Trump diz que acordo de paz com o Irã será assinado domingo e que estreito de Hormuz será reaberto

Em uma publicação na rede social Truth Social, o presidente americano afirmou que Washington irá destruir o urânio enriquecido iraniano ‘quando tudo estiver mais calmo’

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Por Redação
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Como a guerra no Irã está espalhando caos no mundo?

Aumento nos preços dos combustíveis e energia por causa do fechamento do Estreito de Ormuz tem provocado protestos e tumultos em muitos países. Crédito: Carolina Marins (roteiro), Ariel Liborio (edição), Vitória Schmitz (produção) e Felipe Pedro (fotografia)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na Truth Social que o acordo de paz com o Irã será assinado neste domingo, 14, e que, imediatamente após a assinatura, o estreito de Hormuz será reaberto.

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Trump apontou que o relacionamento entre Washington e Teerã é muito melhor do que foi em governos anteriores. Ele classificou o Plano de Ação Conjunto Abrangente (JCPOA na sigla em inglês), e outros acordos assinados em 2015 por Barack Obama, como “um caminho fácil, bonito e suave para uma arma nuclear”.

Na publicação, o presidente americano afirma que o acordo dele é totalmente diferente do que foi feito anteriormente, dizendo que a decisão será “um muro para nenhuma arma nuclear”, e que em outro momento os Estados Unidos devem voltar para “pegar o pó nuclear”.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de uma reunião na Casa Branca, em Washington Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP

“No momento apropriado, quando tudo estiver calmo, entraremos e removeremos a poeira nuclear, enterrada profundamente sob as poderosas montanhas de granito submersas, graças aos nossos belos bombardeiros B-2 e seus brilhantes pilotos, e a destruiremos, seja no Irã ou nos Estados Unidos”, disse Trump.

Trump disse estar ansioso para trabalhar com o Irã e todo o Oriente Médio, por muito tempo no futuro, e que espera que este processo funcione rapidamente e sem mais problemas.“Se não funcionar, temos a alternativa final, que esperamos nunca mais ter que usar”.

Mais cedo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, adiantou que EUA e Irã tinham chegado a um entendimento sobre a redação de um acordo destinado a encerrar a guerra no Oriente Médio. Em seguida, Trump repostou a mensagem do governo paquistanês no seu perfil da rede Truth Social.

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Segundo Sharif, a conclusão do tratado pode ocorrer nas próximas 24 horas. O primeiro-ministro afirmou que os dois países já concordaram com um “texto final e consensual”, enquanto mediadores trabalham nos últimos ajustes para formalizar o acordo.

“Estamos mais perto do que nunca de um acordo de paz. Com a conclusão provável nas próximas 24 horas, o Paquistão se prepara para a assinatura eletrônica do acordo imediatamente depois, seguida de conversas técnicas na próxima semana”, escreveu o premiê na rede social X.

Ataques aéreos israelenses destruíram edificações na região de Tiro, no sul do Líbano, em 8 de junho.  Foto: Kawnat Haju/AFP

Apesar do entusiasmo, o ministério das Relações Exteriores do Irã apontou que o acordo com os EUA não seria assinado no domingo, segundo a mídia estatal. A Guarda Revolucionária do Irã também negou o anúncio e apontou que o “acordo ainda não foi finalizado”.

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Avanço

O Paquistão assumiu papel central nos esforços de mediação e, segundo Sharif, segue em contato com as duas partes para definir os próximos passos das negociações. “A paz nunca esteve tão próxima como está agora”, reforçou.

O aparente avanço diplomático ocorre após três dias de confrontos entre Irã, Estados Unidos e Israel nesta semana, o que reacendeu temores de uma escalada do conflito no Oriente Médio.

Na sexta-feira, 12, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já havia afirmado que um acordo “nunca esteve tão próximo”, em publicação nas redes sociais. A mensagem foi compartilhada por Trump, que nas últimas semanas tem reiterado que as negociações caminham para um desfecho.

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A guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro provocou instabilidade em toda a região e afetou os embarques de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico. Um cessar-fogo está em vigor desde 7 de abril.

Programa nuclear será discutido após acordo

Em entrevista à TV estatal iraniana na sexta, Araghchi afirmou que as partes trabalham para firmar um acordo inicial que declare o fim da guerra “em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

Israel combate o Hezbollah, grupo aliado de Teerã, no Líbano desde o início de março. Embora não participe diretamente das negociações entre Estados Unidos e Irã, o governo israelense afirma que não pretende retirar suas tropas do território libanês.

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Segundo Araghchi, as definições sobre o programa nuclear iraniano ficariam para uma etapa posterior, com prazo de até 60 dias após a assinatura do acordo inicial. Ele acrescentou que esse período poderá ser prorrogado por consenso entre as partes.

O programa nuclear do Irã permanece como um dos principais pontos de divergência nas negociações. Estados Unidos e Israel afirmam que o programa pode abrir caminho para o desenvolvimento de armas nucleares, enquanto Teerã sustenta que suas atividades têm fins exclusivamente pacíficos.

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Especialistas ouvidos pelo Estadão explicam que o uso potencializado da IA gera uma instabilidade informacional sem precedentes no cenário geopolítico moderno. Crédito: Imagens de apoio: AFP/Edição: Laís Nagayama

Também na sexta, um alto funcionário do governo americano afirmou, sob condição de anonimato, que o acordo em discussão prevê o início do processo de destruição ou retirada do urânio altamente enriquecido armazenado pelo Irã.

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De acordo com ele, o período de 60 dias após a assinatura do acordo serviria justamente para definir os detalhes técnicos dessa operação. O representante não informou quem seria responsável pela remoção do material, que, segundo estimativas, está armazenado em instalações nucleares subterrâneas alvo de ataques dos Estados Unidos no ano passado.

Estreito de Ormuz

Outro tema sensível nas negociações é a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural. O fechamento da passagem pelo Irã afetou o abastecimento de energia, pressionou os preços dos combustíveis e teve reflexos sobre o custo de alimentos e outros produtos em diferentes partes do mundo.

Segundo um integrante do governo americano, o acordo em discussão prevê medidas para restabelecer o tráfego marítimo na região. Araghchi afirmou que o Irã defende um entendimento que permita ao país cobrar dos navios pelos serviços prestados durante a travessia do estreito.

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Durante a guerra, Teerã implementou um sistema de pedágio que, segundo os Estados Unidos e outros países, viola o direito internacional. “Haverá custos envolvidos”, disse Araghchi. “E esses custos devem ser pagos.”

Reuniões

Trump deve participar de reuniões com líderes do Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos durante o encontro da cúpula do G-7 na França, segundo um alto funcionário americano, que conversou com jornalistas sob condição de anonimato, seguindo as regras da Casa Branca. O encontro deve discutir o acordo de paz entre Washington e Teerã.

O presidente americano deve participar de outras reuniões na cúpula envolvendo o tema. Reino Unido e França manifestaram interesse em auxiliar na retirada de minas da passagem pelo estreito de Ormuz assim que o conflito terminar. O oficial da Casa Branca afirmou que ambos os países possuem navios militares no mar que poderiam participar dessa tarefa.

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Sobre isso, o presidente da França, Emmanuel Macron, em publicação no X, afirmou que a vai se reunir na segunda-feira em videoconferência com líderes da China, Índia, Brasil, Coreia e com dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Ao construir economias mais equilibradas, criaremos as condições para um crescimento sustentável, estável e compartilhado”, disse Macron./Com informações da AP, da AFP e do Broadcast (Daniel Tozzi)

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