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Efeito Mounjaro: seis em cada dez restaurantes sentiram impacto
Pesquisa inédita mostra que público reduziu prato principal, bebe menos álcool e divide a sobremesa. Crédito: edição: Joaquim Macruz
Paulo Antunes, atualmente, vive um duplo papel, implicado no que o mundo da gastronomia chama de ‘efeito Moujaro’. Ele próprio, há nove meses, faz uso da medicação que ganhou o Brasil pela associação à promoção do emagrecimento (análogos de GLP-1). Ao mesmo tempo, é country manager do Fogo de Chão, rede de churrascaria presente no Brasil e nos EUA.
Sua avaliação sobre uma certa proteção desse tipo de casa endossa o que outros executivos do ramo afirmam: ao que parece, o churrasco está mais blindado do que exposto às sequelas na redução de consumo de comida trazidas pelas canetas.
“Em um primeiro momento, parece que não faz sentido ir a um rodízio tomando Mounjaro”, diz por experiência própria. “Mas ao contrário: é proteína, e quando você busca saciedade e massa magra, o apetite fica mais seletivo”, afirma Antunes ao dizer que em suas casas (são seis só em SP) não foi registrado nenhuma queda em movimento. “Estão comendo muito mais os cortes do que o que oferecemos no buffet”, diz.
ESPECIAL: Tudo sobre o Mounjaro

A observação de Antunes está alinhada a uma projeção da Abrasel - associação de bares e restaurantes - de que uma das consequências do crescimento do uso desses remédios - que vale sempre dizer precisam de indicação cuidadosa e acompanhamento médico - seria o aumento do consumo e de pratos com proteínas - grupo alimentar mais preferido por quem faz dieta.
ATENÇÃO: 13 pontos que você precisa saber antes de usar a medicação
Ao mesmo tempo, essa visão otimista de que as casas de carne estão mais protegidas contrasta com o índice detectado em levantamento da Abrasel que mostra seis em cada dez bares e restaurantes impactados pelo uso dessas medicações.

Mas a avaliação para a Fogo de Chão não difere da detectada pela rede Mania de Churrasco.
“Nossa operação é quase 100% em shopping (são mais de 100 casas), espaços que agora são escolhidos também porque acolhem a família toda, os amigos todos - aqueles que usam as medicações e podem estar mais restritivos - e aqueles que não usam”, diz Fellippe Camelo, fundador e CEO do Mania de Churrasco.
Mais limonada menos chope
“Enxergamos esse momento comportamental com as medicações mais como uma oportunidade do que uma possível ameaça, até pelo produto que oferecemos”, diz Camelo ao completar que algumas questões foram mapeadas que vão além da preferência pela carne.
“Implementamos e foi um sucesso a adição da segunda proteína no prato tipo carne + corte suíno. Frango + carne, por exemplo, o que às vezes substitui a guarnição. Nossos totens de pedidos oferecem o peso em gramas das proteínas, que era uma demanda do público. E estamos com uma boa saída da nossa limonada, bem mais do que o chope”, finaliza.
Na D’Brescia, rede com oito churrascarias na Grande São Paulo, também nenhum impacto negativo em movimento foi sentido, há uma preferência pelos 25 cortes de carne e um buffet composto também por frutos do mar e queijos, pra além dos pães - antes tão preferidos Edival Antônio Spricigo, sócio da Rede aponta, é que hoje há uma exigência bem maior pela experiência em si - atendimento, espaço, música - do que apenas pela comida.
Outros impactos na gastronomia: mais experiência e menos álcool
A comida sair do foco principal e ter o ambiente dividindo o protagonismo do restaurante não é uma tendência nova, mas Paulo Solmucci, diretor da Abrasel, já pontua que o efeito mounjaro reforça ainda mais esse comportamento por parte dos clientes.
Já os baristas, cervejeiros e nomes da coquetelaria sabem: é uma geração que consome menos álcool por vários fatores, preocupação com o emagrecimento incluída. É preciso reinventar, apostar em mocktails (drinques sem álcool) e até nos “mini coquetéis”.






