tipos de contingências militares, eles ainda não receberam ordens para planejar uma invasão da Groenlândia ou as consequências de tal operação, disseram os funcionários.
Dinamarca enviará mais soldados para o território
As Forças Armadas da Dinamarca divulgaram imagens de suas tropas chegando à Groenlândia na segunda-feira para participar de um exercício de treinamento da Otan chamado Operação Arctic Endurance.
O país declarou ter um “desacordo fundamental” com os Estados Unidos sobre a Groenlândia e insistiu que não venderá nem cederá o território. A Dinamarca enviou um contingente de cerca de 100 soldados para o oeste da Groenlândia na segunda-feira, juntamente com o chefe do exército, Peter Boysen, segundo a emissora pública do país.
O exercício continuava em “desenvolvimento”, informou o exército dinamarquês em um comunicado à imprensa na terça-feira, após o que descreveu como “visitas iniciais de planejamento” na semana passada.
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Alguns dos soldados dinamarqueses adicionados pareciam ser de um batalhão especializado em medidas defensivas, como a construção de fortificações e obstáculos, de acordo com a emissora dinamarquesa.
As Forças Armadas da Dinamarca também afirmaram na terça-feira que seu exército poderia, pela primeira vez, “operar em toda a Groenlândia, incluindo terrenos de alta montanha”, que está entre os ambientes mais inóspitos do mundo.
Trump quer mesmo anexar a Groenlândia aos EUA?
Não faltam motivos para os EUA se interessarem pela Groenlândia. O problema é que a população local e o governo da Dinamarca não estão abertos à negociação.
Entenda a crise da Groenlândia
As ameaças do presidente americano, Donald Trump, de anexar a Groenlândia cresceram nos últimos dias, depois que países europeus enviaram pequenos grupos de soldados à ilha para reforçar sua segurança.
Ele também vazou conversas particulares com líderes europeus nas redes sociais, o que irritou as principais autoridades europeias.
Trump diz que precisa anexar a Groenlândia por questões de segurança que envolvem conter a influência russa e chinesa no Ártico.
Os EUA mantêm desde a 2ª Guerra uma presença militar na ilha e ainda operam a base de Pituffik. Um tratado de 1951 com a Dinamarca prevê que as bases desmobilizadas podem ser reativadas se a Casa Branca assim preferir. /The New York Times



