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Flávio Bolsonaro é investigado em 2º inquérito no STF para apurar suspeitas de lavagem com advogado

Moraes foi sorteado como relator do inquérito que envolve a relação do candidato à Presidência com o advogado Willer Tomaz; assessoria do senador diz que ele ainda não se tornou investigado no caso, embora fontes com acesso à investigação digam que ele está sendo investigado no processo

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Foto do autor Aguirre Talento
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BRASÍLIA - A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz.

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O inquérito chegou ao STF no dia 8 de outubro e foi distribuído por meio de sorteio. O relator sorteado foi o ministro Alexandre de Moraes.

Apesar de não ter tido acesso à investigação, que tramita em sigilo, a assessoria de imprensa da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou, em nota, que ele ainda não se tornou investigado no caso. Fontes com acesso à investigação, porém, confirmaram ao Estadão que Flávio já está sendo investigado no processo. Já a defesa de Willer Tomaz diz que se trata de uma “pescaria probatória” para “fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”. (Veja as íntegras abaixo)

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Com isso, o senador passou a ser investigado em dois inquéritos atualmente em tramitação no STF. O primeiro envolve o pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse e tramita sob relatoria de André Mendonça.

Fotografia de março de 2025, revelada pelo jornal O Globo, mostra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz durante uma viagem à África do Sul Foto: Reprodução

Essa nova investigação surgiu a partir de provas colhidas em um inquérito da PF que tramitava no Rio Grande do Sul na primeira instância e apurava suspeitas envolvendo plataformas de pagamento digital e o setor de apostas.

Ao longo da investigação, a PF diz ter identificado “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, primeira bet a obter autorização estadual no governo do Rio de Janeiro para explorar apostas esportivas. A PF diz que os dois sócios formais da Rede Loto possuem vínculos com o advogado. Por causa disso, ele passou a ser investigado.

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Após análise da quebra de sigilo da nuvem do celular de Willer, os investigadores identificaram vínculos entre o advogado e o senador Flávio Bolsonaro, que tem foro privilegiado. Por isso, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal.

“Registra-se, por fim, que o material analisado contém referências a autoridades detentora de foro por prerrogativa de função, notadamente parlamentar federal”, escreveu a PF.

“A análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política, incluindo políticos, servidores públicos, integrantes do Ministério Público e pessoas vinculadas ao Poder Judiciário (...). Entre os vínculos que merecem especial atenção está aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados”, diz a PF.

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O advogado também já havia sido alvo de busca e apreensão em agosto, autorizada pelo ministro André Mendonça na Operação Sem Desconto, por suspeita de ter realizado operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos para o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Nesse caso, Flávio Bolsonaro não foi alvo da apuração.

A nova investigação menciona registros de festas, encontros e reuniões entre Willer e Flávio, pagamentos de viagens ao parlamentar e também vínculo em uma conta bancária em nome da empresa Alcazar Holding, na qual Flávio era mencionado como “usuário master”. O vínculo de Flávio com a conta foi revelado pelo portal UOL e confirmado pelo Estadão. “Durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro. Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud de Willer”, diz a PF.

A PF menciona que uma das contas bancárias do advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões em um período de março a maio de 2025 e aponta que seria necessário aprofundar a origem e destinação dos recursos.

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Íntegra da nota da defesa do senador Flávio Bolsonaro

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A matéria publicada está errada. Flávio Bolsonaro não é investigado no Supremo Tribunal Federal. Os autos que chegaram à Corte sequer foram convertidos em inquérito, não houve manifestação da Procuradoria-Geral da República ou qualquer decisão judicial a respeito. Noticiar como “novo inquérito” o que não passa de um expediente recém-autuado, pendente de análise, distorce a realidade e induz o leitor a erro.

Íntegra da nota da defesa do advogado Willer Tomaz

Causa estranheza o vazamento, num domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, de um suposto inquérito até então desconhecido. Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas.

A Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas, e a Cathedral é tão somente uma holding patrimonial. Não houve circulação de recursos entre as empresas mencionadas; portanto, inexiste qualquer movimentação financeira irregular.

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É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático do advogado Willer Tomaz sirva de instrumento para uma “pescaria probatória” destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais.

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