Capela histórica do Cemitério do Araçá é reaberta após revitalização; veja como ficou

Obra custou R$ 1 milhão e durou seis meses; recuperação de espaço na zona oeste de São Paulo inclui estruturas internas e externas

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Por Gilberto Barbosa
Atualização:

'Não mudaremos concessão dos cemitérios em SP'

Responsável pela fiscalização rebate críticas de cobranças abusivas, mas reconhece ‘falhas na execução dos serviços’. Crédito: João Manoel da Costa Neto, diretor-presidente da SP Regula, agência responsável pela fiscalização das concessões da Prefeitura de SP

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Após ficar fechada por seis meses para reformas, a histórica capela do Cemitério do Araçá, na zona oeste de São Paulo, foi reaberta. A intervenção no espaço, inaugurado em 1897, custou R$ 1 milhão. Além da recuperação da fachada e da cobertura, a obra incluiu a substituição dos vitrais, renovação da parte elétrica e da iluminação, troca do mobiliário e melhorias na acessibilidade e na climatização.

Localizado na Avenida Dr. Arnaldo, o Cemitério do Araçá foi o quarto a ser criado em São Paulo. O terreno de 220 mil metros quadrados abriga mais de 23 mil jazigos e esculturas de artistas como Eugênio Prati, Gildo Zampol, Armando Zago e Victor Brecheret.

Cemitério do Araçá foi inaugurado em 1897 e abriga mais de 23 mil jazigos Foto: Werther Santana/Estadão

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“É um cemitério onde a arte tumular está muito presente. Onde podemos relembrar a vida dessas pessoas que ajudaram a urbanizar a cidade e a construir as indústrias e o comércio”, diz a historiadora Viviane Comunale.

Estão sepultados no Cemitério do Araçá nomes como a advogada e defensora dos direitos humanos Eunice Paiva, o jornalista e empresário Assis Chateaubriand, e as atrizes Cacilda Becker e Nair Bello.

Cerimônia de reabertura foi realizada na quinta-feira. Foto: Werther Santana/Estadão

A reforma da capela histórica permite a realização de missas, velórios e casamentos no local. A revitalização da capela é parte de um projeto de renovação do cemitério. O plano inclui pavimentação, recuperação de árvores, reformas nas salas de velório, muros, gradis, além de uma nova agência funerária. O objetivo é concluir as obras até o fim do ano.

“Assumimos esse cemitério com a obrigação de digitalizar os livros, fazer o recadastramento dos mortos, localizar as suas famílias e realizar intervenções com as obras”, diz Ricardo Polito, presidente da Cortel, concessionária responsável pela administração do Araçá.

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Em São Paulo, a empresa também faz a gestão dos cemitérios Santo Amaro (zona sul), Vila Nova Cachoeirinha (norte), São Paulo (oeste) e Dom Bosco (norte).

Montagem mostra o antes e depois da capela histórica do Cemitério do Araçá.  Foto: Reprodução/Cemitério do Araçá e Werther Santana/Estadão

História ligada ao crescimento da cidade

Aline Silva Santos, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), lembra que o Cemitério do Araçá foi construído para atender a uma demanda crescente da cidade no fim do século 19, sendo utilizado para o sepultamento de integrantes da classe média e profissionais liberais, incluindo imigrantes.

“Quando ele foi implantado, aquela área era considerada longe do centro. A cidade era bem menor que hoje. A premissa era de que os cemitérios ficassem fora das aglomerações urbanas, pois acreditava-se que contaminavam o ar, transmitindo doenças”, explica Aline.

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A reforma da capela histórica permite a realização de missas, velórios e casamentos no local. Foto: Werther Santana/Estadão

O Araçá abriga o Mausoléu da Polícia Militar do Estado de São Paulo, construído durante a ditadura militar (1964-1985). Na década de 1990, o Cemitério do Araçá passou a abrigar também os restos mortais de desaparecidos políticos encontrados na vala clandestina do cemitério Dom Bosco, em Perus.