O que é colesterol HDL? Entenda a função do ‘colesterol bom’ no corpo

Níveis adequados dessa lipoproteína estão associados a um menor risco de doenças cardíacas

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Atualização:

Qual é a diferença entre colesterol bom e ruim? Veja como mantê-los em níveis saudáveis

Embora o colesterol seja um tema conhecido, ainda existem muitas dúvidas sobre os reais efeitos do HDL e LDL no organismo. Crédito: Jefferson Perleberg

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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O colesterol é uma substância gordurosa, parecida com cera, que está presente naturalmente no nosso corpo. Ele é essencial para o funcionamento do organismo porque participa da produção de hormônios, da vitamina D e de componentes que ajudam na digestão.

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Como outros lipídios (gorduras), ele não se mistura bem com a água. Por isso, não circula sozinho no sangue: viaja pela corrente sanguínea pegando carona com proteínas, formando as chamadas lipoproteínas.

Essas partículas funcionam como transportadoras e as principais são a HDL (lipoproteína de alta densidade, na sigla em inglês) e a LDL (lipoproteína de baixa densidade).

Embora o colesterol seja a mesma substância, ele costuma ser classificado de acordo com as proteínas que o transportam no sangue. Por isso são famosos estes dois tipos: o colesterol HDL, que é conhecido como “bom”, e o LDL, que tem a fama de “ruim”.

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HDL protege o coração e deve ter bons níveis no corpo. Foto: Adobe Stock

Para que serve o colesterol HDL

O HDL é do bem porque é responsável por um processo chamado transporte reverso do colesterol. Isso significa que ele retira o excesso de colesterol das células e das paredes das artérias e o leva de volta ao fígado. Assim, pode-se dizer que tem uma trajetória oposta à do LDL, que leva o colesterol do fígado para outros órgãos.

O problema é que, em excesso, o LDL pode se juntar a triglicerídeos, que são gorduras que vêm de calorias não gastas, e começar a se acumular nas paredes das artérias, os vasos que levam sangue do coração para os órgãos e tecidos.

Quando os níveis de HDL estão baixos ou os de LDL estão muito altos, o risco de desenvolver problemas cardiovasculares aumenta. Isso inclui quadros como aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias, dificultando a passagem do sangue), infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Por que níveis altos de HDL são bons?

Existe uma relação entre LDL alto e doenças do coração. Com o tempo, esse colesterol “ruim” sofre oxidação, passa por um processo de cristalização e forma placas de gordura que dificultam a passagem do sangue, a aterosclerose.

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O HDL, então, passa como um caminhão, recolhendo a substância. Depois, ele transporta essa carga até o fígado. Lá, o colesterol pode ser excretado na bile (líquido digestivo) e eliminado pelas fezes ou reutilizado para a produção de sais biliares.

Por isso, níveis altos de HDL não representam uma ameaça: longe disso, funcionam como fator protetor contra o “entupimento” das artérias e suas consequências. Estima-se que o HDL transporte entre 25% e 30% do colesterol LDL.

Além disso, ele possui funções extras que valem destaque. “Ele tem propriedades anti-inflamatórias, antiapoptóticas (evita a morte de células) e antioxidantes”, explica Fabiana Hanna Rached, cardiologista da Unidade Clínica de Aterosclerose do Instituto do Coração (InCor/USP) e diretora cientifica do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Com isso, evita ainda que o colesterol ruim seja oxidado, inibindo a inflamação da parede arterial. “Quanto mais inflamação, maior o desenvolvimento da placa aterosclerótica”, explica a médica.

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O que é considerado um nível bom de HDL?

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O valor mínimo aceitável de HDL é acima de 40 mg/dL, mas, para os especialistas, o bom mesmo é que ele esteja acima de 60 mg/dL, pois isso traz maior proteção contra doenças cardiovasculares.

De maneira geral, segundo a diretriz da SBC, os níveis recomendados de colesterol são:

  • Colesterol total (soma de HDL e LDL): abaixo de 200 mg/dL;
  • Colesterol LDL: abaixo de 130 mg/dL para pessoas com risco baixo;
  • Colesterol HDL: acima de 40 mg/dL.

Vale dizer que pacientes que já tiveram um infarto ou têm diagnóstico de doença cardiovascular são considerados de risco “muito alto”. Nesses casos, o valor ideal de LDL é abaixo de 50 mg/dL.

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Já para pessoas com risco intermediário, como aquelas com histórico familiar de doença coronariana em idade jovem ou sinais de síndrome metabólica, o valor recomendado é abaixo de 100 mg/dL.

O que causa colesterol LDL alto?

Existem três grandes causas por trás dos altos níveis de LDL. A primeira é genética. Muitas pessoas já nascem com uma tendência maior a ter alterações nas taxas de colesterol.

A segunda razão está no prato. Uma alimentação rica em gorduras saturadas e colesterol aumenta as chances de o exame vir alterado.

Já a terceira causa são algumas doenças, como hipotireoidismo, diabetes e problemas nos rins, que podem bagunçar o metabolismo das gorduras no sangue.

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O cigarro também entra nessa conta. O tabaco reduz o colesterol bom (HDL) e ainda promove inflamação. Já o sedentarismo e o excesso de peso favorecem o aumento do colesterol ruim (LDL) e dos triglicérides.

Quando procurar um médico?

“A avaliação do colesterol deve fazer parte dos check-ups de rotina”, destaca Márcio Weissheimer Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

E esses exames de rotina não se restringem aos mais velhos. É recomendado medir os níveis de colesterol entre 9 e 11 anos de idade, na adolescência e quando adulto jovem. “Não é apenas após os 40 anos, como se falava antes. Quanto mais cedo identificarmos alterações, maior a chance de prevenção”, diz Fabiana.

Todos devem conhecer seus níveis de colesterol e, se houver alteração nos exames, procurar orientação médica.

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Também é importante buscar um médico quando há histórico familiar de doenças cardíacas, especialmente se surgiram precocemente, ou em caso de fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão ou tabagismo.

Estudos indicam que, para cada 40 miligramas por decilitro de LDL reduzidas, as chances de mortalidade por infarto caem 20%.

Como aumentar o HDL naturalmente

As diretrizes da SBC não propõem metas específicas para o HDL e também não recomendam o uso de remédios para aumentá-lo.

Embora pessoas com HDL mais alto costumem ter menos doenças cardiovasculares, estudos que tentaram elevá-lo com medicamentos não conseguiram provar que isso reduz o risco de infarto ou AVC.

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Por isso, o foco do tratamento continua sendo a redução do LDL. Ainda assim, vale a pena aumentar naturalmente o HDL com hábitos saudáveis – e que fazem bem para o corpo todo.

Cerca de 70% do colesterol é fabricado pelo nosso próprio organismo, no fígado, enquanto os outros 30% vêm da dieta. Por isso, equilibrar a alimentação é muito importante para manter níveis saudáveis de colesterol bom e ruim.

“É fundamental adotar uma dieta balanceada, rica em fibras, frutas, vegetais, grãos integrais e com baixo teor de gorduras saturadas e trans”, diz Fabiana.

Ao mesmo tempo, é necessário praticar atividade física regularmente. Em geral, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática de ao menos 150 minutos de exercícios por semana.

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Outra recomendação é evitar o cigarro e, quando necessário, iniciar o tratamento medicamentoso para controlar os níveis de colesterol, sempre com orientação médica.

O que fazer quando o HDL está baixo

A prática cotidiana de exercícios, sobretudo os aeróbicos, como caminhada, corrida e natação, contribui para o aumento do HDL. Gerenciar o estresse é mais uma atitude em prol do coração, assim como manter o peso saudável.

Outra medida fundamental é investir em uma alimentação equilibrada. Gorduras (ácidos graxos) mono e poli-insaturadas são recomendadas, pois estão associadas à menor incidência de doenças cardiovasculares. Elas estão presentes em alimentos como azeite, abacate, castanhas, nozes e amêndoas.

No lado “oposto” estão as gorduras saturadas, que aumentam o colesterol ruim. Elas são encontradas em carnes vermelhas, queijo, manteiga e no óleo de coco, assim como em alimentos industrializados.

Além disso, a ingestão de fibras também pode ajudar nesse quadro, pois elas ajudam a reduzir as gorduras no sangue.

Entre os diversos alimentos que auxiliam na redução do colesterol LDL e no aumento do HDL, a nutricionista Stéfany Datovo Prado, diretora do Serviço de Nutrição do InCor, menciona:

  • Frutas, verduras e legumes: ricos em fibras solúveis, antioxidantes e fitoquímicos que ajudam a controlar a absorção de gordura e colesterol;
  • Aveia e leguminosas (como feijão, lentilha e grão-de-bico), pois contêm fibras solúveis e betaglucanas, que reduzem a absorção intestinal do colesterol;
  • Oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas): ricas em gorduras insaturadas e fitoesteróis;
  • Peixes gordurosos (sardinha e salmão): fontes de ômega-3, que reduz os triglicérides e tem efeito anti-inflamatório;
  • Azeite de oliva extravirgem e abacate: fontes de gorduras monoinsaturadas, que auxiliam no aumento do HDL;
  • Chia, linhaça: promovem saciedade e têm efeito hipocolesterolêmico;
  • Alimentos integrais: ajudam a controlar a glicemia e o metabolismo lipídico.

“Esses alimentos atuam diretamente no controle da absorção intestinal de colesterol, na modulação do perfil lipídico e na redução do risco cardiovascular”, resume a nutricionista.

Quando é preciso tomar medicamentos?

Em algumas situações, a prática de exercícios físicos e uma alimentação saudável não são suficientes para melhorar os níveis de colesterol, sendo necessário partir para o tratamento medicamentoso.

Quando isso acontece, Fabiana explica que as estatinas costumam ser o tratamento de base para redução do LDL. “É o remédio mais estudado e com maior comprovação de benefício na redução do risco cardiovascular”, diz.

Essa classe de medicamentos é indicada para pessoas com risco cardiovascular alto, com base em fatores como idade, pressão arterial, tabagismo, histórico familiar e níveis de colesterol.

Entram nessa lista idosos, indivíduos que já tiveram infarto ou têm doença arterial coronariana, pessoas com LDL muito alto (geralmente acima de 160 mg/dL), especialmente se houver histórico familiar, e pacientes com diabetes tipo 2.

Estatinas podem fazer mal?

Muita desinformação ronda as estatinas. No entanto, a SBC ressalta a segurança do medicamento.

“Apesar das informações equivocadas que circulam na internet, estatinas não causam demência, impotência sexual ou alterações na libido”, alerta Fabiana. Essas associações foram investigadas em diversos estudos de qualidade e não se confirmaram.

Em geral, esses fármacos são bem tolerados, mas, como todo medicamento, podem ocorrer efeitos adversos. Os mais comuns são:

• Dor muscular leve (mialgia);

• Alterações nos testes hepáticos, geralmente leves e reversíveis;

• Em alguns casos, pode haver aumento do risco de diabetes tipo 2, especialmente em pessoas já predispostas.

Segundo Fabiana, estudos clínicos randomizados comprovam que as estatinas são o padrão-ouro. “Curiosamente, estudos observacionais (ou “de registro”, que apenas acompanham pacientes no mundo real, sem controle rigoroso) costumam mostrar taxas mais altas de efeitos adversos”, diz.

Para a médica, isso ocorre, em parte, devido ao chamado efeito nocebo, quando a expectativa de efeitos colaterais leva as pessoas a percebê-los ou relatá-los mais intensamente.

“Nos ensaios clínicos, esse efeito é minimizado por meio do uso de placebo e cegamento duplo, o que permite avaliar com mais precisão os reais efeitos da medicação”, explica.

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