Trump repete discurso russo e chama Zelenski de ditador que usou dinheiro americano para ir à guerra

Republicano ignorou a anexação russa da Crimeia, em 2014 e a invasão da Ucrânia em 2022, e repetiu argumento de Putin de que Zelenski não realizou eleições para se manter no cargo

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Por Redação
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WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou nesta quarta-feira, 19, uma série de ataques infundados contra o ucraniano Volodmir Zelenski em sua conta na rede social Truth Social. Fazendo eco às acusações mentirosas do Kremlin sobre a guerra, Trump chamou Zelenski de “ditador que usou o dinheiro dos Estados Unidos para ir à guerra”, ignorando a anexação russa da Crimeia, em 2014 e a invasão da Ucrânia em 2022.

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“Zelenski é um ditador sem eleições, é melhor ele agir rápido ou ele não terá mais um país”, disse Trump. “Um comediante de sucesso modesto, Zelenski convenceu os Estados Unidos a gastar US$ 350 bilhões de dólares para entrar em uma guerra que não poderia ser vencida”.

A postagem de Trump sobre Zelenski está repleta de falsidades. Na verdade, as eleições ucranianas não foram realizadas ainda porque o país decretou lei marcial após o início da guerra, que foi deflagrada pela invasão russa, e não pela Ucrânia. Além disso, os Estados Unidos destinaram US$ 119 bilhões para ajudar a Ucrânia, de acordo com o Instituto Kiel, e não US$ 350 bilhões.

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Donald Trump deixa púlpito após pronunciamento na Casa Branca Foto: AP

Ao chamar Zelenski de ditador, Trump também repetiu uma declaração mentirosa de Vladimir Putin, que disse que Zelenski não realizou eleições para se manter no cargo. Putin governou a Rússia em 20 dos últimos 25 anos, em eleições nem sempre reconhecidas como justas ou livres.

Trump ainda sugeriu que a segurança futura da Ucrânia não seria problema dos Estados Unidos. “Essa guerra é muito mais importante para a Europa do que para nós”, escreveu Trump. “Temos um grande e belo oceano como separação.”

Zelenski disse nesta quarta-feira que o mundo enfrenta uma escolha entre estar com o presidente russo, Vladimir Putin, ou ser a favor da paz, e que ele se encontrará com o enviado dos EUA, Keith Kellogg, na quinta-feira.

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“O futuro não está com Putin, mas com a paz. E esta é uma escolha para todos no mundo - e para os poderosos - estar com Putin ou ser pela paz. Devemos escolher a paz”, disse Zelenski em seu discurso diário.

Mais cedo, o ucraniano rebateu as acusações anteriores de Trump de que sua popularidade estava em torno de 4%, chamando-as de desinformação “vinda da Rússia”.

“Se alguém quiser me substituir neste momento, isso simplesmente não vai acontecer”, disse ele em uma entrevista coletiva na quarta-feira. “Eu gostaria que a equipe de Trump tivesse mais verdade. Porque nada disso está tendo um efeito positivo na Ucrânia.”

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A popularidade de Zelenski caiu de níveis altíssimos no início da guerra, à medida que o conflito foi se prolongando.

A realização de eleições justas que atendam aos padrões internacionais seria praticamente impossível com pelo menos um quinto do país ocupado pela Rússia, milhões de ucranianos vivendo fora do país e dezenas de milhares de outros mobilizados para lutar.

A troca de ataques ocorreu um dia após autoridades dos Estados Unidos e da Rússia terem aberto negociações para encerrar os combates na Ucrânia que excluíam o governo ucraniano. Horas depois daquela reunião na Arábia Saudita, Trump sugeriu que a Ucrânia havia começado a guerra.

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Zelenski, convocando repórteres para seu gabinete presidencial em Kiev disse que o presidente dos EUA estava vivendo em uma “teia de desinformação”.

A fixação de Trump em que os Estados Unidos sejam reembolsados ​​pela assistência militar e financeira ao longo de três anos de guerra pode colocar um fim a qualquer futuro pacote de ajuda ao país devastado pela guerra.

A Ucrânia há muito tempo depende de entregas americanas regulares de armas de defesa aérea, projéteis e outros tipos de munição para sustentar sua guerra contra a Rússia./NYT E WPOST

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