Quem é Fernando Sastre, condutor de porsche condenado a 17 anos de prisão

Empresário atuava nos setores imobiliário e de materiais de construção civil. A defesa dele não foi localizada

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Por Redação
Atualização:

Caso Porsche: Polícia científica faz reconstituição 3D do acidente que matou motorista de aplicativo

Caso aconteceu na zona leste de SP; motorista do veículo, Fernando Sastre de Andrade Filho, está preso.

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Mais de dois anos após o acidente que matou o motorista de aplicativo Orlando da Silva Viana, de 52 anos, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, um mês e dez dias de prisão nesta sexta-feira, 30. Na ocasião, ele dirigia um Porsche 911 que atingiu o carro da vítima, na zona leste de São Paulo.

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Na época da colisão, em 31 de março de 2024, o empresário tinha 24 anos e atuava nos setores imobiliário e de materiais de construção civil. Segundo a Polícia Civil, ele tinha participação em quatro empresas da família.

Uma delas é a incorporadora Sastre Empreendimentos Imobiliários, da qual Fernando constava como sócio. Fundada em outubro de 2020, a empresa tem sede na capital paulista e capital social declarado de R$ 430 mil. O quadro societário é composto por quatro pessoas da mesma família.

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Outra empresa ligada aos familiares é a F. Andrade, que comercializa ferro e aço para construção civil. Classificada como de pequeno porte, a distribuidora também tem sede em São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência registrado no 30º Distrito Policial, no Tatuapé, a empresa era proprietária do Porsche Carrera envolvido no acidente, avaliado em mais de R$ 1 milhão.

Sastre também foi condenado pelas lesões causadas a Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo que estava no veículo e ficou gravemente ferido na colisão. Ele precisou passar por uma cirurgia para a retirada do baço.

As investigações apontaram ainda que o empresário havia consumido bebida alcoólica antes de assumir a direção. A defesa dele não foi localizada.

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Empresário disse que se arrepende do crime

A sentença, que prevê o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado, foi anunciada na madrugada desta sexta-feira, após dois dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Além da pena de prisão, a decisão determinou que Sastre fica proibido de conduzir veículos automotores.

Durante o julgamento, o empresário afirmou estar arrependido do que fez e de não ter contado a verdade desde o início das investigações.

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Com a condenação, Sastre também fica proibido de dirigir veículos automotores. Foto: Reprodução/TV Globo

“Poderia colocar mil desculpas, mas não tem justificativa para isso que eu fiz. Me arrependo profundamente de não ter contado a verdade desde o início”, afirmou durante depoimento no júri. As imagens foram divulgadas pela TV Globo.

Interferência da mãe e fuga

O julgamento começou na quarta-feira, 28, e teve 11 testemunhas ouvidas ao longo dos dois dias, de um total de 14 arroladas no processo. Entre elas estavam a policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão, que participou do atendimento da ocorrência e liberou o empresário sem que ele realizasse o teste do bafômetro, e o perito criminal Alfredo Vieira das Neves, contratado pela defesa.

A conduta dos policiais militares durante o atendimento também foi questionada pelo Ministério Público. Segundo a Promotoria, os agentes permitiram que Sastre deixasse o local do acidente acompanhado da mãe, que sugeriu levá-lo a um hospital para a realização de exames.

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O empresário, porém, seguiu para casa e só compareceu à delegacia cerca de 36 horas após a colisão. Para a acusação, a liberação sem a realização do teste do bafômetro comprometeu o andamento das investigações e dificultou a apuração das circunstâncias do acidente.

Os policiais foram denunciados pela Promotoria de Justiça Militar pelo crime de inobservância de lei, na modalidade de tolerância, previsto no artigo 324 do Código Penal Militar.

Relembre o acidente

A colisão aconteceu na Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. Sastre dirigia um Porsche quando atingiu a traseira do Renault Sandero conduzido por Viana. A perícia apontou que o veículo de luxo trafegava a 156 km/h, mais de três vezes o limite permitido na via, de 50 km/h. O motorista de aplicativo chegou a ser socorrido, mas morreu em decorrência de um traumatismo cranioencefálico.

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Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, condutor do Porsche envolvido no acidente de trânnsito que matou o motorista de aplicativo Ornaldo dos Santos Viana. Foto: DIV

Eugênio Malavasi, advogado de Sastre, afirmou ao Estadão que a defesa respeita a decisão dos jurados, mas discorda do resultado e já apresentou recurso de apelação. “No entender da defesa, a decisão contraria de forma manifesta a prova dos autos, e nós iremos, em grau de apelação, buscar a anulação deste júri”, declarou.