‘Bolsonaro não autorizou a utilização de sua imagem e voz’, diz defesa de ex-presidente ao STF

Manifestação foi enviada ao Supremo após questionamento de Alexandre de Moraes por uso da imagem de Bolsonaro feita por IA em convenção que aprovou candidatura de Flávio Bolsonaro

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Foto do autor Carolina Brígido
Atualização:
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

A defesa de Jair Bolsonaro informou ao STF que o ex-presidente não tinha conhecimento prévio do vídeo exibido na convenção do PL, que usava inteligência artificial para simular seu apoio a Flávio Bolsonaro. Alexandre de Moraes questionou se Bolsonaro havia autorizado o vídeo, o que poderia violar sua pena. A defesa negou a autorização, destacando que Bolsonaro está com visitas suspensas. A situação pode afetar Flávio, pois o uso de IA em campanhas requer consentimento, podendo resultar em multa e remoção do conteúdo.

A defesa de Jair Bolsonaro informou nesta quarta-feira, 29, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente não tinha conhecimento prévio sobre o vídeo exibido na convenção do PL no sábado, 25. No lançamento oficial da candidatura de Flávio Bolsonaro, foram exibidas imagens e voz criadas por inteligência artificial de Jair Bolsonaro pedindo apoio ao filho.

A declaração é uma resposta ao questionamento feito na terça-feira, 28, por Alexandre de Moraes. O ministro queria saber se o ex-presidente tinha sido consultado previamente sobre o vídeo e se havia autorizado a exibição.

Defesa de Jair Bolsonaro diz que ex-presidente não foi consultado sobre vídeo de IA exibido pelo PL Foto: Anderson Riedel/PR

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No despacho, Moraes afirmou que “a eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar para o regime fechado”.

A defesa afirmou que Bolsonaro “não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção do vídeo elaborado mediante inteligência artificial referido na decisão”. E acrescentou que o cliente não poderia fazer isso, por estar com o direito de visitas suspenso pelo prazo de 30 dias, sem poder encontrar com os filhos.

Os advogados ponderaram que, antes da restrição, os filhos do ex-presidente “sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade político-partidária, reproduzindo fotografias, gravações, pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais manifestações públicas, prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do titular desse direito”.

Bolsonaro cumpre pena em decorrência da condenação por tentativa de golpe de Estado e foi proibido de se manifestar sobre política e de ter acesso a redes sociais.

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A estratégia da defesa do ex-presidente é evitar que ele volte para a Papudinha, onde ele iniciou o cumprimento da pena. A transferência para a prisão domiciliar ocorreu diante da condição precária de saúde que o réu apresenta.

A resposta da defesa pode prejudicar Flávio Bolsonaro. Segundo as regras sobre inteligência artificial em campanhas, só é permitido o uso de imagens e áudios de uma pessoa se ela autorizar a prática. No entanto, a punição da Justiça Eleitoral, se for o caso, deve ser apenas o pagamento de multa e a ordem de retirada do conteúdo do ar.

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