A Intel é mais um nome do setor a reforçar que o mercado de eletrônicos de consumo ainda terá um 2027 turbulento pela continuidade da crise envolvendo chips de memória. A previsão foi revelada durante o mais recente relatório fiscal da companhia, na quinta-feira (29).
De acordo com a Intel, a desaceleração do segmento de PCs segue “pelo menos durante o primeiro semestre do próximo ano”. Isso significa que a comercialização desses aparelhos continuará baixa, como registram estudos recentes que apontam queda de até 20% nas vendas.

Por outro lado, a Intel enxerga um lado positivo nesse cenário, justamente por não envolver os produtos para o consumidor comum. Isso porque ela mesma pode se beneficiar da alta demanda da indústria por componentes de alta potência para uso em infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Em outras palavras, a tendência é que ela passe a priorizar cada vez esse mercado sem abandonar os processadores tradicionais, nos moldes do que a rival Nvidia fez nos últimos anos. Um exemplo é a chegada recente dos Googlebooks, que têm opção de venda com chip Intel e são uma grande aposta da dupla.
“A demanda por nossas CPUs permanece robusta, o que reforça nossa confiança nas oportunidades de crescimento de longo prazo”, diz a Intel em nota. A companhia está especialmente interessada na fabricação de chips da família Xeon, mais voltada para servidores e workstations.
Intel ainda não passa confiança
Os números apresentados pela Intel não foram bem recebidos pelo mercado, o que resultou em queda de ações na última quinta-feira (29).
- A companhia apresentou um aumento de 21% na receita no terceiro trimestre do ano em comparação ao mesmo período do ano passado, chegando a US$ 16,5 bilhões gerados;
- Por outro lado, o lucro de US$ 3,32 bilhões representa uma queda de 18%, seguindo a tendência de preocupação do mercado com gastos excessivos de marcas no campo da IA;
- A projeção de receita para o último trimestre do ano, ajustado para US$ 16 bilhões, também ficou abaixo das expectativas.
A diferença entre os negócios também é notável: o setor de Client Computing fechou o período com US$ 8,1 bilhões em receita, com uma queda de 5%, enquanto o de Data Center fechou o período com US$ 7,3 bilhões e um crescimento de 78%, com uma provável ultrapassagem em trimestres futuros.
O efeito da crise em estoques e preços
A desaceleração citada pela Intel já é sentida no bolso do consumidor e encontra ecos em outros nomes fortes da indústria.
O preço de PCs está em alta e a oferta de dispositivos de entrada ou baixo custo tem diminuído, já que a margem de lucro dessas categorias são menores e menos interessantes para as fabricantes.
Além disso, empresas do setor de chips de memória são ainda mais pessimistas do que a Intel. Segundo a SK Hynix, o desequilíbrio de oferta e demanda desses componentes deve seguir até 2030, enquanto a Samsung cita 2028 como data final. Já a Micron, mais pessimista, acredita que o atual cenário ainda vai piorar.
Como o mercado global de smartphones tem sido impactado pela crise? Confira os números nesta matéria!
