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Bebida

Seja o melhor bebedor possível. Isso pode moldar o futuro da cerveja

A cerveja artesanal não tem volta. Veja cinco ideias de como os bebedores podem ajudar o movimento

 . Foto: Daniel Teixeira|EstadãoFoto: Daniel Teixeira|Estadão

Ainda não aprendi a ler borra de levedura no fundo do copo, mas minha aposta é que cerveja artesanal não tem volta: é real, oficial e urgente. Só que o bebedor pode dar uma força– como escrevi aqui na semana passada, não adianta o bebedor esperar que o cervejeiro resolva tudo, nem o cervejeiro esperar que o bebedor resolva tudo. Mas como esta coluna representa o lado de quem bebe, tenho algumas ideias sobre o que podemos, como bebedores, fazer.

  Foto: Daniel Teixeira|Estadão

Escolha uma marca

O mercado cervejeiro cresceu e com ele vieram marcas oportunistas, que fazem cerveja ruim e ainda por cima cobram caro? Sim, acontece, é uma pena. Mas é exceção. O que mais existem são cervejarias muito boas e muito sérias, que fazem de tudo para que a cerveja chegue boa até você. O que mais temos no mercado são marcas criadas por cervejeiros apaixonados, movidos a puro idealismo. E parte da graça do movimento cervejeiro é justamente essa. A cena parece um grande grupo de saltimbancos, um monte de idealistas lutando contra tudo e contra todos para fazer chegar a você um produto gastronômico único e profundamente subversivo – é gastronomia, atitude e política, tudo misturado a cada gole. Escolha uma marca para apoiar, como se fosse time de futebol. 

Seja fã

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E como se fosse time de futebol, seja fã. Acompanhe sua marca de perto. Conheça o cervejeiro, a história da marca, siga a cervejaria nas redes sociais, frequente os lançamentos de cervejas novas, compre a camiseta, o copo, o boné, o abridor de garrafa, o growler. Todo mundo sai ganhando com uma relação próxima.

Converse com seu cervejeiro

Do mesmo jeito que os torcedores de futebol reclamam com o técnico do time se tem alguma coisa dando errado, o bebedor fiel de uma marca tem um papel de fiscal. A cerveja não estava legal em determinado bar? Avise a cervejaria, conte para o cervejeiro – mas sem ser cervochato, lembre que a ideia é impulsionar o cenário de cervejas artesanais e o que você quer é que tudo dê certo. O mais provável é que seja um problema pontual, de lote, transporte, armazenamento. A pessoa que mais quer que a cerveja esteja boa normalmente é quem faz a cerveja e os envolvidos no assunto quase sempre são muito empenhados em resolver problemas da cadeia para fazer a bebida chegar perfeita ao seu copo. E quando a cerveja estiver boa, quando tudo der certo, elogie, conte para seus amigos, poste nas redes sociais. Quanto mais gente beber, mais o movimento cervejeiro vira realidade. 

Espalhe a palavra

Se você gostaria de ver mais gente tomando cerveja artesanal, se você adoraria ver a cerveja artesanal mais barata, vista a camisa de “evangelizador”. Apresente sua cerveja favorita a seus amigos, leve uma lata ou garrafa para o jantar na casa da turma, para o churrasco, presenteie seus familiares – claro, dentro dos limites que os altos preços impõem e sem virar o chato que fica no pé de quem toma cerveja convencional (não existe nada mais chato do que isso, sério. Nada. É péssimo, não seja essa pessoa.)

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Saiba quanto custa

Assim como existem marcas oportunistas – e elas são exceção –, existem pontos de venda que tiram proveito da grande oferta de cervejas e da grande movimentação na área e colocam margens irreais nos já altos preços das cervejas. Saiba quanto custa sua cerveja e não caia nessas roubadas. Planeje suas compras, frequente os empórios cervejeiros mais conhecidos – assim como a maior parte das cervejarias foi criada por apaixonados por cerveja, a maior parte das lojas de cerveja pertencem a amantes dessa bebida. Se sua cervejaria favorita é local, tente comprar o mais diretamente possível. Se ela tem um taproom, frequente, compre o growler, vai sair mais barato, você vai poder beber mais e a cerveja vai estar mais fresca.

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