Entrevista com Head de Motocicletas da CFMoto para o Jornal do Carro
Entrevista com Head de Motocicletas da CFMoto para o Jornal do Carro. Crédito: Isadora Carvalho
Enquanto a Alemanha tem as famosas Autobahn, rodovias sem limites de velocidade. O Brasil não tem nenhuma estrada que dê liberdade para o motorista pisar fundo no acelerador. Os motivos são a legislação, a cultura de valorização da segurança viária e a falta de qualidade de alguns trechos rodoviários de nosso país.
Vale lembrar, no entanto, que limitar a velocidade nas estradas não é algo só do Brasil. Atualmente, somente a Alemanha, a ilha de Man, território sob influência da Coroa Inglesa, e o estado de Montana, os EUA, administram rodovias sem limite claro de velocidade máxima.
O exemplo alemão é o mais famoso. O sistema federal de rodovias da Alemanha, conhecido como Autobahn, tem mais de 13 mil quilômetros de rodovias de altíssima qualidade e em 60% de seus trechos não existe um teto de velocidade estipulado para os motoristas.
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Rodovias não são 100% sem limites de velocidade

Na prática, a velocidade máxima sugerida pelo governo alemão é de 130 km/h e existem diversos trechos com restrições e limites menores, em zonas urbanas, locais de obra e locais com alto índice de acidentes.
A posse do carro e a ausência de tetos de velocidade viraram símbolos de liberdade individual após a Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, as grandes montadoras de carros alemães sempre defenderam a tradição das altas velocidades.
Mas, se um acidente acontecer acima deste limite de 130 km/h, o motorista pode ser responsabilizado parcialmente ou totalmente por assumir riscos maiores.

Acelerar forte nas rodovias de lá traz sensação de segurança, pois elas têm asfalto muito espesso e de alta qualidade, curvas suaves, zero cruzamentos em nível e manutenção rigorosa.
Para fazer isso, os motoristas alemães passam por treinamentos caros e complexos, aprendendo civismo e a regra estrita de usar a faixa da esquerda apenas para ultrapassagens.
Outro local ontem não há regulamentação clara sobre o limite de velocidade é a Ilha de Man, que fica entre a Irlanda e a Inglaterra, onde as vias rurais são liberadas para acelerar forte. Já no estado de Montana, nos Estados Unidos, que não estabelece um limite, “sugere” que os veículos não passem dos 145 km/h.
Cultura da segurança nas rodovias
No Brasil, o Código de Trânsito que está em vigor desde 1998 trouxe uma preocupação grande com a segurança veicular e estabeleceu regras rígidas para limites de velocidades e conduta dos motoristas.
Os limites de velocidades foram estabelecidos para evitar colisões graves e reduzir a taxa de mortalidade no trânsito, que em 2022 chegou ao patamar de 40 mil óbitos.

“O Brasil tem uma estrutura rodoviária completamente incompatível com a não regulação de limites de velocidade nas estradas. O exemplo da Alemanha é totalmente atípico e pensado de uma forma diferente. Lá, as rodovias foram projetadas para privilegiar as altas velocidades”, explica Rubem Melo, doutor em Engenharia e especialista em segurança viária.
Ele complementa dizendo que altas velocidades rodoviárias exigem características como ausência de cruzamentos, grande número de faixas de rolagem, acessos distantes e faixas de desaceleração e pistas niveladas, sem degraus ou diferenças significativas de nível.
“Os trechos sem limite de velocidade do sistema Autobahn foram projetados como uma pista de corrida, algo que está muito distante da realidade brasileira”, conclui o engenheiro.





