Você se considera uma pessoa saudável simplesmente porque não sente nada?
Ausência de sintomas não significa ausência de riscos, alerta cardiologista. Crédito: Edição: Jefferson Perleberg
Gerando resumo
O período eleitoral pode ser um momento de fortes emoções, especialmente em uma disputa presidencial tão polarizada, como a que será decidida neste domingo, 25. Com as emoções à flor da pele, o corpo responde: batimentos cardíacos acelerados e aumento da pressão arterial — o que, geralmente, não é motivo para preocupação, mas pode acender um sinal de alerta em quem já tem alguma condição cardíaca prévia.
“O corpo acaba fazendo uma descarga de adrenalina muito intensa. Isso acaba sobrecarregando o sistema cardíaco, já que o coração começa a trabalhar mais forte e mais rápido. A pressão sobe e os vasos ficam mais fechados. Então, o organismo passa por todo um processo de adaptação ao estresse”, explica Gustavo Lenci Marques, cardiologista na Doctoralia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Para pessoas sem problemas cardiovasculares prévios, os impactos de emoções intensas tendem a ser bem tolerados. Na maioria dos casos, os sintomas passam sozinhos quando há alívio do estresse.
Já entre pacientes que convivem com algum quadro cardíaco — como hipertensão ou histórico de infarto — essas alterações representam um maior perigo. “Alguém que já infartou pode vir a ter um novo infarto. Pessoas com problema no coração podem piorar bastante”, resume o médico.
Agora, é importante ressaltar que nem todo mundo sabe que convive com um problema cardíaco até manifestar algum sintoma. Por isso, é preciso valorizar determinados sinais de alerta, como:
- crise de ansiedade;
- batimento cardíaco acelerado;
- e pressão mais alta do que o normal.
Já os sinais abaixo, mais graves, merecem uma avaliação médica imediata:
- dor no peito;
- desconforto torácico;
- falta de ar;
- tontura ou desmaios.
O caso Janones
O caso do deputado federal André Janones (Rede) é um exemplo de como momentos tensos do período eleitoral podem afetar o coração. Ele foi internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) com arritmia cardíaca após o debate presidencial promovido por Band e Estadão no último domingo.
A arritmia acontece porque o coração depende de impulsos elétricos para manter o ritmo dos batimentos e, quando há alterações nesse sistema, ele pode bater rápido demais, devagar demais ou de forma irregular.
“Quando passamos por um estresse muito forte e repentino, como o que aconteceu no debate, o corpo libera uma descarga imensa de hormônios como a adrenalina. Isso faz com que a eletricidade do coração fique instável de imediato”, afirmou Cristiane Zambolim, cardiologista do Pronto Atendimento do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em reportagem sobre o caso do deputado.
Quando o coração fica descompassado, ele perde a capacidade de bombear o sangue normalmente, e é aí que surgem os riscos. Se ele bate forte demais ou sem coordenação, a pressão arterial pode cair drasticamente e prejudicar o fluxo sanguíneo para o cérebro e outros órgãos vitais. Há também o risco de formação de coágulos, que podem se deslocar e causar um acidente vascular cerebral (AVC).
Leia também
6 sinais de que sua saúde cardiovascular merece mais atenção
Problema cardíaco não começa no coração; entenda e saiba como se proteger
Como proteger o coração
É fundamental tomar medidas de controle de estresse e manter bons hábitos de vida: praticar exercício físico, se alimentar de forma saudável, manter boa hidratação, evitar álcool, cigarro e energéticos, ter hobbies que aliviam as preocupações diárias e ter um sono de qualidade.
Mesmo com hábitos saudáveis, é essencial contar com acompanhamento regular de um profissional de saúde em caso de doenças cardiovasculares prévias.
Já no momento da apuração eleitoral — ou de qualquer outro evento que gere um pico de estresse —, as técnicas de respiração controlada costumam funcionar bem, diz Marques. Se distanciar de um momento de tensão, como uma discussão acalorada com familiares ou a apuração dos votos, também é importante quando os sintomas físicos começam a ser percebidos.
E, para quem tem problemas cardiovasculares, mas deseja continuar participando de eventos que naturalmente provocam fortes emoções, alguns ajustes podem ser necessários. “Às vezes, é possível mudar o horário dos remédios, evitar lugares superlotados ou muito quentes e não ficar sozinho, além de entender os limites de consumo de álcool. Em alguns casos, a pessoa também pode receber orientação para uma medicação mais adequada à ocasião”, informou Fernanda Weiler, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, em reportagem do Pulsa.
