Michelle Bolsonaro ganha PL Mulher, salário de R$ 33,7 mil e viagens pelo Brasil

Ex-primeira-dama, porém, só vai receber salário após liberação das contas da sigla pelo TSE

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Foto do autor Pedro  Venceslau

Em uma estratégia para tentar preservar o recall eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PL vai contratar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e entregar a ela o cargo de presidente do “PL Mulher”. A ideia, segundo interlocutores da sigla, é que ela e Walter Braga Netto, que foi candidato a vice-presidente em 2022, façam viagens pelo Brasil preparando o terreno para o lançamento de candidaturas a prefeito em 2024.

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, quer que o próprio Bolsonaro participe das viagens, mas o ex-presidente está recluso nos Estados Unidos desde dezembro do ano passado. Bolsonaro afirmou ontem, em entrevista ao The Wall Street Journal, que pretende voltar ao País em março para liderar a oposição. Já Michelle chegou ao Brasil disposta a se engajar na militância partidária.

A legenda decidiu que a ex-primeira-dama vai receber o mesmo salário de um deputado federal (R$ 33.763), mas o pagamento só começará a ser feito depois de março, se o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizar um novo desbloqueio parcial das contas.

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Em dezembro, o ministro determinou o desbloqueio de R$ 1,155 milhão do PL para o pagamento dos funcionários. O bloqueio das contas da sigla foi decidido por Moraes em novembro para o pagamento de uma multa de R$ 22,9 milhões por questionar o resultado da eleição presidencial. A decisão foi tomada após o PL pedir uma verificação do resultado do segundo turno nas eleições sem apontar fraudes.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pretende se tornar uma figura destacada do bolsonarismo pelo País.  Foto: Wilton Junior/Estadão

Salário

O PL também planeja pagar um salário de R$ 39 mil ao ex-presidente e ceder a ele um gabinete na sede do partido em Brasília, mas apenas após o desbloqueio e quando Bolsonaro voltar dos EUA. Já Braga Netto está despachando no PL, exercendo o papel de dirigente partidário ao lado de Valdemar. A ideia, segundo integrantes da sigla, é que ele seja nomeado para o cargo de secretário de Relações Institucionais ou secretário-geral.

A estratégia de preservar a marca Bolsonaro foi desenhada no momento em que o presidente do PL tenta, em outra frente, preservar a ala do partido que defende o apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Ex-primeira-dama intensifica atuação nas redes sociais

Mesmo sem ainda ter assumido formalmente o cargo, Michelle intensificou sua atuação nas redes sociais e tem participado de eventos políticos representando o marido. Além de postar fotos de Bolsonaro, ela até entrou no debate sobre o Banco Central e a taxa de juros.

Michelle repostou um post do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, no qual ele afirma que o responsável pela alta de taxa de juros não é o Banco Central, alvo de Lula, mas quem o ataca. “Quem apaga o fogo com gasolina não é bombeiro”, diz o presidente do PP na publicação.

Michelle Bolsonaro repostou publicação de Ciro Nogueira sobre Banco Central e taxa de juros. Foto: Captura de tela

A ex-primeira-dama esteve no jantar da bancada do PL que lançou a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) para presidente do Senado. Na ocasião ligou para Bolsonaro e colocou a chamada no viva voz.

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Diante da disposição de Michelle com a militância, o PL passou a ventilar o nome dela como candidata ao governo do Distrito Federal em 2026 ou mesmo à Presidência da República se Bolsonaro ficar inelegível.

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