Como Trump decidiu atacar o Irã? Os vaivéns, confusão e desorientação nos bastidores da operação

As artimanhas políticas e militares durante os dias que antecederam a decisão do presidente americano Donald Trump de se juntar a Israel nos ataques ao Irã

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Por Mark Mazzetti (The New York Times), Jonathan Swan (The New York Times), Maggie Haberman (The New York Times), e Helene Cooper (The New York Times)
Atualização:

Trump entra na guerra e EUA atacam três instalações nucleares no Irã

Presidente diz que operação atingiu centros em Natanz, Isfahan e Fordow, a principal instalação do programa nuclear iraniano.

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

Na tarde de quinta-feira, em pé no púlpito da sala de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, leu uma mensagem que, segundo ela, veio “diretamente do presidente”.

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Devido à “possibilidade substancial de negociações” com o Irã que poderiam tirar os Estados Unidos da beira de entrar na guerra no Oriente Médio, o presidente Trump tomaria uma decisão sobre atacar ou não o Irã “nas próximas duas semanas”.

Trump estava sob pressão da ala não intervencionista do partido Republicano para ficar fora do conflito e almoçara naquele dia com um dos oponentes mais declarados de uma campanha de bombardeios, Stephen K. Bannon, alimentando especulações de que ele poderia adiar a decisão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sorri ao lado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em Washington Foto: Susan Walsh/AP

Era um engano completo. Trump já havia praticamente decidido bombardear as instalações nucleares do Irã, e os preparativos militares para o complexo ataque estavam bem avançados. Menos de 30 horas depois que Leavitt transmitiu sua declaração, Trump daria a ordem para um ataque que colocou os Estados Unidos no meio do mais recente conflito a eclodir em uma das regiões mais voláteis do mundo.

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A declaração de “duas semanas” de Trump foi apenas um dos muitos aspectos de um esforço mais amplo de desorientação política e militar que ocorreu durante oito dias caóticos, desde os primeiros ataques israelenses contra o Irã até o momento em que uma frota de bombardeiros B-2 decolou do Missouri para os primeiros ataques militares americanos dentro do Irã desde a revolução teocrática daquele país em 1979.

Entrevistas com funcionários do governo, aliados e assessores de Trump, funcionários do Pentágono e outras pessoas familiarizadas com os eventos mostram como, durante esse período, diferentes facções dos aliados de Trump se engalfinharam para conquistar um presidente indeciso sobre escolher a guerra, a diplomacia ou alguma combinação das duas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de uma coletiva de imprensa em Bruxelas, Bélgica  Foto: Markus Schreiber/AP

Pessoas de fora deste círculo fechado tentavam adivinhar qual facção estava em ascensão baseando-se nas informações de com quem Trump se reunia em determinado momento. Trump parecia quase alegre ao dizer aos repórteres que poderia tomar uma decisão “um segundo antes do prazo, porque as coisas mudam, especialmente com a guerra”.

Enquanto isso, Trump fazia declarações bombásticas indicando que estava prestes a levar o país ao conflito. “Todos devem sair de Teerã!”, escreveu ele na segunda-feira da semana passada no Truth Social, a plataforma de mídia social de sua propriedade. No dia seguinte, ele postou que não havia deixado uma reunião do Grupo dos 7 no Canadá para negociar um cessar-fogo no Oriente Médio, mas por algo “muito maior”.

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Essas declarações públicas geraram ansiedade no Pentágono e no Comando Central dos EUA, onde os planejadores militares começaram a se preocupar que Trump estivesse dando ao Irã muitos avisos sobre um ataque iminente.

Eles criaram seu próprio engodo no plano de ataque: um segundo grupo de bombardeiros B-2 que partiria do Missouri e seguiria para o oeste sobre o Oceano Pacífico de forma que os rastreadores de voos pudessem monitorar no sábado. Isso deixou uma impressão errada, para muitos observadores e provavelmente para o Irã, sobre o momento e a trajetória do ataque, que viria de uma direção totalmente diferente.

Secretário de Defesa dos EUA diz que ataques dos EUA "devastaram" o programa nuclear do Irã

"A ordem que recebemos do nosso comandante-chefe foi focada, poderosa e clara", disse Hegseth em uma entrevista coletiva no Pentágono. Crédito: AFP

O plano de ataque estava praticamente pronto quando Trump divulgou sua declaração na quinta-feira sobre como poderia levar até duas semanas para decidir entrar em guerra com o Irã. Tanques de reabastecimento e caças a jato foram posicionados, e os militares estavam trabalhando para fornecer proteção adicional às forças americanas estacionadas na região.

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Embora a declaração de “duas semanas” tenha dado ao presidente mais tempo para a diplomacia de última hora, oficiais militares disseram que o estratagema e a manobra enganosa com os B-2s também tiveram o efeito de limpar uma confusão — a divulgação do ataque — que foi em parte causada pelo presidente.

Questionada sobre os detalhes deste artigo, Leavitt disse que o presidente e sua equipe “realizaram com sucesso uma das operações militares mais complexas e históricas de todos os tempos” em relação às instalações nucleares do Irã. Ela acrescentou que “muitos presidentes falaram sobre isso, mas apenas o presidente Trump teve coragem de fazê-lo”.

Cartazes em Tel-Aviv, Israel, agradecem a entrada dos Estados Unidos na guerra contra o Irã  Foto: Ahmad Gharabli/AFP

CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

Uma mudança de tom

Trump passou os primeiros meses de seu governo alertando o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, contra um ataque ao Irã. Mas na manhã de sexta-feira, 13 de junho, horas após os primeiros ataques israelenses, Trump mudou de tom.

Aos seus assessores diretos, ele se mostrou maravilhado com o que considerou uma brilhante operação militar israelense, envolvendo uma série de ataques precisos que mataram figuras-chave da liderança militar iraniana e destruíram instalações estratégicas de armas. Trump atendeu ligações de repórteres em seu celular e começou a elogiar a operação como “excelente” e “muito bem-sucedida”, dando a entender que ele teve muito mais a ver com isso do que as pessoas percebiam.

Mais tarde naquele dia, Trump perguntou a um aliado como estavam “funcionando” os ataques israelenses. Ele disse que “todos” estavam dizendo que ele precisava se envolver mais, incluindo a possibilidade de lançar bombas GBU-57 de 30.000 libras sobre Fordow, a instalação iraniana de enriquecimento de urânio enterrada sob uma montanha ao sul de Teerã.

No dia seguinte, o presidente disse a outro assessor que estava inclinado a usar essas bombas “bunker buster” em Fordow, e se gabava tanto do poder destrutivo da bomba quanto do fato de os Estados Unidos serem o único país a possuí-la em seu arsenal. O assessor saiu da conversa convencido de que Trump já havia decidido bombardear as instalações nucleares do Irã.

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Projeção com as bandeiras de Israel e Estados Unidos é mostrada na Cidade Velha de Jerusalém Foto: Ahmad Gharabli/AFP

Ao mesmo tempo, a equipe do presidente monitorava de perto como seus apoiadores mais proeminentes estavam reagindo nas redes sociais e na televisão à perspectiva de os Estados Unidos se juntarem à guerra de forma mais visível.

Eles prestaram muita atenção às declarações de Tucker Carlson, o influente podcaster e ex-apresentador da Fox News, que se opunha veementemente à participação dos Estados Unidos ao lado de Israel contra o Irã. Trump ficou furioso com alguns comentários de Carlson e começou a reclamar dele publicamente e em privado.

Os assessores políticos de Trump trocaram notas sobre várias pesquisas públicas e privadas que examinavam a popularidade da ação militar contra o Irã, observando que o apoio americano a uma operação dependia, em parte, de como os pesquisadores faziam a pergunta. Embora as pesquisas mostrassem que a esmagadora maioria dos americanos não queria os Estados Unidos em guerra com o Irã, a maioria dos americanos também não queria que o Irã obtivesse uma arma nuclear.

O presidente estava acompanhando de perto a Fox News, com elogios contínuos à operação militar de Israel e convidados que instavam Trump a se envolver mais. Vários assessores de Trump lamentaram o fato de Carlson não estar mais na Fox, um indicativo de que Trump não estava ouvindo muito o outro lado do debate.

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Donald Trump conversa com Tucker Carlson em um evento em Glendale, Arizona Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP

As deliberações entre os funcionários do governo sobre um possível ataque americano ao Irã estavam em pleno andamento na noite de domingo, 15 de junho, quando Trump partiu para o Canadá para a reunião do Grupo dos 7. Trump parecia aos seus assessores estar cada vez mais perto de aprovar um ataque, mesmo tendo dito a eles que Israel seria tolo em tentar assassinar o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

Além disso, Trump disse que, se os Estados Unidos atacassem o Irã, o objetivo deveria ser destruir suas instalações nucleares, não derrubar o governo.

A ‘maior ameaça à segurança operacional’

Naquele momento, um pequeno grupo de altos oficiais militares do Pentágono e do Comando Central dos EUA em Tampa, na Flórida, já havia começado a refinar os planos de ataque às instalações de Fordow e outras instalações nucleares iranianas que planejadores militares haviam elaborado anos atrás.

O planejamento foi liderado pelo general Michael Erik Kurilla, comandante do Centcom, o Comando Central de operações militares dos EUA, e pelo general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto.

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Os bombardeiros B-2, baseados na Base Aérea de Whiteman, no Missouri, são os únicos aviões de guerra capazes de lançar as bombas GBU-57, conhecidas como bunker-busters e capazes de penetrar fortificações a mais de 80 metros de profundidade, sem serem detectados pelo radar iraniano. Os pilotos dos bombardeiros B-2 realizaram extensos ensaios para missões de longo alcance como a que tinham pela frente — cruzando o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo, reabastecendo várias vezes antes de se sincronizarem com caças para a etapa final do voo até o Irã.

Mas mesmo com o planejamento militar sendo conduzido em segredo, cada uma das postagens de Trump nas redes sociais parecia estar revelando ao mundo o que estava por vir.

‘Ou haverá paz, ou haverá tragédia muito maior para o Irã’, ameaça Donald Trump

Em pronunciamento, presidente dos Estados Unidos anuncia ‘destruição total’ das instalações nucleares iranianas de Fordow, Natanz e Isfahan.

O presidente, disse um oficial militar, era a “maior ameaça à opsec”, ou segurança operacional, que o planejamento enfrentava.

Para criar confusão no plano de ataque, os oficiais militares decidiram que dois grupos de bombardeiros B-2 deixariam o Missouri mais ou menos na mesma hora. Um grupo voaria para oeste, em direção a Guam, com transponders ligados que poderiam ser rastreados por empresas de satélites comerciais. Outro grupo de sete bombardeiros, carregando uma carga completa de bombas e com seus transponders desligados, voaria para o leste em direção ao Irã, sem ser detectado.

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Durante uma coletiva de imprensa no domingo, horas após o ataque americano, o general Caine chamou a manobra de Guam de “isca”.

Pautando a conversa

Na terça-feira, 17 de junho, Trump já havia praticamente decidido atacar o Irã. Mas ele levou sua diplomacia coercitiva a um novo nível, fazendo ameaças nas redes sociais.

“Agora temos controle total e completo dos céus sobre o Irã”, postou ele no Truth Social, acrescentando: “Sabemos exatamente onde o chamado ‘Líder Supremo’ está se escondendo. Ele é um alvo fácil, mas está seguro lá — não vamos eliminá-lo (matá-lo!), pelo menos não por enquanto”. Ele exigiu, em letras maiúsculas: “RENDICÃO INCONDICIONAL!”

A essa altura, várias pessoas do campo anti-intervencionista dos assessores de Trump perceberam que provavelmente não poderiam impedir o presidente de atacar as instalações nucleares iranianas. Então, eles voltaram seu foco para tentar garantir que a guerra americana não se transformasse em uma guerra expansiva de “mudança de regime”.

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O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington  Foto: Eric Lee/NYT

Naquele dia, 17 de junho, o vice-presidente JD Vance postou uma longa série de mensagens nas redes sociais que muitos no campo anti-intervencionista interpretaram como ele preparando o terreno para uma possível operação militar dos EUA e defendendo preventivamente a provável decisão do presidente.

“Ele pode decidir que precisa tomar medidas adicionais para acabar com o enriquecimento iraniano. Essa decisão, em última instância, cabe ao presidente”, escreveu Vance em uma postagem amplamente compartilhada. “E, claro, as pessoas têm razão em se preocupar com o envolvimento estrangeiro após os últimos 25 anos de política externa idiota. Mas acredito que o presidente conquistou alguma confiança nessa questão”.

Ativistas proeminentes começaram a trabalhar para moldar a conversa sobre o que provavelmente viria após o bombardeio: um debate sobre se os EUA deveriam ou não se envolver em uma guerra com o objetivo de trazer uma nova liderança ao Irã.

“A mudança de regime rapidamente se tornou o novo objetivo declarado desta operação”, escreveu o influente ativista Charlie Kirk, em uma postagem nas redes sociais dois dias antes dos ataques dos EUA. “Os Estados Unidos devem aprender a lição e não se envolver em uma guerra para mudar o regime”.

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Generais iranianos se reúnem após a entrada dos Estados Unidos na guerra Foto: Escritório de mídia do Exército do Irã/AFP

Mesmo enquanto Trump publicava suas próprias declarações belicosas, ele ficava irritado ao ver os especialistas na televisão anteciparem seu provável ataque contra Fordow. Ele ficou furioso quando o The Wall Street Journal noticiou que ele já havia dado luz verde para colocar as peças da operação em ação, mas ainda não havia dado a ordem final.

Na quinta-feira, Trump almoçou na Casa Branca com Bannon, um dos críticos mais proeminentes do envolvimento dos EUA na guerra de Israel com o Irã. Alguns otimistas do campo anti-intervencionista interpretaram a reunião como um sinal de que Trump estava ficando com medo.

Leavitt reforçou esse sentimento quando divulgou a declaração de Trump, pouco depois de Bannon chegar à Casa Branca, indicando que ele havia se dado até duas semanas para tomar uma decisão, um prazo que ele frequentemente invocava para decisões sobre questões complexas quando não tinha um plano claro.

Mas Trump já havia ditado a declaração de Leavitt antes de se encontrar com Bannon. Foi uma manobra calculada para ganhar algum tempo para o presidente, e ao mesmo tempo sugerir que nenhum ataque era iminente.

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Até aquele momento, Trump estava disposto a continuar ouvindo aqueles que eram céticos em relação ao ataque ao Irã e a ouvir argumentos sobre suas possíveis consequências terríveis — incluindo para os preços do petróleo, uma guerra civil no Irã e uma possível crise de refugiados, além da perspectiva de ataques retaliatórios que poderiam levar os Estados Unidos a um conflito prolongado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha pela Casa Branca Foto: Anna Rose Layden/NYT

Na sexta-feira, Trump deixou a Casa Branca à tarde para um evento de arrecadação de fundos em seu clube em Bedminster, Nova Jersey, seu principal refúgio de verão, alimentando ainda mais a impressão de que nenhum ataque era iminente.

Mas poucas horas depois, por volta das 17h de sexta-feira, Trump ordenou que as Forças Armadas iniciassem sua missão no Irã. Considerando que os B-2 levariam 18 horas para voar do Missouri ao Irã, Trump sabia ter muitas horas para mudar de ideia, como fez no último minuto em 2019, quando ordenou ataques aéreos contra alvos iranianos e depois os abortou.

Mas poucos em seu governo acreditavam que ele recuaria desta vez.

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Um caso isolado, ou não

Uma operação militar complexa e altamente sincronizada começou. Muitas horas depois que as duas frotas de B-2 decolaram em direções opostas, os bombardeiros com destino ao Irã se juntaram a caças e voaram para o espaço aéreo iraniano.

Submarinos americanos lançaram 30 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra as instalações nucleares em Natanz e Isfahan.

À medida que os aviões se aproximavam de Fordow e Natanz, os caças voaram à frente dos bombardeiros e dispararam ataques destinados a suprimir quaisquer mísseis terra-ar que o Irã pudesse mobilizar, disse o general Caine na coletiva do Pentágono no domingo.

Um bombardeiro B-2 chega à Base Aérea de Whiteman, Missouri, domingo, 22 de junho de 2025, após retornar de um ataque massivo a instalações nucleares iranianas no sábado Foto: David Smith/AP

Às 2h10 da manhã de domingo, horário do Irã, o bombardeiro líder lançou duas bombas GBU-57 sobre o local de Fordow, enterrado profundamente sob uma montanha e centenas de metros de concreto. Ao final da missão, 14 das bombas “bunker buster” haviam sido lançadas, a primeira vez que elas foram usadas em combate.

Autoridades do Pentágono disseram no domingo que os bombardeiros e caças americanos não sofreram danos e nem encontraram fogo inimigo.

Horas depois que as aeronaves americanas deixaram o espaço aéreo iraniano, Trump fez um discurso triunfante na Casa Branca, dizendo que a missão havia “destruído completa e totalmente” as capacidades nucleares do Irã. Ele sugeriu que a guerra poderia terminar com essa missão única se o Irã desistisse de seu programa nuclear e negociasse.

No entanto, na tarde de domingo, autoridades americanas moderaram o otimismo da noite anterior, afirmando que as instalações nucleares do Irã podem ter sido severamente danificadas, mas não totalmente destruídas.

Vance reconheceu que há dúvidas sobre o paradeiro do estoque de urânio enriquecido quase o suficiente para a fabricação de bombas do Irã. Ele e o secretário de Estado Marco Rubio enfatizaram que uma mudança de regime em Teerã — e o consequente envolvimento prolongado dos EUA — não era o objetivo.

Mas Trump, cuja operação foi elogiada na cobertura da mídia não apenas por aliados, mas também por alguns de seus críticos, já havia seguido em frente, sugerindo em uma postagem no Truth Social que seus objetivos poderiam estar mudando.

“Não é politicamente correto usar o termo ‘mudança de regime’”, escreveu ele, “mas se o atual regime iraniano é incapaz de TORNAR O IRÃ GRANDE NOVAMENTE, por que não haveria uma mudança de regime???”.