Mercado de previsão proibido no Brasil registra 40 tipos de apostas nos resultados das eleições 2026

Sediada em Nova York, Polymarket foi bloqueada pelo CMN por violar a lei brasileira; Ministério da Fazenda diz acompanhar atuação da plataforma; TSE não se manifesta; empresa diz que transforma expectativas coletivas sobre eventos futuros em probabilidades

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Foto do autor Gabriel Serpa
Atualização:

Augusto Cury defende taxar as bets em 52%, mas evita detalhar corte de ministérios e ajuste fiscal

Candidato também defendeu uso de inteligência artificial para reduzir contratações e cortar gastos. Crédito: Imagens: Globo

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Proibida de operar no Brasil desde abril, a Polymarket reúne ao menos 40 mercados de apostas para as eleições gerais de 2026. A plataforma, sediada em Nova York (EUA), é um mercado de previsões que permite aos usuários arriscar palpites em centenas eventos diferentes pelo mundo, com uso de criptomoedas nas transações.

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A reportagem do Estadão identificou nesta quinta-feira, 10, uma série de negociações no site para as disputas à Presidência da República, aos governos de Estado e ao Senado Federal. Há também apostas que focam nos candidatos e em possíveis desfechos para os dois turnos das corridas eleitorais.

O Ministério da Fazenda declarou que acompanha a atuação de plataformas que oferecem apostas de forma irregular no Brasil e diz ter encaminhado para bloqueio mais de 68 mil sites. “O combate ao mercado ilegal é contínuo, uma vez que operadores irregulares podem utilizar diferentes mecanismos para tentar contornar as restrições de acesso.”

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A Polymarket afirmou que plataforma transforma expectativas coletivas sobre eventos futuros em probabilidades, em tempo real.

“Onde a negociação é permitida, os preços são formados entre os próprios participantes e se ajustam continuamente à entrada de novas informações, liquidez e expectativas, produzindo sinais informacionais públicos e atualizados em tempo real.” Confira a nota na íntegra abaixo.

Questionado pela reportagem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) preferiu não se manifestar sobre o assunto.

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Apesar da proibição pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), ferramentas que mascaram a origem da conexão, as VPNs, facilitam o acesso de apostadores brasileiros aos mercados de previsão, como a Polymarket.

O uso de VPNs não é vedado pela legislação. “É uma ferramenta neutra, que permite privacidade de dados e segurança”, afirma a advogada Taís Gasparian, especializada em direito digital. Contudo, o usuário que se vale do recurso para descumprir ordens judiciais ou burlar restrições, como a do CMN, comete ato ilícito.

Taís diz que apostadores brasileiros podem ser responsabilizados nas esferas civil, fiscal e criminal, e os ganhos também podem ser alcançados pela Justiça. Ela explica que, apesar de estar anônimo para o site, o usuário ainda pode ser identificado, já que o provedor da VPN deve manter os registros de acesso, como determina o Marco Civil da Internet. “Uma ordem judicial brasileira direcionada a uma empresa de VPN pode requisitar os dados, que permite a identificação do usuário.”

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Do outro lado está o monitoramento às casas de aposta online. Ao identificar domínios que violam as regras brasileiras, o Ministério da Fazenda aciona a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que determina às empresas prestadoras de serviço do setor a adoção dos bloqueios.

Também são barradas transações a operadores não autorizados, dentro e fora do território nacional. Depósitos via Pix no Brasil não estão disponíveis na Polymarket, mesmo com o uso de VPNs. Contudo, as criptomoedas são outra forma de driblar barreiras para meios de pagamento.

Mercado de previsões Polymarket está proibido no Brasil desde abril de 2026. 

Pouco pode ser feito

As eleições em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e outras 15 unidades federativas do País são objetos de apostas na plataforma, segundo apurou o Estadão. Temas correlatos também compõem a lista de mercados de previsão, como o comparecimento de candidatos a debates na televisão e um eventual afastamento do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Mesmo contrariando a resolução de abril do CMN, as eleições de 2026 devem continuar movimentando negociações e palpites na plataforma, já que a Polymarket não está sediada em território nacional. Casos como esse demandam um acordo de cooperação internacional para que medidas eficazes sejam levadas adiante. O mesmo vale para a disseminação de conteúdos enganosos entre os apostadores.

Na seção de comentários, predominam perfis de brasileiros com nomes fictícios que apostam e, ao mesmo tempo, opinam sobre a conjectura político-eleitoral do País. A maioria demonstra apoiar Jair Bolsonaro (PL) e seu filho mais velho, Flávio — senador da República que concorre ao Planalto neste ano pelo mesmo partido do ex-presidente. Outros sinalizam voto em Renan Santos, o candidato do partido Missão.

A combinação entre apostar e opinar está prevista nos termos de uso do Polymarket, que promete ao usuário “ficar informado e lucrar com o conhecimento, apostando em eventos futuros em diversos temas”.

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Contudo, a troca de informações distorcidas ou falsas é recorrente entre os apostadores. Um dos comentários afirma que o TSE aprovou a candidatura de Pablo Marçal (PRTB), declarado inelegível em agosto. O caso ainda espera por uma definição na Justiça Eleitoral, marcado para a próxima sexta-feira, 11. Outro perfil anônimo acusa institutos e pesquisas de intenção de voto de estarem manipulando a opinião pública.

Sobre isso, Taís Gasparian destaca que pouco pode ser feito pela Justiça brasileira. “Não acho que seja possível um pedido de remoção dos comentários sobre o processo eleitoral brasileiro e nem me parece haver tempo hábil para isso.”

Confira a nota da Polymarket na íntegra:

“A Polymarket é uma plataforma global de mercados preditivos que transforma expectativas coletivas sobre eventos futuros em probabilidades observáveis em tempo real. Onde a negociação é permitida, os preços são formados entre os próprios participantes e se ajustam continuamente à entrada de novas informações, liquidez e expectativas, produzindo sinais informacionais públicos e atualizados em tempo real.

A visualização pública de uma página ou de dados da plataforma não se confunde com a disponibilidade de funcionalidades de negociação. Essas funcionalidades estão sujeitas às regras e restrições aplicáveis em cada jurisdição que a Polymarket respeita, sem orientar usuários a contorná-las.

A Polymarket não faz recomendações de investimento, não apoia candidatos ou partidos e não apresenta seus dados como substitutos de pesquisas eleitorais, análises econômicas, informações oficiais ou jornalismo profissional."

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