Trump quer mesmo anexar a Groenlândia aos EUA?
Não faltam motivos para os EUA se interessarem pela Groenlândia. O problema é que a população local e o governo da Dinamarca não estão abertos à negociação.
Gerando resumo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar a Dinamarca em relação à Groenlândia, alegando que o país europeu falhou em conter a influência russa sobre o território. Em publicação na rede Truth Social, neste domingo, 18, Trump afirmou que “chegou a hora” de resolver a questão, “e isso será feito!!!”, completou.

Na publicação, o presidente afirma que a Otan vem alertando há duas décadas sobre a necessidade de reduzir a presença russa na região, mas o governo dinamarquês “não fez nada” para enfrentar o problema. O republicano tem defendido abertamente a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos.
A proposta, rejeitada tanto por Copenhague quanto pelo governo autônomo da ilha, reacendeu tensões diplomáticas. Líderes dinamarqueses reiteraram que o território não está à venda e que a Groenlândia já é protegida pelo acordo de defesa coletiva da Otan.
No sábado, Trump também ameaçou impor tarifas sobre parceiros europeus até que Washington obtenha autorização para negociar a compra da ilha. Ele argumenta que o aumento da presença chinesa e russa no Ártico torna a Groenlândia estratégica para a segurança dos EUA.
O final de semana na Groenlândia foi marcado por protestos contra o mandatário americano. Manifestantes carregavam cartazes de protesto, agitavam a bandeira nacional e entoavam: “A Groenlândia não está à venda”, em apoio à sua autonomia diante das crescentes ameaças de uma anexação americana.
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Enquanto o presidente Donald Trump parece brincar com o destino da Groenlândia, um caleidoscópio de sentimentos gira na comunidade local. As pessoas estão chocadas, irritadas, confusas, humilhadas, insultadas e, acima de tudo, assustadas.
Durante séculos, o mundo ignorou essa gigantesca placa de gelo e rocha que se projeta no Círculo Polar Ártico e o povo inuíte que aprendeu a sobreviver nela. Há mais de 300 anos, ela é uma parte distante do Reino da Dinamarca, e agora os groenlandeses estão tentando se inserir nas discussões sobre seu futuro antes que seja tarde demais.

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores da Groenlândia participou de uma tensa reunião de alto nível em Washington, a primeira vez que a ilha se envolve diretamente em algo dessa magnitude. O secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance estão mantendo diálogos com autoridades groenlandesas e dinamarquesas sob a sombra das ameaças crescentes de Trump, que recentemente prometeu “fazer algo pela Groenlândia, quer eles gostem ou não”.
Entrevistas realizadas nos últimos dias com habitantes da ilha de diferentes partes do território e diferentes classes sociais revelam que as pessoas não querem ser recolonizadas por uma nova potência externa e que apenas uma pequena minoria tem o mais leve interesse em se juntar aos Estados Unidos.
Eles gostam do sistema de bem-estar social escandinavo, com assistência médica gratuita, educação gratuita e uma forte rede de segurança. Eles se sentem conectados à Dinamarca, mesmo que ainda haja ressentimentos em relação às épocas anteriores de colonialismo e abuso.
E eles certamente não querem ser comprados por ninguém, mas reconhecem que, economicamente, não conseguem se sustentar sozinhos.



