"Suposto empréstimo de assessor de Lula para lobista levanta suspeitas de operação de fachada"
Crédito: Estadão
SÃO PAULO E BRASÍLIA — Os delegados federais que dirigem as 27 Superintendências Regionais da Polícia Federal em todo o País saíram em defesa do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, em meio à crise que se alastra com o gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Em nota pública divulgada nesta quinta-feira, 6, os superintendentes nos 26 Estados e no Distrito Federal afirmam que a atividade investigativa da PF “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”.
Eles assinalam que “para o adequado exercício de sua missão constitucional, é indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia administrativa necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades institucionais”.

Dia a dia ganha espaço um clima hostil entre a cúpula da PF e Mendonça, especialmente após as investigações a seu mando atingirem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo da empresária Roberta Luchsinger. A mesma investigação mira Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do petista no âmbito do “caso INSS”.

O Estadão apurou que Mendonça já avisou que, se todas as investigações não fossem repassadas ao seu gabinete – sem passar pelo crivo de outros departamentos – o diretor-geral da PF poderá responder por obstrução de Justiça. Andrei acionou a Advocacia-Geral da União, mas Jorge Messias, chefe da AGU, não está disposto a entrar em atrito com o ministro, que é seu amigo e também evangélico e o apoiou para ocupar uma vaga no STF – indicação barrada pelo plenário do Senado.
A nota pública dos 27 superintendentes regionais pontua que, em seus 82 anos de história, a PF consolidou-se como uma instituição de Estado comprometida com a Constituição, a legalidade, a imparcialidade e a defesa do Estado Democrático de Direito.
A nota dos superintendentes não cita o ministro nem a ele atribui a origem do choque com o comando da PF, mas sua divulgação se dá em meio a esse contexto. “A credibilidade construída perante a sociedade brasileira decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”, diz o texto.
Os delegados destacam que “tais garantias existem em benefício da sociedade e da correta aplicação da lei”.
“O debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia, mas não quando voltados ao enfraquecimento da credibilidade e da confiança que a sociedade deposita nas instituições republicanas”, ressalta a nota.
Nesse contexto, os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal “reafirmam sua confiança na direção da Polícia Federal e seu compromisso com a defesa da Constituição, da democracia, da legalidade e do interesse público, bem como com a preservação de uma Polícia Federal forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional”.




