A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva mudou significativamente a disputa pelo controle do Senado e, consequentemente, ajudou a dar fôlego ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que vinha acuado pelo caso Vorcaro.
Enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN), candidato do PL que tenta ocupar a presidência da casa, quer pautar o impeachment do ministro, o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil–AP), candidato à reeleição, já disse ser contra.
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Quando Flávio era o favorito, era jogo-jogado. O PL somou impressionantes 29 cadeiras para a próxima legislatura e com os partidos do centrão o apoiando, parecia simples fazer a presidência do Senado. Mais complicado seria chegar aos 54 votos necessários para impichar um ministro do Supremo, mas o ambiente político poderia criar uma espécie de “onda”.

Ao frustrar os planos dos Bolsonaros de voltar ao Planalto, Lula virou a partida favorecendo Alcolumbre e Moraes. Com Lula na presidência e o PL com a maior bancada, os dois lados agora vão precisar conquistar o centrão para atingir seus objetivos.
Lula manifestou seu apoio à eleição de Alcolumbre, pagando parte da fatura da ajuda que o presidente do Senado deu no pleito ao pautar o fim da jornada 6 por 1 às vésperas das eleições. O PT tem apenas 10 senadores, mas vai ter a máquina na mão.
O centrão embarcou com Flávio no segundo turno, mas são partidos sempre em busca de poder e devem se aproximar de Lula. Distribuição de cargos em diferentes esferas também pode ajudar. A federação União-PP, por exemplo, já anunciou apoio a Alcolumbre, apesar das pretensões da senadora Tereza Cristina (PP-MS) de também se candidatar à Presidência do Senado. Não se pode desprezar tampouco, claro, o poder de articulação do próprio Alcolumbre.
Já o PL reúne-se na próxima semana para decidir sua estratégia. O partido foi surpreendido pela fuga de Flávio para os Estados Unidos. A maioria quer a candidatura de Marinho, mas não é de espantar que alguns defendam até um acordo com Alcolumbre.
Outro fator que vai ser importante é o compromisso de senadores do centrão com impeachment de ministros do STF, particularmente de Moraes. Com o escândalo do contrato de R$ 129 milhões com Daniel Vorcaro, tirar Moraes do cargo virou promessa de campanha por todo o país. Qual é o tamanho da bancada do impeachment?
“O PL conquistou peso parlamentar para disputar a presidência do Senado, mas a reeleição de Lula preservou o poder de negociação do governo com os partidos de centro. O jogo, que antes parecia definido, se abriu de novo. O PL quase teve a vitória nas mãos e agora vai ter que voltar para o ringue” disse à coluna o cientista político Renato Dolci.
As eleições para a presidência da Câmara e do Senado ocorrem só em fevereiro do ano que vem, mas serão o grande teste de forças entre governo e oposição. E pouca gente vai observar tão de perto quanto os ministros do STF – particularmente Moraes.




