Testamos o navegador do ChatGPT: ele ainda é cru e acessa dados demais; leia análise

Atlas foi lançado em outubro pela OpenAI com modo agente e chatbot embutido

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Foto do autor Bruna Arimathea

Uma caixinha semelhante ao ChatGPT que promete saber tudo sobre você e sobre o que você precisa fazer na internet é a nova aposta da OpenAI. O Atlas, navegador com inteligência artificial (IA) da empresa de Sam Altman, foi lançado em outubro deste ano e quer ser um concorrente de peso para o Google e outros navegadores com IA, como o Perplexity. Para a companhia, que tenta estabelecer uma nova dinâmica no mercado, a intenção é marcar território, mas a ferramenta ainda precisa de ajustes para ser uma potência.

Atlas está disponível gratuitamente na loja de app da Apple, mas ainda não chegou ao Windows Foto: Budi/Adobe Stock

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Não entenda mal: o Atlas é realmente impressionante quando falamos de uma ferramenta autônoma, que utiliza IA para facilitar a navegação na internet. Mas ainda passa a impressão de que não vai conseguir resolver sozinho as tarefas por você, por esbarrar em barreiras que vão além das permissões de acesso em redes sociais e sites de compras. Ele está disponível, por enquanto, apenas para Macbook, da Apple.

O principal trunfo do navegador da OpenAI é ter um nível de personalização acima do Chrome: mesmo que a ferramenta do Google possa apresentar resultados com IA, o Atlas tenta aprofundar a relação com o usuário além do resumo de informações.

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O Modo Agente, por exemplo, pode fazer com que o ChatGPT controle a navegação inteira na web. A partir do botão, que fica abaixo do campo de buscas, é possível pedir para que o Atlas compre um ingresso de um show para você, por exemplo. Foi o que eu fiz.

Pedi para que ele encontrasse um ingresso pra um show de música que vai acontecer na próxima semana em São Paulo. Ativei o Modo Agente e esperei pelo resultado. Tive algumas conclusões interessantes: a primeira é que em todas as vezes que entrei em algum site, o navegador recusou automaticamente todos os cookies, uma forma de não salvar as minhas informações de uso - mesmo que o Atlas, por si só, seja capaz de reter essas informações.

Além disso, a opção em que você pode navegar sem ter logins ativados funciona bem. Com o “modo deslogado” ativado, o usuário precisa entrar em todas as contas manualmente. No meu caso, o Atlas selecionou corretamente o ingresso e me direcionou para entrar no meu perfil do site da bilheteria. O pagamento também só é efetuado se o usuário permitir. Existe uma opção em que o usuário pode permitir que o Atlas lembre os dados de logins e faça o processo automaticamente.

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Embora tenha feito a tarefa corretamente, o Atlas parece ser efetivo apenas em sites com layout simples. No meu exemplo, a página não tinha mais de um scroll (ou seja, não era preciso rolar a página para encontrar todas as informações necessárias) e o ingresso estava bem identificado.

Em um outro teste, também para um ingresso - desta vez, para um museu - a IA teve mais dificuldade. A página tinha, pelo menos, três scrolls e os botões para adicionar as entradas ficavam na parte de baixo. Depois de pensar, mudar de página e retornar para o menu de compras, o Atlas não conseguiu selecionar nenhum ingresso para o meu carrinho. Isso significa que a IA ainda tem limitações em relação às tarefas que demandam uma interpretação maior da página e parece ainda precisar de uma certa supervisão.

Página inicial do Atlas mostra modo agente logo abaixo da busca principal Foto: Reprodução/Atlas

Deixar o navegador obedecer os comandos sozinho também demanda tempo: na maioria das atividades, o Atlas demorou vários minutos a mais do que eu levaria para fazer o mesmo processo. Mas se a sua intenção é deixar a IA rodando enquanto faz outras coisas, pode funcionar.

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A ferramenta também funciona de forma mais tradicional, sem que o agente controle a navegação pelo usuário. Nesse modo, é possível encontrar abas para resultados gerados pela IA, links, vídeos, fotos e notícias. Um modo anônimo de uso também está disponível no Atlas.

Contrapartida

O lançamento do Atlas como um assistente de IA embutido em um navegador animou entusiastas da tecnologia, mas também levantou preocupações em relação à quantidade de dados coletados pela ferramenta.

A OpenAI afirma que o Atlas pode usar os dados de navegação, como os sites que você entrou, o comportamento de cliques e as suas preferências, para treinar seus modelos de IA. Essa opção, segundo a empresa, é desabilitada por padrão para manter a segurança, mas provavelmente é ativada quando o usuário concede permissões dentro do chat para que a IA faça pesquisas com o modo agente, por exemplo. Quando fui checar nas minhas configurações se essa opção estava habilitada, fiquei surpresa em ver que já estava compartilhando os dados sem antes ter entrado no menu para ativar a opção.

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“Esta configuração está disponível quando a opção ‘Melhorar o modelo para todos’ está ativada. Ela controla se o conteúdo que você navega no ChatGPT Atlas pode ser usado para treinar nossos modelos. Esta opção está desativada por padrão. Ativá-la nos permite usar o conteúdo que você navega para tornar o ChatGPT melhor para todos. Mesmo que você opte pelo treinamento, as páginas da web que optam por não participar do GPTBot não serão treinadas”, explica a empresa.

Outra informação essencial que também é armazenada pelo Atlas é o conjunto de dados de preferência pessoal do usuário. Como o navegador é usado na mesma conta do ChatGPT, ele tem informações prévias sobre os gostos do perfil - e ele continua alimentando a memória de acordo com o histórico de acessos na web que o usuário tem ao longo do tempo.

Dessa forma, em vez de retomar a navegação por algum termo ou palavra chave (como é possível fazer pelo Google atualmente), o Atlas permite que o usuário apenas pergunte qual era a pesquisa que ele estava fazendo. Essas informações também são aplicadas na personalização das respostas.

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Você pode ver o que o Atlas sabe sobre você acessando as configurações, clicando em “personalização” e “gerenciar memórias”. É possível deletar manualmente as memórias que a IA guardou sobre você e a OpenAI afirma que todos esses dados são excluídos automaticamente após 7 dias.

“À medida que você navega no Atlas, o conteúdo da web é resumido em nossos servidores. Aplicamos filtros de segurança e dados confidenciais projetados para impedir o acesso a informações de identificação pessoal (como documentos de identidade, números de segurança social, números de contas bancárias, credenciais online, conteúdo de recuperação de conta e endereços) e dados privados, como registros médicos e informações financeiras. Bloqueamos totalmente os resumos em determinados sites confidenciais (como sites adultos)”, aponta a OpenAI pelo seu site.