“Tudo o que você aprendeu na faculdade de administração está obsoleto. Exceto talvez contabilidade.” Foi assim que Steve Blank respondeu quando perguntei como os líderes atuais deveriam encarar a inteligência artificial (IA).
Steve é considerado o pai do empreendedorismo moderno por criar a metodologia que deu origem ao movimento lean startup. Tive a oportunidade de entrevistá-lo duas vezes nos últimos meses, em programas da StartSe, no Vale do Silício.

Para ele, o erro mais comum das lideranças é tratar IA como buzzword e confundi-la com marketing. Dizer “nossa empresa usa IA” virou frase vazia. A pergunta certa é: o que você faz com IA hoje que era impossível fazer antes? Isso exige uma mudança completa de mentalidade nas organizações. Liderar não é mais sobre saber o caminho, mas sobre criar espaço para experimentar.
Pode parecer ficção, mas seus alunos de Stanford já criam produtos usando “clientes artificiais”. Eles compram dados de mercado – algo comum nos EUA – e geram personas com IA. Depois, entrevistam essas personas, identificam dores com base nessas interações, constroem centenas de webpages de produtos fictícios que resolvem essas dores e testam com tráfego real qual tem mais tração. Só depois disso, desenvolvem o produto vencedor. “Com três pessoas, esses alunos validam em semanas o que empresas levavam meses com times inteiros.” Se você empreende, saiba com quem está competindo.
Steve também disse que muitas companhias confundem IA disruptiva com funcionalidade incremental e tentam vender algo como se o público já conhecesse aquilo. “Você não está num mercado consolidado. Você está educando um mercado que ainda nem nasceu.”
Além disso, “Se você liderou empresas antes da internet, seu modelo mental está defasado. A IA exige decisões que você não está preparado para tomar. Quem não for ágil, vai ser atropelado por quem é.” De acordo com ele, um profissional não precisa ser o primeiro a usar IA, mas precisa ser fast follower. E ainda sugere uma prática interessante: “A cada 90 dias, o conselho de administração deveria receber uma apresentação dos experimentos de IA feitos na empresa. Quem não está fazendo isso, já ficou para trás.”
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Por fim, muita gente segue achando que IA é só uma ferramenta de produtividade. Enquanto empresas usam IA para gerar resultados desproporcionais aos recursos que têm, vários líderes ainda tentam automatizar relatórios. “Você não ganha esse jogo economizando tempo. Você ganha mudando as regras do jogo.”

