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Abra-se para os vinhos com tampa de rosca

Não se escolhe um vinho pela rolha e nem se deve descartar um rótulo pela falta dela. A tampa de rosca não é sinal de que um vinho tem qualidade inferior

Todos já devem saber que não se compra livro pela capa nem se julga alguém pela aparência. Pois agora é hora de aprender que também não se escolhe um vinho pela rolha – nem se deve descartar um rótulo pela falta dela. A tampa de rosca, chamada de screw cap, não é sinal de que um vinho tem qualidade inferior e não deve ser “nota de corte” na hora de escolher o que se vai comprar. A qualidade de um vinho vem de sua uva, do manejo do vinhedo e do cuidado na hora da vinificação. Sem esses três elementos, não há rolha que salve.

Tipos de rolhas. Natural, granulada, plástico, de espumante, ranhura, vidro e a screwcap Foto: Daniel Teixeira/Estadão

É verdade que algumas bebidas se beneficiam do contato com o oxigênio – algo que a cortiça permite gradualmente e bem de leve –, mas são uma minoria, aqueles com potencial de evolução. Para os vinhos mais simples, do dia a dia, feitos para serem bebidos jovens, a screw cap pode até ser uma opção melhor. Ela veda mais, impede que o vinho oxide e evita outros problemas como contaminação. 

A sommelière Alexandra Corvo, dona da escola Ciclo das Vinhas, conta que em uma viagem à Nova Zelândia provou vinhos de uma mesma safra vedados com rolha e com screw cap. Os primeiros apresentavam notas de evolução interessantes, mas “já caminhavam para a morte”, enquanto os de tampa de rosca estavam fresquíssimos, uma versão jovem do primeiro. Seu conselho? “Se você vai comprar um vinho de R$ 40 e tiver opções de rolha e de screw cap, vá no segundo”, diz.

A vinícola alemã Balthasar Ress, tradicional produtora de Rheingau, foi mais longe. Resolveu há dois anos usar a tampa de rosca para todos os seus rótulos, incluindo os mais especiais e caros, entre eles o delicioso laranja que acaba de chegar ao Brasil.

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Em seus testes, percebeu que, nos primeiros meses, os vinhos com a rosca de alumínio maturam mais rápido. A explicação é que o espaço que sobra sem a bebida e é preenchido com oxigênio é maior do que os das garrafas fechadas pela rolha. Porém, depois dessa rápida evolução, se conservam frescos porque a vedação é total, sem a micro-oxidação da rolha. 

Rheingauer Landwein Orange Trocken 2016 Foto: World Wine

Se quiser testar por si, prove o Rheingauer Landwein Orange Trocken 2016 (R$ 340 na World Wine), um corte de Pinot Blanc e Riesling natural que tem aroma de compota de damasco e, na boca, uma alta salinidade, corpo médio, volume e alto poder de adstringência.

Também vale conhecer mais dois rótulos da casa: o Landwein Rhein Riesling Trocken 2016 (R$ 113), outro lançamento, que é amigável, frutado e floral com discrição, e o Rheingau Riesling Kabinett Trocken 2016 (R$ 168), talvez o melhor custo-beneficio do trio, mineralíssimo, com tudo o que se quer de um Riesling.

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Na Califórnia, produtores mudam para mais próximo do Pacífico 

Produtores da Califórnia estão migrando para regiões cada vez mais próximas do Pacífico e com maior altitude em busca de mais frescor e de fugir do estilo pelo qual ficaram famosos nos anos 1990. Em contrapartida, dizem os especialistas, pode-se esperar mais rusticidade.

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