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‘As pessoas mais maduras têm facilidade com o público’, diz dona de franquia de bolos

Fundadora da franquia Casa de Bolos afirma que o trato com o consumidor faz a diferença

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Foto do author Mirella  Joels
Foto: Weber Sian
Entrevista comSônia RamosÉ aposentada e começou a Casa de Bolos aos 68 anos; hoje a franquia está entre as Top 50 do País

Uma ideia que surgiu após uma demissão e se tornou um negócio que envolveu toda a família em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Assim é a Casa de Bolos, que surgiu de uma ideia da aposentada Sônia Ramos, de 78 anos. No primeiro dia, lembra ela, foram 21 bolos. Hoje são 55 mil em lojas de mais de 200 cidades do País. Segundo ela, a grande vantagem de ter começado um negócio com mais idade é na forma de interação com as pessoas. “As pessoas mais maduras geralmente possuem maior facilidade de interações sociais, sobretudo no atendimento com as pessoas.”

Como nasceu a ideia da Casa de Bolos?

Em 2009, meu filho caçula, Rafael Ramos, atual diretor de Marketing da Casa de Bolos, tinha acabado de ser desligado do trabalho. Para conseguir fechar as contas da casa e complementar a renda por mês, aos 64 anos de idade, vi em nosso hábito de se reunir em volta da mesa para comer meus bolos uma oportunidade. Foi então que, junto com meus quatro filhos, tivemos a ideia de alugar um ponto comercial no centro de Ribeirão Preto para vendermos os bolos que eu fazia. Eu ficava na loja e ele ia até os cruzamentos ou pontos de ônibus, ali na redondeza, com o uniforme, para entregar panfletos ou até mesmo levar alguém até a loja. No fim do dia, e com todos os bolos vendidos, já nos preparávamos para fazer a produção no dia seguinte. Logo nos primeiros meses, pudemos perceber que a produção diária começava a acabar antes do esperado, havendo então a necessidade de aumentar a oferta para atender a demanda. De forma gradativa, mas sempre com muita fé, fazíamos um pouquinho a mais todo dia na esperança de que venderíamos aquela produção toda. Foram alguns meses nessa rotina, até percebermos que a demanda era alta e o nosso negócio, que começou na simplicidade e necessidade, tinha muito potencial para crescer. No primeiro dia de produção, foram 21 bolos, hoje são feitos 55 mil por dia em toda a rede.

Por que escolheu esse modelo de negócio e esse ramo para seguir trabalhando?

Escolhi esse modelo primeiramente porque gostaria de levar o sabor caseiro, dos bolos que fazia na minha casa, para a casa das pessoas. Segundo porque acredito que o sabor de um bolo pode mudar muita coisa na vida das pessoas, principalmente no aspecto da união.Se reunir em volta da mesa para tomar um café da tarde em família, ou para compartilhar com os colegas do trabalho um momento de lanche e até mesmo para celebrar um aniversário. O bolo marca sempre um encontro e isso é um dos principais motivos pelos quais escolhi esse segmento para atuar.

Quais são os pontos positivos e os desafios de empreender com mais maturidade?

A diferença de gerações sempre é benéfica. É difícil entender os preconceitos que algumas pessoas possuem diante deste assunto. Em nossa rede, aproximadamente 20% dos colaboradores de lojas são mais maduros. Essa integração entre gerações é benéfica tanto para a empresa como para a vida de nossos colaboradores. Cada geração tem algo valioso a nos ensinar. Minhas netas me surpreendem e me ensinam todos os dias algo novo, enquanto ajudo meus filhos a terem uma perspectiva diferente sobre a vida. A idade muitas vezes pode ser até mesmo um fator importante no resultado, pois as pessoas mais experientes no mercado de trabalho trazem consigo uma riqueza de conhecimento e sabedoria. Vejo que as pessoas mais maduras geralmente possuem maior facilidade de interações sociais, sobretudo no atendimento com as pessoas, fazendo com que o consumidor ao entrar em nossa loja se sinta em um local aconchegante e acolhedor, como uma verdadeira casa de vó.

Sônia Ramos, da Casa de Bolos, com seus filhos (da esq. para dir.) Eduardo, Rafael, Fabrício e Daniel Foto: Tabata Barbosa

Como contornou os desafios que enfrentou na franquia?

É muito gratificante hoje, aos 78 anos, olhar para trás e ver tudo que foi construído. Foram muitos desafios ao longo destes 14 anos, e meu maior curso foi a vida. Tudo que sei e aprendi foi na prática, vivenciando literalmente a frase “mão na massa”, mas no meu caso, no bolo. Pegávamos duas conduções para ir até nossa primeira loja e lá fazíamos todos os dias nossos bolos. No fim do dia, voltávamos para casa empolgados e já nos preparávamos para mais uma rodada de bolos no dia seguinte. Foram alguns meses nessa rotina, até perceber que a demanda era alta e o nosso negócio tinha muito potencial para crescer. No início, como todo negócio, alguns chegaram a desconfiar do potencial do bolo caseiro e sua possibilidade de produção em grande escala. Já foi também, em algum momento, um desafio manter em nossos bolos a mesma qualidade que eu fazia em casa, algo que, felizmente, temos conseguido.

O quanto você se dedica e o quanto está inserida na gestão de negócio da franquia?

Sempre busquei que a Casa de Bolos fosse além de um investimento atrativo, também um negócio prazeroso, envolvendo a família toda. Por isso, quando comprovamos o potencial da Casa de Bolos, meus outros filhos também se desligaram de seus respectivos trabalhos e vieram me ajudar na construção deste sonho, que hoje é uma realidade graças à união e ao amor da família. Hoje a gestão do negócio é compartilhada com meus quatro filhos: Rafael, Eduardo, Daniel e Fabrício, cada um com sua especialização, mas todos com perfis que se complementam.

De que forma o trabalho pré-aposentadoria contribui com sua ocupação agora?

Eu fazia bolos para vender para casamentos e aniversário com o intuito de compor a renda familiar e ajudar nas despesas de casa. Acho que sempre tive uma veia empreendedora, enxergava oportunidades de longe. Junto com meu marido já tive um açougue, estamparia e confecção de roupas esportivas, mas foi no bolo caseiro que realmente me encontrei. Pouco antes de abrir a Casa de Bolos, eu era aposentada e me dedicava ao cuidado da saúde de meus pais e, claro, nesse tempo em casa nunca faltava um bolinho para reunir toda a família ao redor da mesa, meu prazer e grande alegria. Percebi então que eu queria mesmo é ter um negócio prazeroso e que melhorasse a renda da minha família e encontrei no bolo caseiro meu verdadeiro propósito que mudou minha vida e de toda a minha família.

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Qual a dica para quem busca uma franquia depois de se aposentar?

Cada geração tem consigo uma experiência e uma perspectiva diferente da vida. A junção disso pode fazer nascer ideias fantásticas e inovadoras. Um exemplo é a história por trás da franquia Casa de Bolos, que foi criada com duas pessoas com grande diferença de idade: eu, que adoro fazer bolos caseiros, e meu filho, mais jovem e ligado à tecnologia. No entanto, com a minha perspectiva e a de meus filhos juntos, conseguimos elevar o conceito do bolo caseiro e expandi-lo por todo o Brasil através do sistema de franquias. Essa colaboração entre gerações foi fundamental para o sucesso e o crescimento da nossa empresa. É claro que um investimento no sistema de franquias tem seus riscos, como qualquer outro, mas diria que é preciso sonhar para realizar e sobretudo ter fé e propósito bem definidos, sempre tendo em mente o porquê de estar realizando aquela atividade e qual o impacto gerado através do seu esforço diário.

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