Como se proteger da ação de gangues do ‘quebra-vidro’? Veja 5 dicas

Ocorrências têm chamado a atenção para além da região central de SP; SSP afirma que o enfrentamento aos roubos e furtos de celulares é realizado de ‘forma contínua e estratégica’

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Foto do autor Ítalo Lo Re
Atualização:

Ação de quebra-vidro na Vila Mariana

Câmera de segurança flagra homem furtando carro na Rua França Pinto. Crédito: Arquivo Pessoal

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Os roubos cometidos pelas chamadas gangues “quebra-vidro”, que miram motoristas e passageiros no trânsito, têm mobilizado a adoção de medidas de segurança por moradores de São Paulo. As ações vão desde restringir o uso de celular no carro, para não chamar a atenção de ladrões, até instalar películas antivandalismo.

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Como mostrou o Estadão, ocorrências desse tipo de crime têm chamado a atenção para além da região central, com casos em vias da zona norte e também por bairros como Perdizes (oeste) e Ipiranga e Vila Mariana (sul).

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) afirma que o enfrentamento aos roubos e furtos de celulares é realizado de “forma contínua e estratégica em todo o Estado, com base na análise da mancha criminal e no direcionamento do policiamento ostensivo em pontos de maior incidência”, a exemplo de vias com congestionamento e grande fluxo de veículos.

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“É onde estamos colocando motos e drones (para coibir esse tipo de ação)”, afirmou ao Estadão o coronel Carlos Henrique Lucena, coordenador operacional da Polícia Militar. Segundo ele, os criminosos agem em áreas diversas, mas miram sobretudo pontos com trânsito intenso de carro em horários de maior circulação.

Câmera de segurança flagra ação de quebra-vidro na Vila Mariana Foto: Conseg Vila Mariana

No mês passado, pelo menos 70 suspeitos foram detidos em uma megaoperação da PM de combate a ações de quebra-vidro e ao tráfico de drogas. A ofensiva, que mobilizou mais de 2 mil agentes, mirou endereços principalmente na região central. “São áreas que foram previamente mapeadas pelo poder de zoom de drones”, disse Lucena.

Entre os períodos mais críticos para ação de gangues quebra-vidro, segundo o coronel, estão os dias que antecedem ou sucedem fins de semana e feriados. As ações normalmente se dão em horários com maior trânsito, como no começo da manhã ou no fim da tarde.

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O Estadão listou algumas dicas com base em entrevistas com autoridades policiais, vítimas e profissionais que trabalham com soluções de proteção no setor automotivo ou mesmo com segurança pública.

1. Ficar em alerta em pontos críticos

“A melhor forma de lidar com isso é ficar atento, especialmente nos cruzamentos”, afirma Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Uma dica, segundo ele, é parar o veículo no semáforo em faixas mais centrais e que fiquem menos expostas às ações de criminosos. “Assim tem sempre outro carro para impedir um acesso fácil”, diz.

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Outra recomendação é também ficar em pontos com possíveis áreas de escape mapeadas, para o carro não ficar “enclausurado”. Segundo autoridades, os ladrões escolhem justamente veículos com pouca margem de escape, até para dificultar fuga durante a ação.

2. Mapear quais são esses endereços

Antes de saber o que fazer em pontos críticos, é preciso saber quais são eles. Entre os pontos já conhecidos pela ação de gangues quebra-vidro na região central, estão, por exemplo, a Baixada do Glicério, o Viaduto Julio de Mesquita Filho e as avenidas do Estado e Tiradentes.

A ciência de alguns dos pontos que são alvo de ações mais frequentes pode fazer a diferença, embora qualquer endereço com engarrafamento possa sofrer com a atuação de gangues quebra-vidro. “É um crime de oportunidade”, disse o coronel Carlos Henrique Lucena.

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No último dia 1º, uma câmera de segurança flagrou a ação de um quebra-vidro na Rua França Pinto, que corta a Vila Mariana, ligando a Rua Vergueiro ao Parque do Ibirapuera. Pouco antes das 9h da manhã, um homem avança correndo sobre um carro para furtar o celular da vítima. Logo depois, foge correndo com um comparsa no sentido oposto (vídeo no início da reportagem).

Procurada, a secretaria disse que não localizou registro da ocorrência citada. “No entanto, o 36º Distrito Policial (Vila Mariana), ciente dos fatos, iniciou diligências no local para busca de mais imagens e elementos que auxiliem na identificação do autor”, informou.

3. Restringir uso do celular no carro

Vítimas ouvida pelo Estadão relatam que, sobretudo após passarem por casos traumáticos, passaram a restringir ou mesmo abolir a utilização de celulares nos carro – segundo autoridades, muitas vezes os criminosos se guiam pela luminosidade das telas para escolher os alvos, o que faz com que mesmo motoristas de aplicativo recomendem guardar o celular em alguns pontos.

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Em fevereiro, a câmera do carro de um motorista de aplicativo registrou o momento em que um ladrão quebrou o vidro do veículo para tentar levar os celulares de um casal de passageiros nos arredores da Avenida do Estado, no centro. Os aparelhos acabaram não sendo levados.

Vídeo mostra momento em que gangue 'quebra-vidro' ataca casal em carro perto do Mercadão de SP

Crédito: Ricardo Lima/ Arquivo pessoal

4. Tomar alguns cuidados se for necessário usar o aparelho

Alguns casos dão a dimensão de como os criminosos se guiam pelas luzes das telas dos celulares. “Eu recebi uma notificação no celular e a luz acendeu. Foi a hora que aconteceu”, disse a médica veterinária Letícia Figueiredo, de 29 anos, que sofreu uma tentativa de assalto quando estava com o celular apoiado na perna. Por sorte, o celular não foi levado. “Caiu embaixo do banco.”

Ao mesmo tempo, Letícia acabou fraturando o dedo anelar, que ficou preso no cinto de segurança. Ela ficou com sequelas após passar por cirurgia. “Não tenho tanta força na mão, não consigo apertar como antes”, diz ela.

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Vítima teve de operar o dedo após ação na zona norte da capital Foto: Arquivo pessoal

O caso aconteceu em junho do ano passado no cruzamento da Engenheiro Caetano Álvares com a Rua Zilda. “Atualmente, a gente até passa por lá (no local onde aconteceu a tentativa de roubo), mas só em último caso. Senão, a gente dá a volta, faz outro caminho.”

Uma dica é, no caso de passageiros, sempre utilizar os celulares de forma discreta ou quando o carro estiver em movimento, o que evita a exposição em momentos de trânsito ou no semáforo.

No caso dos motoristas, a recomendação é, quando houver necessidade de usar o GPS, manter o aparelho em um patamar mais baixo no painel e/ou mesmo com estruturas de suporte mais firmes.

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Sua rua é perigosa? Radar da Criminalidade do 'Estadão' mostra roubos e furtos em todos os endereços

Ferramenta interativa permite consultar o nº de crimes em cada ponto da cidade com base em dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado. Crédito: Amanda Botelho e Vitor Zanon/Estadão

5. Instalar películas antivandalismo

A instalação de películas antivandalismo tem ganhado força diante da recorrência da ação de gangues quebra-vidro na capital paulista, mas é necessário tomar alguns cuidados. Uma vítima ouvida pelo Estadão, uma advogada de 27 anos que preferiu não se identificar, afirmou que, no caso dela, a medida não foi suficiente para evitar que o ladrão conseguisse quebrar o vidro.

“Segundo a pessoa para onde a gente levou o carro, a película tinha sido instalada de forma errada, por isso não protegeu”, afirmou Renata (nome fictício), que sofreu ume tentativa de assalto na Avenida Paulo VI, conhecida como Avenida Sumaré, praticamente embaixo da Estação Sumaré da Linha 2-Verde do Metrô.

Carro danificado após ação de quebra-vidro na Avenida Paulo VI Foto: Arquivo pessoal

Os fatores para o material não ter tido o efeito desejado podem ser diversos. Um profissional que trabalha com instalação de películas consultado pelo Estadão afirma que a forma de fixar essas proteções, que em alguns casos demanda até semanas de cuidado, é determinante – por isso a importância de procurar locais mais consolidados.

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O profissional disse também que é importante se atentar que há diferentes níveis de películas: desde as dos modelos PS4 ou PS8, mais finas e que protegem apenas contra alguns tipos de impacto, até as do tipo PS14, com mais de 0,30 milímetro. Nenhum desses níveis, ainda assim, equivale à blindagem, que protege inclusive contra disparos de arma de fogo de determinados calibres.

Na prática, nenhuma película garante uma proteção completa contra a ação de criminosos, mas elas elevam a segurança do motorista e dos passageiros, uma vez que se acoplam ao vidro e evitam com que os estilhaços se espalhem e a vítima fique exposta.

“Elas funcionam ao manter o vidro estilhaçado coeso, dificultando o acesso imediato ao interior do veículo”, explica Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpvs Segurança, empresa especializada em soluções integradas de telemetria, monitoramento e segurança operacional.

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Segundo ele, as soluções mais eficazes são aquelas que combinam camadas de proteção, e não dependem de um único recurso. Entre elas, estão as chamadas câmeras veiculares, que podem aumentar o raio de observação do motorista diante de pontos mais críticos e, a depender do modelo, até dar alertas de movimentações suspeitas nos arredores dos casos.

Como já mostrou o Estadão, investigações apontam que, para quebrar os vidros, criminosos recorrem tanto a vídias de corte, objeto pontiagudo normalmente usado na indústria, como a pedras e até mesmo ao cotovelo. Em alguns casos, os ladrões se comunicam com comparsas posicionados em áreas mais altas, que informam em quais carros há celular aparente.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o caso do qual a advogada foi vítima, ocorrido em fevereiro deste ano, é investigado pelo 14º Distrito Policial (Pinheiros), que atua para identificar o autor. “A Polícia Militar acompanha os registros e reforçou o policiamento nas áreas com maior incidência criminal”, afirma.

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A pasta complementa que, além das ações realizadas pela PM, a Polícia Civil atua com investigações voltadas à identificação de autores e à repressão da receptação, a roubos de celulares, “altamente visados em casos de quebra-vidro”.

“Como resultado dessas ações, os indicadores apresentam queda: no primeiro bimestre de 2026, houve redução de 26,7% nos roubos de celulares no Estado, com 4,7 mil ocorrências a menos em relação ao mesmo período de 2025″, disse a pasta.