Em todo verão, o cenário se repete: as chuvas provocam alagamentos e inundações, afetando o funcionamento do transporte público e gerando caos em uma cidade que historicamente sofre com insuficientes obras e planos de drenagem. Somente em janeiro deste ano, foram confirmadas três mortes relacionadas a enxurradas na capital paulista.
A mais recente Carta Geotécnica de Aptidão à Urbanização da cidade de São Paulo indica esse cenário, na qual estão indicadas as características e vulnerabilidades do solo paulistano. De 2024, aponta que 23,9% do território tem baixa ou nenhuma “aptidão” a novas construções, por exemplo, enquanto a “alta aptidão” abrange cerca de 16,8% — a grande maioria já ocupada, a exemplo da região da Avenida Paulista.
A carta considera graus de suscetibilidade a inundações, afundamentos, deslizamentos, alagamentos, erosão e mais problemas geológicos e hidrológicos, dentre outros pontos. Para tanto, divide a cidade em 20 unidades geotécnicas — as quais podem ser consultadas em mapa interativo do Estadão a seguir.
Segundo o estudo, a maioria do território paulistano (59,2%) é de locais com “média aptidão” para a expansão urbana. Dentre eles, estão trechos de Perdizes, na zona oeste, e o entorno da Estação Tatuapé do Metrô, na zona leste.
Na prática, esse apontamento avalia como possível uma maior transformação das áreas de “média aptidão”. Há o destaque, porém, que passem por estudos geológicos e hidrológicos antes do projeto, a fim de avaliar adaptações necessárias e possíveis vulnerabilidades significativas.
Já os locais de “baixa” e nenhuma aptidão têm maior potencial para incidentes, como em parte das várzeas dos principais rios, como Tietê e Pinheiros, a exemplo de trechos da Vila Leopoldina, da Barra Funda e do Alto de Pinheiros. Nessas situações, recomenda-se avaliação mais detalhada e não ocupação em casos de “alta suscetibilidade”.
Os locais mais vulneráveis abrangem especialmente o entorno de rios. Nessas áreas, há o chamado “solo mole” (ou “compressível”), com sedimentos transportados por cursos hídricos e que tem alta concentração de material orgânico, elevado teor de umidade e resistência “pouco satisfatória” para suportar cargas.

A carta foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) em parceria com a Prefeitura. É voltada a embasar o planejamento territorial, políticas públicas urbanas e a gestão de risco, com o objetivo de orientar um desenvolvimento urbano adequado, seguro e sustentável.
O que foi mapeado na carta geotécnica de São Paulo?
O mapa interativo abaixo permite identificar o zoneamento geotécnico de cada área, elaborado a partir de microdados públicos. A ferramenta multimídia também permite a busca por endereço.
A carta geotécnica é feita em escala macro, de modo que sua classificação abrange a maior parte de um território, mas não necessariamente por completo. Isto é, um endereço não é necessariamente suscetível a inundação por estar em uma unidade geotécnica com essa propensão.
Entre os dados de cada unidade geotécnica, estão aptidão à urbanização (inapta, baixa, média e alta) e eventos mais suscetíveis (como inundação, alagamento, erosão, afundamento e outros). A ferramenta multimídia também permite a busca por endereço.
No caso de locais com “solos moles”, trata-se de uma característica ligada a algumas unidades geotécnicas. Por isso, para visualizar a unidade específica de um local com essa classificação, é preciso que seja a única marcada na ferramenta.
Após a visualização do mapa, há um resumo sobre algumas das principais características de cada unidade geotécnica. Confira o mapa interativo abaixo:
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Unidade geotécnica I
Formada por áreas com sedimentos aluviais (ligados à ação das águas). Em geral, abrange locais com “baixa aptidão” à urbanização ou inaptas, com suscetibilidade alta a inundação, alagamento, enxurrada, erosão fluvial, solapamento de taludes e assoreamento.
Também há tendência a recalques acentuados e movimentos de massa (deslocamento de solo e fragmentos, como em desmoronamentos) em obras e aterros construídos sobre solo mole (geralmente mais próximas de rio). Vulnerabilidade alta a poluição e contaminação de aquífero subterrâneo.
A carta geotécnica indica não ocupar os locais de maior suscetibilidade a inundação e alagamento. Em áreas de média suscetibilidade e/ou com solos moles, sugere avaliação por meio de “estudos geológico-geotécnicos e hidrológico-hidráulicos em nível de detalhe”.
Para locais com construções existentes, recomenda a análise de perigo e setorização de risco, a atenuação da impermeabilização do solo, dentre outros.
Unidade geotécnica II
Formada por áreas com sedimentos aluviais. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, com suscetibilidade média a inundações e alagamentos eventuais e alta para poluição/contaminação de aquíferos.
Também há tendência a recalques acentuados e movimentos de massa (deslocamento de solo e fragmentos, como em desmoronamentos) em obras e aterros construídos sobre solo mole (geralmente mais próximas de rio).
A carta geotécnica indica que novas construções nas áreas de média aptidão mediante estudos geológico-geotécnicos e hidrológico-hidráulicos em nível de detalhe. Para locais com construções existentes, são recomendadas análise de perigo e setorização de risco, atenuação da impermeabilização do solo, dentre outras.
Unidade geotécnica III
Formada por áreas de arenitos, siltitos e argilitos e de solos residuais maduros. Em geral, considerada de “alta aptidão” para a urbanização, com baixa suscetibilidade a deslizamentos, recalque e afins e suscetibilidade média a erosão pluvial localizada. Vulnerabilidade média a poluição e contaminação de aquífero subterrâneo.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível básico. Em áreas já ocupadas, uma recomendação é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica IV
Formada por áreas de lamitos e arenitos e de solos residuais maduros. Em geral, considerada de “alta aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidades baixas a deslizamento, recalque e afins e suscetibilidades de média a alta para erosão pluvial localizada. Vulnerabilidade média a poluição/contaminação de aquífero subterrâneo.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível básico. Em áreas já ocupadas, são recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica V
Formada por áreas de granitos e granitoides e de solos residuais maduros, em colinas. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidades baixa a deslizamentos e alta para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha (em encostas naturais e taludes de corte) e recalques (associado a blocos/matacões no subsolo) em trechos localizados.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, recomenda-se análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica VI
Formada por áreas de gnaisses e migmatitos (tipos de rochas) e de solos residuais maduros, em colinas. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidades baixa a deslizamento e de média a alta para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha (em encostas naturais e taludes de corte) e recalques (associado a blocos/matacões no subsolo) em trechos localizados.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, recomenda-se análise de perigo e setorização de risco se identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica VII
Formada por áreas de xistos e quartzitos e de solos residuais maduros em colinas. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidades baixa a deslizamento e de média a alta para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha localizada (em encostas naturais e taludes de corte).
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, recomenda-se análise de perigo e setorização de risco se identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica VIII
Formada por áreas de filitos e metabásicas (tipos de rocha) e de solos residuais maduros, em colinas. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidades baixa a deslizamento e média a erosão pluvial. Pode ter queda de rocha localizada (em encostas naturais e taludes de corte).
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, recomenda-se análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica IX
Formada por áreas de metacarbonatos e solos residuais maduros argilosos, em relevo variado. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidades de baixa a média para deslizamento, além de média para erosão pluvial e de médias a alta para subsidência (afundamento lento) e colapsos de solo. Pode ter queda de rocha localizada (em encostas naturais e taludes de corte).
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica X
Formada por áreas de arenitos, siltitos e argilitos e de solos residuais maduros, em morrotes. Em geral, considerada de “alta aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade baixa a deslizamento, recalque e outros processos, enquanto tem suscetibilidade de média a alta a erosão pluvial localizada.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível básico. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XI
Formada por áreas de lamitos e arenitos e de solos residuais maduros, em relevo variado. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade baixa a deslizamento, recalque e outros processos (desagregação superficial/empastilhamento e recalque), enquanto tem suscetibilidade de baixa a alta para erosão pluvial.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XII
Formada por áreas de granitos e granitóides e de solos residuais maduros, em relevo variado. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade baixa a deslizamento e alta para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha (em encostas naturais e taludes de corte) e recalques (associado a blocos/matacões no subsolo) em trechos localizados.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XIII
Formada por áreas de gnaisses e migmatitos e de solos residuais maduros, em relevo variado. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade baixa a deslizamento e de média a alta para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha (em encostas naturais e taludes de corte) e recalques (associado a blocos/matacões no subsolo) em trechos localizados.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XIV
Formada por áreas de gnaisses e migmatitos e de solos residuais maduros, em relevo variado. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade baixa a deslizamento e de média a alta para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha (em encostas naturais e taludes de corte) e recalques (associado a blocos/matacões no subsolo) em trechos localizados.
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XV
Formada por áreas de filitos e metabásicas e de solos residuais maduros, em relevo variado. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade baixa a deslizamento e média a erosão pluvial. Pode ter queda de rocha localizada (em encostas naturais e taludes de corte).
A carta geotécnica diz que novas construções tendem a ser viáveis, mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XVI
Formada por áreas de granitos e granitóides e de solos jovens, em morros altos. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade de média a alta para deslizamento e alta para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha (em encostas naturais e taludes de corte) e recalques (associado a blocos/matacões no subsolo) em trechos localizados.
A carta geotécnica diz que novas construções não são recomendadas em áreas de alta suscetibilidade a deslizamentos e afins, enquanto podem ser viáveis nas demais mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XVII
Formada por áreas de gnaisses e migmatitos e de solos residuais jovens, em morros altos. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade de médias a alta para deslizamento e erosão pluvial. Pode ter queda de rocha (em encostas naturais e taludes de corte) e recalques (associado a blocos/matacões no subsolo) em trechos localizados.
A carta geotécnica diz que novas construções não são recomendadas em áreas de alta suscetibilidade a deslizamentos e afins, enquanto podem ser viáveis nas demais mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XVIII
Formada por áreas de xistos e quartzitos e de solos residuais jovens, em morros altos. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade de média a alta para deslizamento e erosão pluvial. Pode ter queda de rocha localizada (em encostas naturais e taludes de corte).
A carta geotécnica diz que novas construções não são recomendadas em áreas de alta suscetibilidade a deslizamentos e afins, enquanto podem ser viáveis nas demais mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XIX
Formada por áreas de filitos e metabásicas e de solos residuais jovens, em morros altos. Em geral, considerada de “média aptidão” para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade de média a alta para deslizamento e média para erosão pluvial. Pode ter queda de rocha localizada (em encostas naturais e taludes de corte).
A carta geotécnica diz que novas construções não são recomendadas em áreas de alta suscetibilidade a deslizamentos e afins, enquanto podem ser viáveis nas demais mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.
Unidade geotécnica XX
Formada por áreas de litologia cristalina variada (com destaque aos granitos e granitóides) e de solos residuais jovens, em serras. Em geral, considerada de “baixa aptidão” ou inapta para a urbanização, predominantemente com suscetibilidade de média a alta para erosão pluvial e alta para enxurrada e movimentos de massa (deslizamento, queda de rocha etc).
A carta geotécnica diz que novas construções não são recomendadas em áreas de alta suscetibilidade a deslizamentos e afins, enquanto podem ser viáveis nas demais mediante estudos geológico-geotécnicos em nível de detalhe. Em áreas já ocupadas, uma das recomendações é fazer análise de perigo e setorização de risco quando forem identificadas ocorrências ou evidências de instabilidade, dentre outras.

