Quais os níveis ideais de colesterol? Entenda os valores de HDL, LDL e colesterol total

Especialistas explicam como diferenciar as taxas e ensinam atitudes para proteger o sistema cardiovascular

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Foto do autor Layla Shasta
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Qual é a diferença entre colesterol bom e ruim? Veja como mantê-los em níveis saudáveis

Embora o colesterol seja um tema conhecido, ainda existem muitas dúvidas sobre os reais efeitos do HDL e LDL no organismo. Crédito: Jefferson Perleberg

Controlar o colesterol é pré-requisito para ter um coração saudável. Um dos desafios nesse sentido é saber interpretar os números e agir antes que níveis fora dos padrões se transformem em um problema sério. Para ajudar nessa tarefa, especialistas ouvidos pelo Estadão explicam como diferenciar as taxas e ensinam atitudes para proteger o sistema cardiovascular. Veja a seguir.

O que é o colesterol?

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O colesterol é um tipo de lipídio (gordura) naturalmente presente no organismo. Produzido no fígado, ele ajuda a formar as paredes das células e é usado como matéria-prima para produzir ou processar substâncias importantes, como hormônios e algumas vitaminas.

Como outras gorduras, ele não se mistura bem com a água. Por isso, não circula sozinho no sangue, mas se liga a proteínas, formando as chamadas lipoproteínas. Essas partículas funcionam como transportadoras e as principais são a HDL (lipoproteína de alta densidade, na sigla em inglês) e a LDL (lipoproteína de baixa densidade).

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As duas podem ser medidas em exames de sangue, o que ajuda a verificar se os níveis estão saudáveis.

Taxas de colesterol são avaliadas por meio de exame de sangue. Foto: Freepik

Qual a diferença entre HDL e LDL?

Embora o colesterol seja a mesma substância, ele costuma ser classificado de acordo com as proteínas que o transportam no sangue. Por isso são famosos estes dois tipos: o colesterol HDL, que é conhecido como “bom”, e o LDL, que tem a fama de “ruim”.

Quando os níveis de HDL estão baixos ou os de LDL estão muito altos, o risco de desenvolver doenças do coração aumenta. Isso inclui quadros como aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias, dificultando a passagem do sangue), infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

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LDL: o colesterol ‘ruim’

O LDL é o tipo de colesterol que mais circula no nosso corpo. Ele carrega o colesterol do fígado para as células e tecidos. Isso é positivo, mas, em excesso, o LDL vira um problema. Ele pode se juntar a triglicerídeos, gorduras que vêm de calorias não gastas, e começar a se acumular nas paredes das artérias, os vasos que levam sangue do coração para os órgãos e tecidos.

Esse processo, no qual se formam placas de gordura nos vasos, é chamado de aterosclerose, o popular “entupimento das veias”.

O infarto, por exemplo, acontece quando o sangue não consegue chegar a uma parte do coração. Sem oxigênio e nutrientes, essa porção “morre”. Isso geralmente ocorre devido ao acúmulo de placas de gordura, que bloqueiam a passagem de sangue nas artérias. Já o depósito de placas nas artérias cerebrais pode levar a um AVC.

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HDL: o colesterol ‘bom’

O HDL faz o caminho inverso. Ele é, digamos assim, o “faxineiro” do sistema. A lipoproteína de alta densidade circula pelo sangue recolhendo o excesso de colesterol das artérias e levando tudo de volta para o fígado, onde a substância é metabolizada e eliminada. Estima-se que o HDL transporte entre 25% e 30% do colesterol LDL.

Além disso, o HDL tem funções extras que valem destaque. “Ele tem propriedades anti-inflamatórias, antiapoptóticas (evita a morte de células) e antioxidantes”, explica Fabiana Hanna Rached, cardiologista da Unidade Clínica de Aterosclerose do Instituto do Coração (InCor/USP) e diretora cientifica do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Tabela de referência do colesterol

Os valores de referência para o colesterol são definidos com base em estudos populacionais e diretrizes médicas, como as da SBC e da American Heart Association (AHA).

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Abaixo estão os principais parâmetros usados em exames de sangue, segundo a SBC:

  • Colesterol total (soma de HDL e LDL): abaixo de 200 mg/dL;
  • Colesterol LDL: abaixo de 130 mg/dL para pessoas com risco baixo;
  • Colesterol HDL: acima de 40 mg/dL para homens e acima de 50 mg/dL para mulheres.

Pacientes que já tiveram um infarto ou têm diagnóstico de doença cardiovascular são considerados de risco “muito alto”. Nesses casos, o valor ideal de LDL é abaixo de 50 mg/dL.

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Já para pessoas com risco intermediário, como aqueles com histórico familiar de doença coronariana em idade jovem ou sinais de síndrome metabólica, o valor recomendado é abaixo de 100 mg/dL.

Normalmente, o exame que mede esses níveis é o chamado “perfil lipídico”, que também calcula os triglicerídeos, gordura ligada ao consumo excessivo de carboidratos e calorias. Embora em menor grau, níveis elevados de triglicerídeos também estão associados a maior risco de doenças cardiovasculares.

O que pode alterar os níveis de colesterol

Existem três grandes causas por trás dos altos níveis de LDL. A primeira é genética. Muitas pessoas já nascem com uma tendência maior a alterações nos níveis.

A segunda razão está no prato. Uma alimentação rica em gorduras saturadas e colesterol aumenta as chances de alteração nas taxas.

Já a terceira causa são algumas doenças, como hipotireoidismo, diabetes e problemas nos rins, que podem bagunçar o metabolismo das gorduras no sangue.

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O cigarro também entra nessa conta, pois reduz o HDL e ainda promove inflamação. Já o sedentarismo e o excesso de peso favorecem o aumento do LDL e dos triglicérides.

Colesterol em exames de rotina: como interpretar

Ao receber o exame de perfil lipídico, o paciente vê os resultados de colesterol total, LDL e HDL.

O colesterol total, geralmente em destaque no laudo, é a soma das frações de colesterol no sangue, incluindo o LDL (ruim) e o HDL (bom). “Embora o colesterol total indique risco, o mais importante é a análise das frações”, indica o patologista Helio Magarinos Filho, diretor do laboratório Richet Medicina & Diagnóstico, da Rede D’Or.

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Um total dentro dos limites pode mascarar um LDL alto ou um HDL muito baixo. E vale lembrar: “O LDL elevado é o principal fator de risco para aterosclerose, e o HDL baixo também preocupa, pois ele protege contra doenças cardiovasculares. Ou seja: quanto mais alto, melhor“, afirma Margarinos Filho.

Além disso, é comum que, nos exames, apareça o valor de referência conforme o grau de risco do paciente. Esses parâmetros devem ser levados em conta na interpretação dos resultados.

Para exemplificar, imagine uma paciente de 50 anos que faz um check-up por recomendação médica e cujo exame indica 198 mg/dL de colesterol total e 42 mg/dL de HDL.

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À primeira vista, tudo parece bem, já que o colesterol total está abaixo de 200 mg/dL. No entanto, a paciente tem histórico familiar de doença cardíaca precoce, é hipertensa e está com sobrepeso. Com esses fatores, seu risco cardiovascular é considerado intermediário.

Para esse grupo, as metas são diferentes. E, no caso das mulheres, o HDL ideal é de pelo menos 50 mg/dL, o que significa que o dela está baixo — daí a importância dos especialistas na interpretação correta dos exames e na orientação em relação aos resultados.

Como saber o meu grau de risco?

Há quatro grupos de risco cardiovascular, que vão do muito alto ao baixo. Quanto maior o risco, menor deve ser o colesterol.

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Risco muito alto

Inclui pessoas que já apresentam doenças nas artérias, mesmo que não tenham sintomas, como:

  • Histórico de infarto, AVC ou problemas na circulação das pernas
  • Obstrução de 50% ou mais em qualquer artéria
  • Lesões ateroscleróticas identificadas por exames de imagem

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Risco alto

Enquadra quem ainda não teve eventos cardiovasculares, mas possui características perigosas, como:

  • Diabetes associado a outros fatores de risco (como pressão alta, tabagismo, lesão nos rins ou retina)
  • Aterosclerose detectada em exames (como ultrassonografia de carótidas ou escore de cálcio coronariano)
  • Doença renal crônica

Risco intermediário

É a classificação baseada em uma estimativa percentual de risco cardiovascular em 10 anos, conhecida como ERG (Escore de Risco Global), que considera idade, sexo, pressão arterial, colesterol, histórico familiar e tabagismo. Fazem parte desse grupo:

  • Homens com ERG entre 5% e 20%
  • Mulheres com ERG entre 5% e 10%
  • Pessoas com diabetes, mas sem agravantes adicionais

Baixo risco

Homens e mulheres com risco estimado inferior a 5% em 10 anos, segundo o ERG.

Para os interessados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disponibiliza uma Calculadora de Risco Cardiovascular.

Outros exames para avaliar a saúde do coração

Filho explica que os principais exames laboratoriais incluem:

  • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c) para detectar diabetes ou pré-diabetes;
  • Proteína C reativa ultrassensível (PCR-us), um marcador de inflamação associada ao risco cardiovascular;
  • Creatinina e relação albumina/creatinina urinária, para avaliar função renal (pois doenças renais aumentam o risco cardiovascular);
  • TSH e T4 livre, que observam se há disfunções hormonais relacionadas à tireoide, o que pode alterar o perfil lipídico;
  • Homocisteína e lipoproteína, exames menos comuns, mas indicados em casos de alto risco precoce.

Quando procurar um médico?

“A avaliação do colesterol deve fazer parte dos check-ups de rotina”, destaca Márcio Weissheimer Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). E esses exames de rotina não se restringem aos mais velhos. É recomendado medir os níveis de colesterol entre 9 e 11 anos de idade, na adolescência e quando adulto jovem.

“Não é apenas após os 40 anos, como se falava antes. Quanto mais cedo identificarmos alterações, maior a chance de prevenção”, diz Fabiana.

Todos devem conhecer seus níveis de colesterol e, se houver alteração nos exames, procurar orientação médica. Estudos indicam que, para cada 40 miligramas por decilitro de LDL reduzidos, as chances de mortalidade por infarto caem 20%.

Também é importante buscar um médico quando há histórico familiar de doenças cardíacas, especialmente se surgiram precocemente, ou em caso de fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão ou tabagismo.