Análises sobre o estado geral da nação

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Conta de luz mais cara pode ser o próximo efeito colateral do embate entre Congresso e governo Lula

A análise aos vetos presidenciais na lei que tenta conter o aumento dos subsídios pagos na conta de luz pode replicar irracionalidade política que afetou a Lei de Licenciamento Ambiental

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Foto do autor Diogo Schelp

A frase “vencer uma guerra é tão desastroso quanto perdê-la”, de autoria da escritora britânica Agatha Christie (1890-1976), certamente se aplica aos embates atuais entre o governo Lula e o Congresso Nacional. Seria compreensível se o comportamento de ambos os lados se justificasse ao menos pela necessidade de sobrevivência, ou seja, evitar ser obliterado eleitoralmente no pleito de 2026. Mas não é assim.

Há risco de o Congresso derrubar os vetos do Executivo à Lei 15.269, que visa modernizar o setor elétrico; disputa pode aumentar as contas de luz Foto: Oscar Martín/Adobe Stock

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No Legislativo, a oposição faz o que oposições fazem para marcar posição, custe a quem custar. E o Centrão trata de mostrar quem dá as cartas – até mais do que de fato suas atribuições permitem. Lula, do outro lado, estaria decidido a não ceder às pressões do Congresso ou a não fazer o rame-rame necessário da articulação política, crente de que o esperneio legislativo será compreendido em ano eleitoral como um jogo das elites, acima do qual ele pretende pairar impávido.

No detalhe, o que tem saído dessa briga não se explica facilmente pela lógica da sobrevivência. Temas que poderiam render consensos entre Executivo e Legislativo são sacrificados em nome da retaliação política e da exibição de poder. Pautas-bomba, supostamente eleitoreiras, são aprovadas simultaneamente a iniciativas com efeito oposto, ou seja, com consequências pesadíssimas para os bolsos dos cidadãos. Nesses casos, lobbies muito específicos e localizados se sobrepõem aos interesses da sociedade e até da fatia mais moderna dos mesmos setores empresariais.

A derrubada dos vetos presidenciais à Lei de Licenciamento Ambiental é um exemplo. Foi parida como uma vingança de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, à decisão de Lula de indicar Jorge Messias para o STF, dando vazão aos anseios dos passadores de boiada no Congresso que não enxergam o benefício em se equilibrar produção com regras racionais de proteção ambiental.

Agora, há o risco de o Congresso produzir mais um estrago do tipo. Trata-se da Lei 15.269, sancionada pelo Executivo na semana passada, cujo objetivo é modernizar o setor elétrico, evitando o aumento galopante da conta de luz. O texto chegou à mesa presidencial cheio de jabutis que criavam novas distorções, cuja conta bilionária seria paga pelos consumidores. A maioria dos trechos exóticos foi vetada (alguns, como o que favorece a contratação de energia gerada com a queima de carvão, foram mantidos), mas os vetos podem ser derrubados por deputados e senadores. Será mais uma batalha em que todos, com exceção de algumas poucas empresas beneficiadas, sairão derrotados.

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Opinião por Diogo Schelp

Jornalista e comentarista político, foi editor executivo da Veja entre 2012 e 2018. Posteriormente, foi redator-chefe da Istoé, colunista de política do UOL e comentarista da Jovem Pan News. É mestre em Relações Internacionais pela USP.